domingo, 31 de outubro de 2010

Dilma Rousseff, a primeira mulher a governar o Brasil




Hoje é um dia histórico para o Brasil, pois, pela primeira vez, o país será governado por uma mulher. Dilma Rousseff é a primeira mulher eleita Presidente da República no Brasil. E em um país onde a imagem feminina é tão desvalorizada, a trajetória de Dilma mostra a verdadeira imagem da mulher brasileira. Desde a sua juventude lutou pelo que acredita ser correto, escolhendo um caminho bem mais difícil do que o caminho fácil que sua condição social permitia. Que Deus possa abençoá-la e que o seu governo seja regido com sabedoria.

Parabéns a Dilma Rousseff, pela vitória e a todas as mulheres do Brasil. Esta vitória é de vocês também.



Quem é Dilma Rousseff

Filha do poeta e empresário búlgaro Pétar Russév (naturalizado no Brasil como Pedro Rousseff) e da professora brasileira Dilma Jane Silva, Dilma Vana Rousseff nasceu em 14 de dezembro de 1947 em Belo Horizonte, Minas Gerais.

De família de classe média, estudou no tradicional Colégio Sion, de orientação católica. Em 1964, enquanto estudava no Colégio Estadual Central (hoje Escola Estadual Governador Milton Campos), começou a militar na Polop (Organização Revolucionária Marxista - Política Operária). No mesmo ano, ocorreu o golpe militar; já em 1967, casou-se com o jornalista Cláudio Galeno Linhares.

Depois da Polop, ingressou na Colina (Comando de Libertação Nacional), movimento adepto da luta armada. Em 1969, começou a viver na clandestinidade e foi obrigada a abandonar o curso de economia na UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), que havia iniciado dois anos antes.
Pouco depois, separou-se de Galeno e começou a morar em Porto Alegre (RS) com o advogado e militante de esquerda Carlos Araújo, que depois viria a ser deputado estadual. Com ele, Dilma teve sua única filha, Paula Rousseff Araújo.

Em julho de 1969, Colina e VPR (Vanguarda Popular Revolucionária) se uniram, criando a Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares). Apesar de ter recebido treinamento de guerrilha, Dilma nega ter participado de ações armadas; enquanto esteve na clandestinidade, usou vários codinomes, como Estela, Luiza, Maria Lúcia, Marina, Patrícia e Wanda.

Em janeiro de 1970, foi presa em São Paulo e ficou detida na Oban (Operação Bandeirantes), onde foi torturada. No total, foi condenada a 6 anos e 1 mês de prisão, além ter os direitos políticos cassados por dez anos. No entanto, conseguiu redução da pena junto ao STM (Superior Tribunal Militar) e saiu da prisão no final de 1972.

Depois de ter morado em São Paulo e Rio de Janeiro, Dilma se estabeleceu em Porto Alegre, onde começou a trabalhar, em 1975, na FEE (Fundação de Economia e Estatística), órgão do governo gaúcho. Dois anos depois, formou-se em Economia pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), sendo demitida da FEE após ter seu nome incluido em uma lista de "subversivos".

Nas décadas de 1980 e 1990, atuou no governo do Rio Grande do Sul, nas secretárias da Fazenda e de Energia, Minas e Comunicações, e nos governos de Alceu Collares (PDT) e Olívio Dutra (PT). Em 1989, fez campanha para Leonel Brizola (PDT), candidato a presidente; no segundo turno, apoiou Lula (PT). Desfiliou-se do PDT em 2001, quando entrou no PT.

Em 2003, assumiu o cargo de Ministra de Minas e Energia do governo Lula. Dilma defendia um modelo que não concentrasse todo o setor nas mãos do Estado, ao mesmo tempo em que o governo buscava se aproximar do mercado. A interlocução com o capital e o comando do programa Luz para Todos foram decisivos para que Dilma se tornasse, em 2005, ministra-chefe da Casa Civil no lugar de José Dirceu.

À frente de ambos os ministérios, tornou-se conhecida por ter um perfil tido como centralizador e técnico, bem como por suas fortes cobranças a ministros e assessores. Em sua gestão, também ganhou popularidade ao ser indicada pelo presidente Lula como gestora do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento).

No início de 2009, foi acometida por um câncer no sistema linfático e submetida a tratamento; a ex-ministra foi considerada curada por sua equipe médica em setembro do ano passado.

Biografia disponível no UOL Eleições 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

The Walking Dead: Os mortos estão a caminho!

The Walking Dead — Quanto tempo você irá sobreviver?


Dia 31 de outubro estréia nos EUA a adaptação de The Walking Dead, HQ de sucesso publicada pela Image Comics. O início da estória é a premissa do filme 28 Days Later, mas só o início, pois o que o autor construiu a parti daí é uma obra bem diferente, coesa e viciante.

O autor da estória, Robert Kirkman, escreveu do primeiro ao mais recente número da revista, mantendo-a num ritmo alucinante, com introdução de personagens de forma coerente e constante.

Aliás, os personagens são apaixonantes e, de cara, simpatizei com cada um deles, algo que não aconselho a você, visto que o autor não tem medo de matar ninguém nessa estória. Ser morto, mutilado, enlouquecer, dentre tantas possibilidades, é algo real para qualquer um dos personagens. Kirman promove reviravoltas na estória a todo tempo, nos mantendo presos ao seu enredo viciante.

Se The Walking Dead mantiver o ritmo e o foco da estória das HQs, de longe será uma das séries mais incríveis já produzidas para a TV.

Mas vamos a estória: O policial Rick é baleado e acorda meses depois sozinho num hospital deserto, e o mundo em que ele vive foi consumido por uma crise em que as pessoas se transformam em zumbis e em que ninguém não está a salvo. Começa aí a jornada de Rick para proteger a sua família, junto com um grupo de outros sobreviventes.

Entretanto, em um mundo pós apocalíptico, a maior preocupação de Rick Grimes e de seu grupo de sobreviventes não são os zumbis comedores de humanos, mas sim os humanos ao seu redor. E é aí que a estória faz-se brilhante; ela foca não os mortos, mas sim os vivos que são os causadores dos maiores horrores da história, nos fazendo indagar quem são os verdadeiros monstros da estória.

The Walking Dead terá estréia mundial no dia 2 de Novembro, às 22:00 hs, na FOX. A adpatção da HQ para a TV está por conta das mãos de Frank Darabont, o excelente diretor de 'Um Sonho de Liberdade', 'À Espera de um Milagre' e 'O Nevoeiro' e de Gale Anne Hurd, a super-produtora responsável pela franquia 'Exterminador do Futuro' e pelos filmes 'Alien Nation', 'Tremors' e 'O Segredo do Abismo'.

Estou ansioso pela estréia, pois sou fã declarado da HQ. E se a série for ao menos metade da HQ, é garantia de sucesso absoluto.


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

A poesia apaixonante de Paula Fernandes

Descobri Paula Fernandes em um DVD do Renato Teixeira e Sergio Reis “Amizade Sincera” e fiquei apaixonado pela cantora. Fiquei completamente pasmo ao ouvir o timbre de sua voz, seus arranjos simples e belos e suas letras belíssimas. Logo pensei este é o SomdoMural.

Paula Fernandes nasceu em Sete Lagoas – Minas Gerais e lançou seu primeiro trabalho independente com apenas 10 anos de idade. Aos 12 anos contratada por uma companhia de rodeios viajou por todo o Brasil durante 5 anos como cantora da trupe. O que lhe rendeu muita experiência. Neste mesmo ano Paula Fernandes lança seu segundo cd, “Ana Rayo”, inspirada no sucesso da novela “Ana Raio e Zé Trovão”.

Tempos depois Paula lança o seu terceiro cd “Canções do Vento Sul”, pelo selo Sonhos e Sons, com participação do grupo Sagrado Coração da Terra e do cantor Sérgio Reis, o que rendeu a Paula Fernandes uma importante indicação ao Prêmio Tim de Música Brasileira de 2006, na categoria de Melhor Cantora Popular (júris popular e oficial).

Em dezembro de 2006, Paula lança o álbum “Dust in the Wind”, também pelo selo Sonhos e Sons, com músicas de seu repertório internacional, como “Angel”, de Sarah MacLachlan, “The Boxer”, de Paul Simon, entre outros sucessos. Em 2008 contratada pela Universal Music, lança o seu quinto CD “Pássaro de Fogo”,com destaque para as músicas “Meu eu em você” e “Pássaro de Fogo”.

Cantora, compositora, Paula possui um dom natural, descobriu seu talento aos oito anos , quando cantou para a sua mãe uma música, esta se emocionou muito e percebeu que tinha em casa um grande talento, desde então não parou mais. Paula Fernandes já gravou com grandes nomes da música brasileira como Sergio Reis, Renato Teixeira, e Amir Sater. Paula afirma que o que mais gosta de fazer é cantar músicas de rodeio, o que o fez durante 5 anos.

Aos 26 anos com um talento singular, Paula Fernandes encanta quem ouve sua poesia e sua bela voz, que faz qualquer um que a escute se apaixonar pelo seu trabalho e seu talento.

Paula Fernandes é um daqueles casos raros de paixão a primeira nota.







Você quer saber mais? Acesse: Paula Fernandes

Groenlândia derrete em ritmo sem precendentes

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Por Alexandre Mansur

A região do Ártico continua esquentando em um ritmo sem precedentes. É a conclusão principal de um estudo de 69 cientistas de várias partes do mundo, que participaram de o Arctic Report Card, um levantamento extenso coordenado pela NOAA, agência de atmosfera e oceanos dos Estados Unidos.

Faz sentido diante da escalada recente de calor. Os primeiros 9 meses do ano são os mais quentes já registrados.

Segundo os pesquisadores, a Groenlândia está registrando temperaturas que batem os recordes dos registros históricos. As taxas de derretimento e perda de área de geleiras também são as mais altas já registradas.

O gelo no período do verão também continua cada vez menor. A área gelada na virada de 2009 para 2010 foi o terceiro mais baixo já registrado desde 1979. A espessura do gelo continua diminuindo. A menor espessura de 2010 é a terceira mais baixa desde 1979, acima apenas do que foi marcado em 2008 e 2007.

A quantidade de neve sobre a superfície da região é a menor desde que as medições começaram, em 1966.

O que acontece nessa região remota tem grande importância para nós, segundo os cientistas. As geleiras da Groenlândia podem elevar o nível do mar em alguns metros caso derretam. Mas antes disso, as mudanças no clima do Pólo Norte têm grande impacto no clima do resto do planeta. A superfície branca do Ártico funciona como um espelho, que reflete a luz solar. Na medida que derrete e fica escura, passa a reter mais calor. Isso acelera o aquecimento de todo o planeta. Além disso, as mudanças no ártico desequilibram a circulação de massas de ar e as correntes marinhas que mantém os padrões de clima que conhecemos em outras regiões da Terra. O Ártico também é área de alimentação e reprodução de várias espécies que circulam no resto do Hemisfério Norte.

“Além de afetar os humanos e a vida selvagem local, as temperaturas mais quentes no Ártico tem conseqüências mais amplas para os sistemas físicos e biológicos de outras partes do mundo”, diz Jane Lubchenco, diretora da NOAA.


Fonte: Blog do Planeta

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Você Também Terá os Seus Adufes

por John Piper

Em minha pregação, enfatizo a doutrina. Uma das razões para eu fazer isso é que o apóstolo Paulo também a enfatizava.

Era uma estratégia missionária dele. Quando terminou seu trabalho de implantar a igreja em Éfeso, ele disse: “Eu vos protesto, no dia de hoje, que estou limpo do sangue de todos; porque jamais deixei de vos anunciar todo o desígnio de Deus” (At 20.26-27). Por isso, aos domingos eu prego doutrina.

Hoje é segunda. O sol está brilhando. O céu está azul como o oceano. A temperatura está na casa dos 20ºC. O vento sopra suave. O ar está limpo e claro como o cristal. A tulipas estão crescendo. Em tempos como este, você quer pular de alegria e não estudar doutrina.

Eu também não.Não estou interessado em uma religião que ofereça qualquer coisa que não seja a plenitude de alegria e delícias perpetuamente (Sl 16.11). Não estou me referindo somente a deleites profundos que surgem nos momentos em que o coração descobre a fidelidade de Deus em uma tragédia. Existem muitas enfermidades cruéis e morte no mundo, para que eu não me refira a elas — até que a maldição seja removida — mas agora não estou falando a respeito dessas coisas.

Também estou me referindo àquilo que os bezerros fazem: “Saireis e saltareis como bezerros soltos da estrebaria” (Ml 4.2). Eu gosto muito do sol de abril, do calor em minha pele e da brisa em meu rosto. Aprecio os gritos de alegria de meus pequeninos, quando eles voltam da escola, testando seus pulmões. Gosto muito da afeição desinibida e inconstante dos pré-adolescentes. Amo a exuberância de alguns jovens de minha igreja, demonstrada em dramatizações, por amor a Jesus.

Exuberância!

Esta é uma palavra rara, não é? Penso que aos onze anos já temos perdido tal característica. Tentamos reencontrá-la de muitas maneiras artificiais, mas ela acabou. Crescemos e agora sabemos demais.

Ou será que sabemos pouco? Será que crescemos apenas parcialmente? Saímos da ingênua exuberância da infância para o realismo sombrio da maturidade.

Voltando à doutrina: todo o Conselho de Deus. O que é todo o Conselho de Deus?

É o novo fundamento da exuberância, quando a ingenuidade da infância não é mais oportuna; é um fundamento diferente. O velho fundamento não pode lidar com a realidade, o novo, porém, vê todas as coisas — câncer, armas nucleares, crises ambientais, terrorismo, aborto, cidades arrasadas, casamentos desfeitos, crianças abandonadas, depressão — vê e sente todas elas. Contudo, este fundamento não se destrói, nem desaparece — quer no hospital, quer na cadeia.

Este é todo o conselho de Deus. Se você pretende pular de alegria em um dia da primavera, lembre-se: ou o fará com os olhos fechados, ou o fará no grande planalto de granito de todo o conselho de Deus, também conhecido como doutrina.

“Bem-aventurados sois quando os homens vos odiarem e quando vos expulsarem da sua companhia, vos injuriarem e rejeitarem o vosso nome como indigno, por causa do Filho do Homem. Regozijai-vos naquele dia e exultai, porque ______________” (Lc 6.22-23). Sim, o espaço foi preenchido com as palavras “grande é o vosso galardão no céu”. Mas, como você chegou a esperar este galardão; como foi ele comprado para você por Cristo; que parte da natureza da fé se apropria deste galardão; qual o conteúdo deste galardão e como você mantém confiança diária na garantia do galardão — tudo isso é doutrina. Sem ela, não pularemos de alegria por muito tempo. E, com certeza, não na cadeia.


Extraído do livro: Uma Vida Voltada para Deus, de John Piper. Copyright: © Editora FIEL

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

QUANDO A IGREJA NÃO É “IGREJA”...

Foto:http://www.fotosgratis.fot.br/

Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver..., que crê sempre no amor de Deus...; e, sobretudo, é algo para gente que confia..., que entrega..., que não deseja controlar nada...; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe...

Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo...

Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim...

Se o pastor é assim..., tudo ficará assim...

Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e, assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno...

Em igreja há problemas... É claro... Afinal, tem gente...

Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.

Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado..., adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público..., ladrões são ajudados a não mais roubarem..., corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu..., e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas...; ou seja: com silencio que passa..., mas, ao mesmo tempo, não abre espaço...

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje... E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado... Ele é livre para discordar e sair... Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo...

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

Igreja é um problema?...

Sinceramente não acho...

Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro...

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência...

Não é teoria...

Pode ser assim em todo lugar...

Mas depende de quem seja o pastor...

E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito...

Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado..., não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

Pense nisso!...

Nele,

Caio Fábio

Fonte: Caio Fábio

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Se os tubarões fossem homens (Bertold Brecht)


Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha de sua senhoria ao senhor K., seriam eles mais amáveis para com os peixinhos?

Certamente, respondeu o Sr. K. Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos, com todo tipo de alimento, tanto animal quanto vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca e adoptariam todas as medidas sanitárias adequadas. Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, ser-lhe-ia imediatamente aplicado um curativo para que não morresse antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem melancólicos haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes. Naturalmente haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas os peixinhos aprenderiam como nadar alegremente em direcção à goela dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.

O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura. Os peixinhos saberiam que este futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam rejeitar toda tendência baixa, materialista, egoísta e marxista, e denunciar imediatamente aos tubarões aqueles que apresentassem tais tendências.

Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões. Os peixinhos, proclamariam, são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não se podem entender entre si. Cada peixinho que matasse alguns outros na guerra, os inimigos que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia uma comenda de herói.

Se os tubarões fossem homens também haveria arte entre eles, naturalmente. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores magníficas, e as suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos a nadarem com entusiasmo rumo às gargantas dos tubarões. E a música seria tão bela que, sob os seus acordes, todos os peixinhos, como orquestra afinada, a sonhar, embalados nos pensamentos mais sublimes, precipitar-se-iam nas goelas dos tubarões.

Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa no paraíso, ou seja, na barriga dos tubarões.

Se os tubarões fossem homens também acabaria a ideia de que todos os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores até poderiam comer os menores. Isso seria agradável para os tubarões, pois eles, mais frequentemente, teriam bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores detentores de cargos, cuidariam da ordem interna entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, polícias, construtores de gaiolas, etc.

Em suma, se os tubarões fossem homens haveria uma civilização no mar.
Bertold Brecht

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sobre Deus


Por Ricardo Gondim

Não sei explicar as razões de minha fé. Não sei dizer os porquês de minha devoção. Sinto-me inadequado para convencer os indiferentes. Como fazer que desejem o mesmo sal que tempera o meu viver? Limitado, reconheço que tudo o que sei sobre o Divino é provisório. Não tenho como negar, minhas convicções vacilam. As certezas que me comovem são, decididamente, vagas.

Sei tão somente que Ele se tornou a minha meta, o meu norte, a minha nostalgia, o meu horizonte, o meu atracadouro. Empenhei o futuro para seguir os seus passos invisíveis. No dia em que o chamei de Senhor, a extensão do meu meridiano se alongou e os fragmentos de meu mapa existencial se encaixaram. Ao seu lado, caíram os tapumes da minha estrada e o ponteiro da minha bússola se imantou.

Sei tão somente que Ele se fez residente no campus dos meus pensamentos. Presente nos vôos da minha imaginação, transformou-se no mais doce ponto de minhas interrogações. Causa de toda inquietação, tornou-se a fonte de minha clarividência.

Sei tão somente que Ele se desfraldou como flâmula sobre meus ombros. Por amar tanto e tão formidavelmente, cilício, purgações, sacrifícios, tudo foi substituído por desassombro. No porão da tortura, nos suplícios culposos, achei um ambulatório, o seu regaço.

Livros contábeis, que registravam meus erros, foram rasgados. Encaro a eternidade com a sensação de que as sentenças estão suspensas. Já não fujo dEle como de um Átila. Eu o chamo de Clemente.

Sei tão somente que Ele ardeu o delicado filamento que acendeu a luz dos meus olhos. Ele foi o mourão que marcou o outeiro de minha alma; sou um jardim fechado. Ele é o badalo que dobra o sino do meu coração e o alforje onde guardo acertos e desacertos do meu destino.

Sei tão somente que Ele me fascina com a sua luz refratada em muitos matizes. Dele vem o encarnado que tinge a minha face com o rubor do sol. Seu amarelo me brinda com o açafrão do mistério transcendental. Vejo um roxo que me colore de púrpura real. Seu branco é lunar e me prateia. Seu preto me imprime de um nanquim celeste. Por sua causa, a minha alma espelha o azul dos oceanos virgens.

O que dizer de Deus? Tão pouco! Calado, só espero que o meu espanto celebre o tamanho da minha reverência.

Soli Deo Gloria

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

O som inteligente de GUSTAVO LEGAL

Foto: Jan Hovland

A blogosfera sempre nos traz boas surpresas, e em busca do som que não toca nas rádios, para indicar aqui no Mural, deparei-me com o som inteligente do Gustavo Legal. De cara pensei: "Este é o som do Mural!" Não existe muita coisa sobre o Gustavo Legal na net. A única informação que consegui dele foi no seu próprio blog o http://prgustavolegal.blogspot.com

O Gustavo Legal é membro da primeira igreja Batista do recreio no Rio de Janeiro, pastor do Movimento Juventude Inteligente e líder da banda de rock brasileira Los Nazaritos/Nazarenos. Sua carreira musical também inclui o CD solo Gustavo Legal Preview. Faz palestras e Pocketshows direcionados para o público jovem e adolescente. É casado com Patrícia e pai do Serginho e da Rafaela. E é vascaíno a 32 anos.

Se você quiser saber um pouco mais sobre este carioca, sugiro que ouça a sua música. Ela diz muito sobre ele, o que pensa, acredita e vive. São pessoas como o Gustavo que me fazem acreditar que música cristã brasileira pode sim ter qualidade. Mas bem melhor que falar sobre ele é ouvir a sua música; portanto, senhoras e senhores, com vocês o som cabeça de Gustavo Legal. E não esquece de comentar, ele merece a sua opinião.









Você quer saber mais? Acesse: Gustavo Legal

Obrigado professor(a)

Eles têm vários nomes, são chamados de tio, tia, mestre, prof, amigo, amiga, professor... Não importa como o chamamos, eles são as nossas bússolas, o nosso mapa em direção ao futuro que a princípio parece tão distante, mas que chega depressa. E quando chega deixa o gosto amargo da saudade daqueles companheiros que nos guiaram por toda a estrada.

A você, mestre, amigo professor o nosso muito obrigado. Todas as profissões que existem, possuiram um "mestre", todas passaram por você. Por essa razão desejamos um 15 de outubro cheio de alegria a você que tem a mais bela das profissões, o nosso eterno carinho.


quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Um Exercício Sobre Moral Cristã Conservadora

Por Luiz Coelho

Proponho um exercício. Por favor, acompanhem meu raciocínio.

Primeiramente, vou definir como “moral cristã conservadora” um conjunto de padrões éticos defendido por um grupo razoável de cristãos. Não sou eticista, então posso estar me embolando nos termos, mas acho que a título de exercício, isso não é relevante.
Os adeptos da moral cristã conservadora (daqui em diante, chamarei de apenas MCC) acreditam que relações homoafetivas, independente do grau de estabilidade, carinho, fidelidade, etc são pecaminosas e levam ao inferno.

Com um certo grau de segurança, posso dizer que os adeptos da MCC também não fazem distinção entre graus de pecados (sim, os que são católicos romanos farão distinções entre pecado mortal e pecado venial, mas creio que mesmo assim o exercício mantém sua validade).

Assim, é possível dizer que os adeptos da MCC também concordam que pessoas não-cristãs vivem em pecado e vão para o inferno. Tais pessoas são legalmente beneficiadas com o direito à adoção, podem casar-se, constituir família, ensinar a seus filhos seus parâmetros morais e religiosos (podem inclusive ensinar a seus filhos que ser homossexual não é errado – coisa que os adeptos da MCC consideram abominação). Essas pessoas expõem seus filhos a toda sorte de situações que são consideradas pelos adeptos da MCC como anormais.

Além disso, no universo de casais heterossexuais legalmente estabelecidos, há toda sorte de comportamentos sendo praticados: adultério, divórcios, recasamentos, castigos corporais extremados e tantos outros. Para os adeptos da MCC, esses comportamentos são também, em grande parte pecado.

Então fica a pergunta: se o parâmetro para alegar que casais homossexuais não podem adotar crianças é o pecado e a perdição aos quais tais crianças seriam expostas, por que é que os adeptos da MCC não protestam junto ao governo quanto à adoção de crianças por:

1) Espíritas
2) Umbandistas
3) Muçulmanos
5) Ateus
6) Pessoas que ensinam que ser homossexual é normal
7) Casais “incestuosos” reconhecidos por lei
8) [coloque aqui diversas outras classes]

Por que não protestam quando mulheres que tentam a “via independente” têm um caso apenas para engravidar, porque querem um filho? Por que não protestam quanto às famílias que têm inúmeras crianças filhos de pais diferentes? Por que não protestam quanto às gravidezes precoces e crianças sendo criadas por outras crianças?

Alguém poderia dizer: sim, não protestamos porque mal ou bem, esses casais são heterossexuais. Podem um dia vir a se converter. Como são heterossexuais, seguem o “modelo de Deus’ para a família e, se convertidos, tudo se resolve. Para isso eu dou dois contra argumentos:

1) Nada garante que venham a se converter.
2) Caso um casal homossexual (ou um de seus membros) viesse a se converter a uma igreja adepta da MCC, nada impede que se divorciem mas continuem criando seus filhos da mesma forma como casais divorciados o fazem: dividindo despesas e custódia. Não estariam fazendo “sexo” entre si, não estariam vivendo junto. Mas continuariam a sustentar aquela criança.

E mais… Se é para se tomar uma abordagem pró-ativa, pergunto (com negrito, porque quero resposta): por que é que a imensa população brasileira adepta da MCC – evangélicos e católicos inclusive – não se dispõe a adotar TODAS as crianças abandonadas, para que elas não precisem ser adotadas por aqueles que, segundo eles, praticam pecados e estão fadados à perdição?
Qualquer opinião contrária à adoção por casais homoafetivos necessita, antes de tudo, autojustificar-se respondendo esses meus questionamentos.

O que vocês querem é muito simples: querem empurrar os valores morais de um grupo à toda coletividade. Todo mundo tem esse direito. Não há nada de errado em querer isso. O problema é que, para que a coletividade entenda que há proveito em seguir os valores morais de um grupo, é preciso que tal grupo mostre que eles realmente são dignos de ser seguidos.

E isso, realmente, não acontece. Seja o antigo catolicismo conservador, seja o evangelicalismo crescente, em termos de transformação e mudança, sinto informar que influenciaram muito pouco este país. Hoje contentam-se mais em conseguir eleger suas bancadas, que ficam no congresso promiscuamente se oferecendo como meretrizes de esquina para o governo. Dão seus votos para quem apoiá-los em suas agendas. Os líderes das igrejas – de IURD a Padre Marcelo Rossi, enchem-se de fortunas absurdas quando várias pessoas no país vivem na extrema miséria. Sério. Sério mesmo. O Cristianismo – se analisado de forma coletiva e genérica – está muito longe de ser “sal e luz” neste país. Se crescemos e melhoramos em vários aspectos, isso se deve muito mais ao trabalho de pessoas que muitas vezes nem religiosas eram.

E aí, fica o meu espírito pragmatista me espetando. Várias crianças estão abandonadas. Alguém quer adotá-las. Por que não?


terça-feira, 12 de outubro de 2010

É Dia das Crianças, mas o exemplo quem dá somos nós

Doze de Outubro é o Dia das Crianças, mas o exemplo quem dá somos nós. Lembre-se que suas ações são observadas de perto, e elas podem moldar o futuro de toda uma geração para o bem ou para o mal.


segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Campanha "Free to believe"

Diga SIM à liberdade religiosa e NÃO para a Resolução da Difamação da Religião. Contamos com sua ajuda na divulgação da campanha para o maior número de pessoas possível. Assine e incentive seus amigos, familiares e irmãos a participarem também. Você pode fazer diferença na vida dos cristãos perseguidos.


Free to Believe : Livre para Crer

Abaixo-assinado em favor da liberdade religiosa



Free to believe é uma mobilização global organizada pela Portas Abertas Internacional, e tem como objetivo arrecadar assinaturas em todo o mundo para se posicionar contra a Resolução da Difamação da Religião. No Brasil o underground, ministério de jovens da Missão Portas Abertas, lidera a campanha.

A campanha visa alertar sobre o perigo dessa resolução que tem sido apresentada na Organização das Nações Unidas desde 1999. Ela apoia as leis muçulmanas como a de apostasia e condena qualquer atitude considerada contra o islamismo. Quem mais sofre com essas leis são as minorias religiosas, principalmente os cristãos.

A Organização da Conferência Islâmica, que compreende 57 países, sendo a maioria de população muçulmana é quem está por trás dessa resolução e deverá apresentá-la à Assembleia Geral da ONU em dezembro, mas é muito importante que ela não seja aprovada este ano.

Com o passar dos anos, o apoio a essa resolução vem diminuindo porque os países que inicialmente a apoiavam estão desistindo aos poucos. Alguns países como o Brasil se abstiveram de votar. Por isso devemos orar para que as autoridades brasileiras se posicionem contra essa resolução, uma vez que ela fere completamente o direito de escolha religiosa dos cidadãos.

Acesse a página da campanha e assine a petição eletrônica em favor dos milhares de cristãos que enfrentam diariamente restrições e perseguição por conta da intolerância religiosa, principalmente por parte dos muçulmanos.

Você também poderá fazer download de alguns recursos como vídeos, apresentação em powerpoint e arquivos para fazer um marca-página. Além disso, você pode imprimir o abaixo-assinado quantas vezes quiser e distribuir para muitas pessoas. Quanto mais assinaturas coletarmos, mais chance existirá para que essa resolução seja derrotada.

O escritório da Portas Abertas dos Estados Unidos levará o abaixo-assinado para a ONU. Por isso, é importante que todas as assinaturas cheguem aos nossos cuidados até o dia 22 de novembro, pois enviaremos somente os que recebermos até esta data. Ou preencha seus dados no formulário, que funciona como um abaixo-assinado eletrônico e ajude a mudar a história da liberdade religiosa em muitos países.

Contamos com sua ajuda na divulgação da campanha para o maior número de pessoas possível. Assine e incentive seus amigos, familiares e irmãos a participar também. Você pode fazer diferença na vida dos cristãos perseguidos.


Diga SIM à liberdade religiosa e NÃO para a Resolução da Difamação da Religião.

sábado, 9 de outubro de 2010

SWU: Começa Com Você

Por Luiz Magno

Vocês sabem o que é o SWU? O que fazem e qual sua razão de existir?

Vejam na íntegra mais um forte aliado do planeta:

Você já deve ter ouvido falar sobre o Protocolo de Quioto, a Conferência de Copenhague e de reuniões entre países para reduzir a emissão de gases poluentes, certo? Mas, quantas pessoas já leram algum desses acordos – e mais: o que isso tudo tem a ver com a sua vida?

Sim, essas grandes conferências e decisões são muito importantes. O problema é que, vendo as coisas acontecendo lá longe, na TV ou no jornal, parece que tudo está além de nosso alcance, que não podemos fazer nada para ajudar. Ok, o planeta tem que ser mais sustentável, mas, o que nós temos a ver com isso?

O SWU (Starts With You – Começa Com Você) é um movimento de conscientização em prol da sustentabilidade que tem o intuito de mobilizar o maior número possível de pessoas em torno da causa, mostrando que, por meio de pequenas ações, com simples atitudes individuais do seu dia a dia, é possível ajudar a construir um mundo melhor para se viver. O movimento nasceu da iniciativa de Eduardo Fischer, presidente do Grupo Totalcom, e parte da convicção de que pequenas atitudes podem gerar grandes mudanças.

Não poder resolver os grandes problemas do noticiário não significa que você está de mãos atadas. A primeira coisa que você pode fazer para salvar o planeta é fazer alguma coisa. Simples assim. Mude hábitos, mostre que é possível e, desta forma, contagie aquele que está aí, do seu lado. Começa com você!




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Deixem o palhaço legislar

Excelente texto publicado hoje pela Folha.
Cadê a lei dos "Ficha Limpa"? Isso a nossa justiça não se preocupa.


Tiririca é o novo herói nacional. A expressão mais raivosa e consistente do voto de protesto contra o corpo político brasileiro. Que a Justiça esteja já acionada para cassá-lo por suposto analfabetismo revela como o palhaço/deputado federal mais votado do país ameaça o sistema. O deboche e o humor são armas poderosas.

E que boa piada: uma Justiça sem dentes para barrar os eternos abutres da política afia suas garras diante do palhaço nordestino que, como nosso consagrado presidente, veio de muito baixo na pirâmide social para afirmar-se de forma retumbante em São Paulo.

Quem conhece e representa melhor o Brasil profundo do que o palhaço Tiririca hoje na política? Só Lula. Que elitismo suspeito esse preconceito contra o suposto analfabetismo do palhaço. Quem melhor que um analfabeto ou semi-analfabeto para representar os milhões de mal educados do país? Analfabeto não é incapaz nem criminoso para ter direitos políticos limitados. Muito pelo contrário, é vítima da má gestão desta obrigação pública mais básica que é a educação.

Se a Wikipédia está certa, o palhaço Tiririca começou a vida no circo aos 8 anos, em Itapipoca, no Ceará, e estourou regionalmente com a música "Florentina", que a Sony Music tornou megahit nacional em 1996.

Ele já teve problemas com a lei naquela época por causa da música "Veja os Cabelos Dela", que lhe rendeu uma acusação de racismo, da qual foi inocentado. A letra, puro Tiririca, dizia: "Veja, veja, veja, veja, veja os cabelos dela/Parece bombril, de ariá panela/Parece bombril, de ariá panela/Quando ela passa, me chama atenção/Mas os seus cabelos, não tem jeito não/A sua caatinga quase me desmaiou/Olha eu não aguento, é grande o seu fedor".

Uau!

A singeleza sempre foi seu atributo. Os jingles e os spots de sua campanha, feitos de forma despretensiosa por amigos humoristas, devem ser estudados pelos caríssimos marqueteiros de plantão. São a maior lição de marketing político desta campanha.

Dançando daquele jeito nordestino, o palhaço canta meio preguiçoso: "O que é que faz um deputado federal? Na realidade, eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto", ou "Pior do que tá não fica, vote Tiririca". Bingo!

Os mais de 1,3 milhão de votos que Tiririca teve em São Paulo não podem ser desclassificados por essa Justiça incapaz de julgar os que deveriam ser julgados e que ainda por cima pode barrar a melhor notícia desta eleição: a lei da ficha limpa.

Deixem Tiririca legislar. Queremos vê-lo dançando no tapete do Congresso e discursando daquele jeito engraçado no microfone do plenário. Estará, legitimamente, representando muita gente. Dos que enfrentam as mesmas dificuldades e preconceitos que ele enfrentou e enfrenta aos que acham que a política brasileira é uma grande piada.


Sérgio Malbergier

Sérgio Malbergier é jornalista. Foi editor dos cadernos Dinheiro (2004-2010) e Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial da Folha a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha.com às quintas.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Uma monarquia chamada Brasil


Por Braulia Ribeiro

A diferença entre uma república e uma monarquia absolutista é o papel da lei e a figura do rei. O rei é para a monarquia o que a lei deveria ser para a república: a peça principal, a âncora da identidade do povo, a força aglutinadora da sociedade.

Aprendemos na história do Brasil que nos tornamos uma república no dia 15 de novembro de 1889, quando um marechal de derrier esquálido e pernas finas, Deodoro da Fonseca, resolveu nos transformar de monarquia com um imperador em exercício, numa república federativa.

Mas é o povo a força que gera qualquer sistema de governo. O governo reflete o povo. Os valores que o povo cultiva em comum vão dar à luz e alimentar o sistema de governo escolhido. O Brasil naquele ponto não tinha amadurecido como sociedade. Era um aglomerado de gente perdida na imensidão territorial do país, sem noção de responsabilidade civil, nem de coletividade.

O caos econômico reinava no país e a insatisfação com Pedro II logo após a libertação dos escravos era muito grande. Ninguém sabia o que fazer com os negros libertos que vagavam pelas ruas sem emprego e sem casa, nem como gerenciar as grandes fazendas. O abismo social e econômico já se cristalizava. Partidos que traduziam interesses econômicos específicos já haviam se formado, todo mundo querendo morder poder para si. O imperador positivista era um empecilho para os poderes emergentes militares e partidários.

Assim se declarou a república como um ato de conveniência política, sem nobreza, sem ideais. O presidente marechal arrastou a constituinte pelo tempo que pode, e só em 1891 o Brasil ganhou um texto constitucional que norteava a república. Ora, quem governa sem lei é imperador. Logo o Brasil não se livrou do império na declaração da república, e pior com sua constituição culturalmente nati-morta, continua uma monarquia até hoje.

No nascimento da nação de Israel no deserto ao sair do Egito, Deus tomou o cuidado especial de dar a Moisés uma constituição escrita na pedra. Apesar de teocrático, o governo de Moisés tinha que pautar pelo respeito a uma lei comum a todos e que estava acima do poder e da vontade do próprio Moisés e de qualquer líder que trabalhasse com ele.

A nação americana tem a constituição como a peça mais sagrada do estado. Ela é o centro do governo da nação e não o poder executivo. Presidentes, mais do que os cidadãos comuns, têm que se curvar à força, à pureza e a universalidade da lei constitucional. O presidente serve ao povo e à constituição nacional, e não contrário.

É complicado tentar explicar em poucas linhas a diferença abissal entre a república federativa americana e a brasileira. O fato é que o estabelecimento da democracia americana se baseia num objetivo específico de dar poder ao cidadão comum, enquanto que a brasileira surgiu para dar uma aparência de legitimidade a interesses oligárquicos.

Enquanto a lei não for levada a sério no Brasil não seremos uma república verdadeira. Enquanto depositarmos na figura do presidente nossas esperanças e toda a responsabilidade de mudar o país, estaremos condenados ao papel de meros súditos.

O imperador Lula DaSilva está passando o cetro para sua “filha” e sucessora Dilma, que apesar de Roussef posa de membro da dinastia DaSilva. Assim como para seu pai-póstulo, a lei para ela não tem significado e o povo é um mero expectador de sua viagem ao poder. No país coronelista, do “Você sabe com quem está falando?”, vale a importância histórica auto-atribuída (nunca antes na história deste país), vale mentir pedigree acadêmico, vale usar de artimanhas e baixezas, desde que se continue distribuindo benesses aos pobres súditos. Caráter no Brasil é um construto baseado em popularidade. O carisma e a origem “nobre” (luta de classes) do partido do presidente/imperador tudo justifica.

Sei que não deveria falar bem dos americanos, politicamente correto no Brasil é odiar o “Tio Sam” e culpar nossos amigos da América do Norte por todas nossas mazelas nacionais, mas não posso deixar de invejá-los. Os invejo quando falam mal do Obama desbragadamente na TV e nos jornais. Do Obama, imagine, nascido rei, nascido símbolo popular, chegado ao poder incólume quase.
Falam mal do Obama quase-Deus, que fez o mundo inteiro chorar na inauguração presidencial mais bonita da história. Cobram dele postura de ser humano, e não de soberano-rei. Esperam que ele respeite as leis, respeite o congresso e governe para o povo. Esperam que ele se assessore de pessoas competentes e que visam o bem da nação. Se ele falhar não será reeleito, simples assim. Se colocar-se acima da lei sofrerá impeachment porque não há bolsa-família que convença o americano a se submeter a um rei. Precisamos sem dúvida aprender com eles para nos tornarmos uma república de verdade.

fonte: Ultimatoonline Editora Ultimato

terça-feira, 5 de outubro de 2010

No final Deus é só o abraço


A morte não é fim. Não é estática. Ela é um vento. E ouso dizer que se move a nosso favor. Que nos salva.

Pulveriza nossas medidas e espalha nossas palavras. Sentir-se por ela envolvido é sugestão de silêncio e temor. Condenam-se ao ridículo os que ousam falar da vida na morte.

Com a morte, só ela sabe da vida.

Por isso descobri no ofício do pastor o lugar de sua mais baixa miséria e mais elevada virtude: a beira de um caixão. É ali que o oficiante experimenta sua redentora contradição: a missão de falar quando nada diz. Reunir as palavras quando são inconciliáveis. Ensinar quando nada se sabe. Falar quando até as palavras silenciam.

Mas, desconcertante, a morte que espalha nossas palavras junta-nos em abraços. Quanto menos na morte conseguimos dizer, mais apertado aos vivos precisamos abraçar. Menos esperança, mais amor.

Ali, nunca deixei de ouvir com tanto alívio qualquer palavra. Ali, nunca vi com igual intensidade tantos abraços. A morte que me cala une mais irmãos que qualquer sermão que já preguei.

A morte que, ao lançar longe toda e qualquer palavra, nos ensina que nada da vida sabemos, agora joga-nos aos braços do que chora para ensinar-nos o que é amor.

O evangelho diz que no princípio Deus era o verbo.

A morte completa: no fim Deus é só o abraço.

Ao Allison, que em vida nos amou com tanta poesia e carinho, agora, não mais vivo, junta-nos em tantos abraços.

Obrigado, amigo.
Fonte: Em prosa e verso no Blog do Elienai Jr

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Joyful 'toon: Camelo

Joyful 'toon de número 39.
 
 
Joyful 'toon 39_Camel PT.BR
 
 
 Comentário do autor:
Um camelo pode suportar as privações do deserto porque tem água armazenada em sua corcova. Da mesma forma nós podemos suportar as privações da vida se reservarmos tempo para armazenar a Palavra de Deus em nossos corações.
 
Publicado aqui sob a autorização de Mike Waters (Joyful 'toons).
 
Versão em português produzida pelo próprio autor com o auxílio de tradução do Mural na Net.

Eu só posso imaginar

Para começar a semana bem, esta linda composição do Mercy Me "I can Only Imagine" (Eu só posso imaginar). Uma grande semana para vocês.


Eleições: evangélicos fazem papelão na 'Guerra (nada) Santa'

Por Dom Robinson Cavalcanti

A eleição presidencial teve todos os lances mesmo de pleito para prefeito dos grotões do interior, não somente no tipo de promessas feitas, mas na baixaria que correu solta na mídia e na globoesfera em termos de ataques pessoais, calúnias morais e demonização religiosa. Esse é um aspecto decepcionante, e indica quão longe o Brasil se encontra ainda de uma democracia consolidada. Tivemos um “reavivamento” da satanização das eleições de 1989 e de 1994, apenas trocando de “diabo” (onde se liaLula, leia-se: Dilma).

As invencionices mirabolantes no plano moral e no plano religioso indicam a pobreza da ausência de partidos fortes, ideologias nítidas e programas claros e objetivos para o julgamento dos eleitores, que é o que, no fundo, interessa para uma boa gestão da coisa pública, para a afirmação da cidadania, e para a promoção do bem-comum.

O mais lastimável foi ver o papelão de muitos evangélicos envolvidos nessas demonstrações de subdesenvolvimento político. As igrejas históricas, retraídas, já foram, no passado recente, submetidas a uma “amnésia compulsória” quanto ao pensamento e a ação desenvolvida no passado em nosso País, com exemplos notáveis de uma minoria discriminada com uma presença significativa.

Muitas dessas igrejas sofreram influência nas últimas décadas do fundamentalismo e a importação da polarização norte-americana. Os pentecostais saíram do gueto e da aversão à política para uma presença desordenada e pragmática, sem uma reflexão teológica adequada, e ainda obstaculados por sua escatologia pessimista, não conseguindo superar o corporativismo clientelista, apanágio generalizado de seus concorrentes neo(pseudo)pentecostais.

Com uma cultura política limitada, muitos evangélicos, de diversas denominações, foram presas fáceis e massa de manobra para políticos espertalhões (e líderes religiosos comprometidos com essa experteza). O resultado, em termos do que circulou, principalmente pela internet, foi vergonhoso. Uma coisa é certa: a comunidade evangélica se apequenou nesse pleito e saiu arranhada em sua imagem e credibilidade.

É hora de saco e cinza, de autocrítica, de arrependimento, de iluminação do pensamento pelo Espírito da Verdade, para que, nas futuras eleições, nosso quantitativo se relacione com o qualitativo, e possamos dar um testemunho maduro, que concorra para o bem da Pátria terrena. E que essas “guerras (nada) santas” seja apenas uma lamentável página do passado a ser esquecida.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

As 10 maiores canções brasileiras de protesto

O Som do Mural traz a memória de um tempo em que fazer música era bem mais que rimar palavras e criar boas melodias.

Não sou expert em música, mas reuni aqui dez canções que acredito serem as maiores canções de protestos brasileiras de todos os tempos. A maioria delas feitas no tempo da ditadura, o que as torna mais espetaculares ainda, pois são riquíssimas em metáforas e conteúdo.

Talvez você sinta a ausência de alguma canção, como, por exemplo, "Brasil" de Cazuza, "Milho aos pombos" de Zé Geraldo, ou mesmo "Vida de gado" de Zé Ramalho, e tantos outros, mas como eram apenas dez canções, muita coisa boa ficou de fora. Então aproveite e mande o seu comentário sobre a sua canção de protesto preferida.

10 - Xanéu nº 5, de Fernando Anitelli

Xanéu nº 5, do Teatro Mágico, aparece aqui representando os remanescentes da incrível arte de compor belas melodias com contesto social, música boa e inteligente. O Teatro Mágico é uma das bandas ativistas do movimento “Música para baixar” , que pretende criar mecanismos igualitários e democráticos de acesso à música e à cultura em geral.

Uma reflexão sobre a cultura que nos é imposta por uma mídia vendida e dissimulada é o que se encontra em Xanéu nº 5.

“Até porque não acredito no que é dito, no que é visto. Acesso é poder e o poder é a informação. Qualquer palavra satisfaz. A garota, o rapaz e a paz quem traz, tanto faz. O valor é temporário, o amor imaginário e a festa é um perjúrio... querem ensinar a fazer comida uma nação que não tem ovo na panela...”




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