sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

William Barclay, o falso mestre

 
O texto a seguir foi traduzido por mim, JT. Encontrado em inglês neste endereço.
As citações de trechos bíblicos foram tiradas da bíblia Almeida Revista e Atualizada (ARA).
 
 
William Barclay, o falso mestre

Richard Hollerman

Estamos convencidos de que muitas pessoas não percebem o quão difundido o falso ensinamento está em nossos dias. Elas simplesmente vão à igreja ou aceitam ser membros da igreja e falham em ter discernimento espiritual com respeito ao que é ensinado pelo pastor, pregador ou outro "sacerdote". Elas meramente assumem que tudo está bem; caso contrário, o quartel-general denominacional certamente não empregaria uma pessoa em particular para representar sua doutrina publicamente. Esta é uma atitude desgraçadamente perigosa a sustentar, uma que nos conduzirá de forma desencaminhada e para dentro do erro. Alguns destes erros podem ser excessivamente arriscados e conduzirão ambos mestre e ouvinte à condenação eterna!

Jesus nos advertiu sobre os fariseus de Seus dias: "Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada. Deixai-os; são cegos, guias de cegos. Ora, se um cego guiar outro cego, cairão ambos no barranco" (Mt 15:13-14). Ambos professor cego, bem como o ouvinte/estudante cego, cairão no barranco espiritual e encararão as presentes e eternas consequências do falso ensinamento.

Muitos dos nossos leitores se identificam com o nome de William Barclay, o prolífico escritor britânico na geração passada. Este professor/mestre e escritor era bastante atrativo, e muitos acharam seus escritos interessantes e explicativos a respeito dos ensinos bíblicos. Ele escreveu pequenos comentários sobre o Novo Testamento inteiro e sobre muitos outros livros, num total de mais de setenta!

Mas nem todos os seus escritos são seguros! Alguns de seus ensinamentos são engenhosos, falsos e perigosos! Harold Lindsell claramente diz: "Eu não acho que William Barclay era cristão… Eu não posso acreditar que ele era um cristão no sentido do termo no Novo Testamento". O que o faria escrever tal declaração? No que William Barclay realmente acreditava e no que ele desacreditava? Vamos considerar vários pontos.

1. Barclay negava o nascimento virginal de Cristo

Barclay admitiu esta descrença em suas próprias palavras: "Eu não acho que somos tencionados a tomar o Nascimento Virginal literalmente… Eu acho que somos claramente tencionados a tomar a estória do Nascimento Virginal como um método parabólico, simbólico, figurativo e metafórico de levar a única relação com Deus de volta ao próprio nascimento de Jesus". Entretanto, as Escrituras são bastante claras sobre o nascimento único, milagroso, independente de qualquer pai terreno. Mateus explica: "(…) estando Maria, sua mãe, desposada com José, sem que tivessem antes coabitado, achou-se grávida pelo Espírito Santo" (1:18). O anjo Gabriel disse a José: "(…) o que nela foi gerado é do Espírito Santo" (v. 20). Veja também Lc 1:26-38 para ainda mais coisas deste tema.

2. Barclay era um universalista

Barclay era convencido de que todos no fim estariam com Deus no céu. Ele escreveu "Eu sou um convicto universalista. Eu creio que no fim todos os homens serão apanhados dentro do amor de Deus… É impossível estabelecer limites para a graça de Deus… Eu creio no triunfo completo e último de Deus... Você pode ir para o céu via inferno". Isto contradiz claramente as palavras de nosso Senhor que declarou que os pecadores à Sua esquerda ouviriam suas palavras apavorantes "Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25:41). Ele passou a afirmar claramente: "E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna" (v.46). Veja também 2 Ts 1:7-10 e Ap 20:11-15; 21:8.

3. Barclay era um evolucionista

Nós sabemos que a Palavra de Deus claramente nos diz que "No princípio, criou Deus os céus e a terra" (Gn 1:1). Lemos depois que Deus usou Jesus Cristo para criar tudo, o visível e o invisível (Cl 1:16-17). Isto inclui os dois primeiros seres humanos, Adão e Eva. Jesus ensinou a historicidade destas duas primeiras pessoas no Jardim do Éden (Mt 19:4-6), e Paulo fez do mesmo modo (Rm 5:14; 1 Co 15:22, 47; 2 Co 11:3; 1 Tm 2:15). A evolução é claramente uma mentira e deve ser rejeitada como uma falsa doutrina não importa o quão popular ela seja em nosso dias.

Barclay, entretanto, era um evolucionista: "Toda vida, incluindo o homem, veio de vida pré-existente… dentro do próprio universo nós vemos um processo de evolução no qual o homem veio a ser o que ele é após milhões e milhões de anos de desenvolvimento. A longa escalada da ameba até o homem; não podemos ver design/projeto e propósito lá?" Apesar de sua popularidade, a evolução deve ser rejeitada e certamente condenará aqueles que se agarram a ela.

4. Barclay tinha uma visão defeituosa da oração

As Escrituras dizem que podemos orar por todas as coisas dentro da vontade de Deus, mas Barclay discorda: "Eu não acho que seja correto orar por coisas… Eu não acho que seja correto orar por uma nova casa ou uma nova máquina de datilografar ou mesmo por um novo trabalho". Jesus, no entanto, ensinou que era bom orar por coisas materiais tais como comida: "o pão nosso de cada dia dá-nos hoje" (Mt 6:11). Podemos orar por qualquer coisa que está dentro da vontade de Deus. Então mais uma vez Barclay desvia-se das instruções das Escrituras. Embora Deus esteja interessado nas grandes coisas da vida, salvação e no Evangelho, Ele também está interessado nas nossas necessidades diárias e assuntos importantes.

5. Barclay tinha uma visão defeituosa sobre a morte de Cristo

Para Barclay, a morte de Cristo meramente demonstrou o amor de Deus pela humanidade. Ele escreveu: "Pareciam se opor Deus e Jesus, e me apresentavam um Deus que estava pronto para me punir e um Jesus que estava pronto a me salvar". É verdade que Deus demonstra Seu amor na morte de Cristo (Rm 5:8), mas é também verdade que Sua morte é apresentada em termos de propiciação, redenção e reconciliação. "Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados" (1 Jo 4:10; cf. Rm 3:24-26; 5:6-11).

6. Barclay tinha uma visão defeituosa da pessoa e natureza de Cristo

Sabemos que as Escrituras apresentam Jesus como sendo Deus em essência (Jo 1:1), e o apóstolo Tomé O confessou "Senhor meu e Deus meu" (20:28). Mas Barclay acreditava numa forma de adocionismo. Ele falou de "Jesus cristo como um ser humano que tinha sido elevado à divindade… Jesus era um humano dentro de quem Deus veio". O adocionismo pode ser rastreado até o segundo século, quando foi condenado, e deveria ser condenado também nos nossos dias. Jesus era e é ambos Deus e homem, ambos deidade e humanidade (cf. Rm 1:2-4).

7. Barclay era não-biblicamente tolerante à crença e descrença dos outros

Nós sabemos que a tolerância é a qualidade na vida de Cristo. Paulo diz que de nós espera-se uma atitude que demonstre tolerância uns para com os outros em amor (Ef 4:2). Mas nós não devemos tolerar falsos mestres e falso ensinamento. Nós devemos nos desviar dos falsos mestres (Rm 16:17-18) e devemos reconhecer aqueles que rejeitam o Cristo Bíblico, tais como os falsos profetas que têm o espírito do anticristo (1 Jo 4:1-6). Devemos denunciar e nos retirar da relação com aqueles que apresentam falsos ensinamentos e caminhos fora das Escrituras (At 20:28-31; 2 Jo 7-11).

Barclay, no entanto, tolerou aqueles que não deviam ser tolerados. Ele explica: "Eu sou uma pessoa muito tolerante, e quanto mais velho fico mais tolerante me torno… Eu não sou suscetível de condenar as crenças de um homem. Se através delas, eles encontram seu caminho para Deus, então isto é com eles. Eu só penso que ele está errado se ele recusa estender a mim a mesma simpatia que estendo a ele. A única atitude que eu acredito ser errada é a atitude do homem que acredita que ele tem um monopólio da verdade e que não há caminho para Deus que não seja o seu caminho". A tolerância de Barclay a tudo menos à intolerância está longe da perspectiva de Cristo e de Seus apóstolos. Pedro diz que há salvação apenas em Cristo (At 4:12) e o próprio Jesus declarou: "Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim" (Jo 14:6).

8. Barclay questiona declarações simples das Escrituras

Nós nunca devemos questionar o ensino claro das Escrituras. A bíblia é inspirada por Deus e é Palavra de autoridade (2 Tm 3:15-17), e questionar a bíblia é questionar Deus (cf. Jo 12:48). Rejeitar a Palavra de Deus é rejeitar Deus. Quer falemos da criação ou do dilúvio de Noé, do nascimento virginal e sem pecado de Cristo, da divindade de Cristo e da pessoa do Espírito Santo, da expiadora morte de Cristo e de Sua ressurreição, devemos aceitar o que é claramente revelado na Palavra de Deus.

E Barclay? Considere o ensino bíblico sobre demônios (cf. 1 Tm 4:1-2). E quanto a Barclay? Ele escreveu a respeito de demônios: "Pode parecer fantástico para nós; mas os povos antigos acreditavam implicitamente em demônios… Mesmo que não haja coisas como demônios…" O fato de que o próprio Cristo aceitou a existência de demônios como espíritos verdadeiramente malignos é abandonado por Barclay.

9. Barclay questionava os milagres de Jesus

Se Jesus foi e é o filho de Deus, então milagres não são apenas possíveis, mas eles verdadeiramente aconteceram. Jesus disse: "Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis; mas, se faço, e não me credes, crede nas obras; para que possais saber e compreender que o Pai está em mim, e eu estou no Pai" (Jo 10:37-38). O Senhor também disse: "(…) porque as obras que o Pai me confiou para que eu as realizasse, essas que eu faço testemunham a meu respeito de que o Pai me enviou" (5:36). Pedro, no Pentecostes, declarou que Jesus era "(…) aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais, os quais o próprio Deus realizou por intermédio dEle (...)" (At 2:22). Sem dúvida, Jesus fez milagres e estes testificaram Sua identidade e poder.

Contudo, Barclay duvidava dos milagres de Jesus. Com relação a alimentação dos cinco mil, Barclay diz: "Não importa o quanto compreendemos este milagre". Ele lista várias possibilidades para o mesmo, incluindo a explicação perfeitamente natural de pessoas egoístas compartilhando seus alimentos uns com os outros: Todos começaram a compartilhar e, antes que eles soubessem o que estava acontecendo, havia o suficiente e mais que o suficiente para todos.

10. Barclay foi membro da Igreja da Escócia (Church of Scotland) por toda a sua vida

Nós podemos aprender algo sobre uma pessoa prestando atenção no que ela é religiosamente. E isto inclui a questão de ser membro de qual igreja e a devoção denominacional. Em seus primeiros anos (de fé), Barclay foi um ministro de paróquia pela sua denominação de tradição presbiteriana. Esta, é claro, é uma denominação bem estabelecida, não bíblica em várias práticas e o contrário da comunidade primitiva de Cristo. Por exemplo, enquanto Barclay acreditava que Paulo ensinou que batismo era batismo de adultos, que o batismo era batismo instruído e que o batismo era, se possível, batismo por imersão, ele foi membro em uma igreja que continua a praticar aspersão infantil e não instruída.

11. Barclay era um religioso liberal

Um liberal, em terminologia teológica, é aquele que nega muitos dos ensinos e milagres bíblicos. O protestantismo liberal é um movimento moderno que reinterpreta as doutrinas bíblicas e históricas e as práticas do cristianismo. Relutante em endossar doutrinas ortodoxas tais como o nascimento virginal, a ressurreição corporal de Jesus, a necessidade de renovo pelo Espírito Santo e a infalibilidade da bíblia, protestantes liberais estão mais interessados em adaptar ideias religiosas à cultura e pensamento moderno.

Com este pano de fundo, Barclay escreveu: "Eu suponho, se você desejou rotular-me, que você me chamaria de liberal". Ele explica que como um liberal, a crença nas Escrituras não é importante no estabelecimento da união entre pessoas: "Por que é que devemos fazer tanto de nossas diferenças e tão pouco de nossas concordâncias?… Um homem condena às trevas exteriores qualquer um que diga que Moisés não escreveu o Pentateuco, que a estória de Jonas não é literalmente verdade, que talvez João, o apóstolo, não foi o escritor do Quarto Evangelho. Outro tem desprezo arrogante pelo que considera como ignorância acadêmica. Se apenas fôssemos um pouco mais simpáticos uns aos outros, se apenas parássemos de rotular uns aos outros de herege e excluído, a verdade seria melhor servida, e estaria próximo o dia em que haverá um só rebanho e um só pastor". Desta forma, o objetivo é unidade apesar de quais fatos e ensinamentos bíblicos importantes são negados.

Um apelo ao discernimento

Este ensaio não se destina apenas a investigar um escritor e orador interessante e informado, mas é destinado a ajudar a aguçar nossos poderes de discernimento. O escritor Hebreu encoraja seus leitores a consumir o alimento sólido da Palavra e a serem pessoas maduras, que por causa da prática têm seus sensos treinados para discernir o bem e o mal (Hb 5:14).

Você se tornou um estudante da Palavra de Deus? Você está buscando manejar corretamente a palavra da verdade (2 Tm 2:15)? Você é capaz de discernir as pessoas incultas e instáveis que distorcem as Escrituras (1 Pe 3:16)? Você é capaz de evitar ser levado pelo erro de homens sem princípios (v. 17)? Você é capaz de ver através do discurso lisonjeiro e suave de falsos mestres que enganam o coração dos incautos (Rm 16:18)?

Nós encorajamos você não apenas a ver através dos falsos ensinamentos e incredulidade de William Barclay, mas a ter o conhecimento e sabedoria para ver através dos falsos ensinamentos e métodos enganadores de mestres e pregadores no rádio, na TV ou em revistas e livros. Falsos ensinamentos abundam em nossos dias, e nós devemos cuidar para não sucumbir à sua influência enganosa! A verdade, e somente a verdade, nos salvará e nos edificará na fé.

 

Referências:

[1] Harold Lindsell, The Bible in the Balance (A Bíblia em Harmonia), pp. 45, 63.

Nós pegamos a maior parte dos dados aqui citados de nosso livro Tome Cuidado com os Falsos Mestres!

Clive L. Rawlins, William Barclay, p. 547; Lindsell, The Battle for the Bible (A Batalha pela Bíblia), pp. 154-155.

William Barclay, A Spiritual Autobiography (Uma Autobiografia Espiritual), pp. 58, 60, 61; Elmer G. Homrightausen, Barclay: Ecumenical Teacher of the Church (Professor Ecumênico da Igreja), in R. D. Kerhahan, William Barclay: The Plain Uncommon Man (O Comum Homem Incomum), p. 137.

A Spiritual Autobiography (Uma Autobiografia Espiritual), p. 38.

Ibid. p. 47.

Ibid., pp. 51-52.

Citado por Rawlins, pp. 377, 378, 387.

A Spiritual Autobiography (Uma Autobiografia Espiritual), p. 30.

Barclay, Mateus, Vol. 1, pp. 328-329; cf. Marcos, pp. 118-119.

Mateus, Vol. 2, pp. 114-115.

Kernahan, p. 42.

Ibid., p. 11.

Terry L. Miethe, The Compact Dictionary of Doctrinal Words (Dicionário Compacto de Palavras Doutrinais), p. 127.

Barclay, Seen in the Passing (Visto na Passagem), p. 153.

Ibid., pp. 153-155.

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