quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Para gostar de ler: A informação veste hoje o homem de amanhã


Lembro que aprendi a ler com quadrinhos, uma edição antiga do Mickey chegou as minhas mãos e eu ficava ali por horas, desvendando cada balão, cada palavra .A magia das palavras invadiam minha mente e faziam-me sonhar. Com o tempo veio a literatura infanto juvenil, e a fantástica serie para gostar de ler, publicada pela editora ártica. Serie esta que da nome a nossa nova seção do mural.
A série é fascinante e com ela descobri o prazer da leitura. Foi com ela que conheci o genial Carlos Eduardo Novaes, e sua forma singular de transforma palavras e textos em momentos de puro prazer. Como ele aprendi a delicadeza da poesia, a intensidade e densidade do romance, a magia do conto, e o sabor inigualável da variedade da crônica. Ler é mergulhar em um universo particular de sabor singular.
Neste espaço quero compartilhar com vocês partículas de universo, pedaços saborosos deste universo literário, o nosso desejo é que você possa se deliciar com elas, e que possa desperta naqueles que ainda desconhecem este universo o doce prazer de ler.

"Pélê tinha razão ao pedir pelos microfones – no dia em que marcou seu milésimo gol – que se cuidasse mais das criancinhas. Realmente é necessário mais cuidado com elas. Eu conheço muita criancinha que já nada lendo a Playboy.

Não, meus caros, as criancinhas não mais aquelas. Estão perdendo rapidamente a infância. E a prosseguir nesse ritmo, daqui a pouco com cinco anos já serão adolescente. Há pouco tempo, remexendo o passado, dei de cara com um pião, velho companheiro de brincadeiras de rua. Sem saber o que fazer com ele resolvi dar de presente para o filho do porteiro. O garoto pegou-o, examinando-o sem muita animação e me perguntou insensível:

- O que é isso?
Seu pai que se aproximava respondeu: um pião. E esquecendo-se por um momento de suas funções na portaria apanhou o brinquedo, agachou-se e numa animação quase infantil ficou tentando solta-lo. O filho, em pé, olhou-o fixo, virou-se para mim e assumindo um ar critico comentou:
- Olha ai – disse apontando para o pai abaixado- parece um débil mental.
Segundo educadores, as mudanças decorrem do fato de as crianças da década crescerem muito bem informadinhas. Um jornal publicou uma matéria baseada em pesquisa realizada entre crianças de 3 a 15 anos ( se é que hoje ainda se pode chamar um cidadão de 15 anos de criança) cujo titulo era: “ Como se esta fazendo o homem de amanhã”. Eu particularmente creio que o homem do amanhã continua sendo feito com os mesmos ingredientes com que se fazia o homem de ontem, ou seja: um homem e uma mulher, que devem ser temperados com uma pitada de amor antes de levados ao forno. Mas não é isso que interessa. Num determinado trecho, a reportagem dizia: “O menino André Luiz, de quatro anos, viu pela TV a chegada do homem a lua. Achou o fato natural, pois estava informado sobre os preparativos e podia descrever perfeitamente o módulo lunar. Sabia de cor o nome dos astronautas e discutia sobre as possibilidades de o homem chegar a marte”. Os senhores estão sentido o drama? André Luiz sabia mais sobre o espaço do que qualquer datilografo da NASA.

A pesquisa revela também que que as novas crianças preferem novelas e outros tipos de programa aos feitos especialmente para classe. Outro dia fui a casa do vizinho pedi gelo, e ao chegar assisti a maior discussão entre ele e o filho de cinco anos diante da televisão. Meu vizinho querendo ver desenhos animados e seu filho interessado no National Geograofich.

Antigamente os campos eram bem definidos: as crianças de um lado e os adultos do outro. Agora não há mais fronteiras. As crianças invadiram e tomam de assalto mundo dos adultos. Eu me lembro do dia em que, com quatro ou cinco anos , meu pai
me levou ao Jóquei Clube. Paramos ali junto ao padoque e pela primeira vez vi um cavalo de perto. Excitado com a novidade, depois de um esfoço – se vocês me permitem: cavalar - , o maximo que consegui perguntar ao meu pai era o que o cavalo comia. Pois bem, ontem voltei com meu sobrinho de seis anos ao hipódromo. Recostamos no padoque perto de um cavalo castanho e eu me recordei da cena com o meu pai. Imaginando que o garoto poderia me fazer a mesma pergunta, antecipei-me com um certo orgulho e fui logo lhe informando que “ o cavalo come aveia, alfafa e cenoura”. Quando acabei de falar, o menino me lançou um olhar enfastiado e disse:
- o que o cavalo come eu já sei, tio. Agora estou interessado em saber é quanto ela vai pagar na ponta.

Carlos Eduardo Novaes

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