sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

“William Barclay diz...”

 
O texto a seguir foi traduzido por mim, JT. Encontrado em inglês neste endereço.
As observações/notas cujas chamadas estão entre colchetes "[ ]" foram postas por mim.
 
 
"William Barclay diz..."
 
Dudley Ross
Spears Alvaton, Kentucky

Mais e mais artigos estão sendo escritos e sermões sendo proferidos nos quais William Barclay é citado para confirmar algum ponto. A popularidade de Barclay entre os irmãos é bastante compreensível por pelo menos duas razões. (1) Seus escritos são numerosos. Barclay tinha mais de 20 livros no mercado à época de sua morte. (2) Sua habilidade de organizar pensamentos era fora do comum. Quando se lê quaisquer dos tópicos curtos em sua série Estudo Bíblico Diário, esta habilidade de Barclay é claramente observada. Seu breve tratamento dos segmentos do Novo Testamento serve para um sermão rápido e indolor.

Há um número de coisas sobre William Barclay às quais alguns não estão atentos. Quase todo mundo que o lê nota que ele é realmente bom, mas ninguém parece saber onde ele obtém suas informações por ele não documentar suas fontes. Ele trata uma palavra grega ou hebraica sem citar qualquer autoridade léxica. Além do quê, ele usará homens como A. J. Gossip e C. H. Dodd sem hesitação. Os escritos de C. H. Dodd são tão cheios de infidelidade e modernismo quanto qualquer coisa que você possa encontrar. A erudição de Dodd é também muito questionável. Naturalmente, isto pode ser dito de Barclay da mesma forma.

Barclay nunca fez nenhuma alegação de gênio ou originalidade. Ele descreveu sua mente como "de segunda classe" e continuou, admitindo: "É a simples verdade que eu nunca tive uma ideia original em minha vida. Em todos os livros que eu escrevi eu expliquei e expus as ideias de outros homens". (1) No entanto, Barclay falhou em dizer justamente quem eram os outros homens de quem ele tomou ideias emprestadas. Embora ele não tenha sido reservado sobre sua falta de originalidade, ele não foi tímido sobre sua habilidade em lembrar. Ele disse: "Se então eu tenho uma mente de segunda classe, como surgiu meu grau de honra de primeira classe em línguas clássicas [1]? Porque eu tenho uma memória fenomenal e, por isso, eu sou um excelente examinando o qual meramente vai mostrar o que é um pobre teste de habilidade real". (2)

[1] Classics, no texto original, definida pelo Cambridge Dictionary como o estudo da Grécia e Roma antiga, especialmente língua, literatura e história; traduzida para o português como línguas clássicas.

William Barclay era um homem cujas ideias, confessadamente emprestadas, vão bastante de encontro a dos irmãos fiéis. É aqui que os irmãos fiéis devem prestar atenção. Barclay era liberal e, em certo sentido, um modernista. Ele admite outro tanto quando discute o problema de ser "evangélico". O termo "evangélico" é mal usado, mal aplicado e explorado com abuso por denominacionalistas que alegam que são fundamentalistas e crentes na Bíblia que nasceram de novo como cristãos – ou descrição semelhante. Na realidade, eles não são evangélicos em qualquer sentido do termo, mas quando Barclay discutiu o ponto/tema foi este seu comentário: "Sempre foi para mim uma questão de profundo pesar que a palavra 'evangélico' deva, aos olhos de algumas pessoas, sempre ser seguida pela palavra 'conservador' – um evangélico conservador. Um evangélico é certamente alguém que ama as boas novas de Deus em Jesus Cristo, e eu não posso entender por que é que não pode haver algo como um evangélico liberal". (3)

A evidência da teologia liberal de Barclay é abundante. Quando você lê livros de Barclay, olhe tópicos no índice, como, por exemplo, "O Nascimento Virginal", "Milagres" e "A Pessoa de Cristo". Como Barclay lidou com estas e outras matérias relacionadas a elas, ele frequentemente jogaria um pouco de sua aspersão sobre a crença em matérias sobrenaturais. Ele não negou diretamente o nascimento virginal de Cristo em seu comentário sobre Mateus, mas o chamou de "fato bruto/cru" e enfatizou que não é importante crer literalmente que Jesus nasceu apenas de uma mulher. Vamos ver algumas coisas que ele disse sobre o nascimento de Cristo.

Ele argumentou que ambas genealogias registradas no Evangelho são traçadas através de José e argumentou que Maria jamais é mencionada, exceto para dizer que José foi seu esposo. Ele argumentou que a estória do nascimento virginal não poderia ser tomada literalmente. Ele argumentou: "Se Jesus era o filho de Maria sozinha, ele era de descendência arônica, e não davídica". (4) Ele sustentou que havia uma "forte corrente de pensamento que, pelo menos, ignorava o Nascimento Virginal" no texto do Novo Testamento. (5) Então ele alegou: "A frase 'nascido de mulher' não tinha nada a ver com o Nascimento Virginal". (6) Este é o homem que muitos estão citando como uma autoridade em sermões e artigos.

Seu conceito de milagres é a clássica posição modernista. Ele o expressou desta forma. "Aquilo que seria um milagre em uma época ou sociedade é um lugar comum em outra. Há cinquenta anos pessoas teriam tratado como milagre ser capaz de sentar em uma sala e olhar para uma caixa envidrada na frente e ver peças sendo exibidas, jogos sendo disputados, eventos acontecendo a centenas e mesmo milhares de milhas distantes". (7) Há mais de vinte anos, este escritor teve uma confrontação com um pregador presbiteriano que sustentava que o que os judeus consideravam a provisão milagrosa do maná do céu era agora uma coisa natural chamada Maniferis Sinaiticus, um produto regularmente exportado a partir da península do Sinai hoje. Claro que a resposta óbvia foi que Jesus endossou a doação do maná como um milagre e baseou Sua alegação de ser o verdadeiro "pão da vida" naquela ocorrência milagrosa (Jo 6:48-51).

Barclay olhava para os milagres de cura como simples lendas, e não fatos. Ele não teve mais fé nos milagres de cura que Jesus fez do que nos que fizeram os pagãos na época de Jesus. Ele descreveu um evento que aconteceu em Alexandria quando um homem cego veio a Vespasiano e "pediu-lhe para curá-lo tocando seus olhos com sua saliva, e um homem que tinha uma mão doente, que pediu-lhe para curá-lo tocando-o com a sola do seu pé". (8) Barclay então relatou como o homem cego viu novamente e disse: "Ambos os fatos são atestados até hoje". Ele afirmou: "Há todas as razões para acreditar que estas curas aconteceram, e que não foram incomuns no mundo antigo". Depois, no entanto, ele atribui tudo, incluindo os milagres de Cristo e dos apóstolos, ao pensamento corrente daqueles tempos antigos. Ele não acreditava em milagres como intervenção divina no campo natural do mundo. Este homem que considerou os milagres de Jesus como compreendidos apenas nos exageros característicos hebreus é citado com demasiada frequência hoje por irmãos fiéis.

Barclay realmente não acreditava que Jesus era Deus. Aqui está uma área que é enigmática ao estudar Barclay; por um tempo ele escreveu de sua fé em Cristo, mas então fez afirmações tais como estas. "Não é que Jesus não seja Deus. Uma vez e outra o Quarto Evangelho fala de Deus enviando Jesus ao mundo. Uma vez e outra novamente vemos Jesus orando a Deus. Uma vez e outra novamente vemos Jesus, sem hesitação, sem questionar e incondicionalmente, aceitando a vontade de Deus para si mesmo. Em nenhum lugar o Novo Testamento identifica Jesus e Deus. (Ênfase minha, DRS [2]) Ele disse: 'Quem me vê a mim vê o Pai'. Há atributos de Deus que eu não vejo em Jesus. Eu não vejo a onisciência de Deus em Jesus, pois há coisas que Jesus não sabia (sic)". (9)

[2] DRS é Dudley Ross, o autor deste texto.

Há muitos outros erros que Barclay ensinou. Há algumas coisas que ele escreveu que são bem ditas, mas quando se é um liberal e modernista como foi Barclay, é difícil confiar nele. É importante saber a teologia de um homem se o usaremos como autoridade. É como usar Thayer como autoridade léxica tendo em mente que ele era um unitariano. Como o prefácio dos editores diz: "Uma palavra de cautela é necessária. Thayer era um unitariano, e os erros desta seita ocasionalmente aparecem nas notas explicativas. O leitor deve estar alerta para as sutis e flagrantes negações de doutrinas como a Trindade (Thayer considera Cristo como um mero homem e o Espírito Santo com uma força impessoal emanando de Deus), a depravação total e inerente da natureza humana, a punição eterna dos ímpios e a inerrância bíblica". (10) O mesmo é dito com respeito a Barclay e aos trabalhos que ele deixou. Este artigo é apenas uma palavra de cautela.

 

Referências:

1. Barclay, W. "A Spiritual Biography" (Uma Biografia Espiritual), Eerdmans, 1975, p. 27.

2. Ibid. p. 28.

3. Ibid. pp. 102-103.

4. Barclay, W. The Mind of Jesus (A Mente de Jesus), Harper & Rowe, 1961, p. 329.

5. Ibid.

6. Ibid. p. 330.

7. Ibid. p. 68.

8. Ibid. p. 69.

9. Op. cit. p. 56.

10. Thayer, J.H. A Greek English Lexicon of the New Testament (Um Léxico Inglês do Grego do Novo Testamento), Baker, 1977 (prefácio) p. vii.

Guardian of Truth (Guardião da Verdade) XXV: 10, pp. 150-151, Março 5, 1981

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