Qual a dimensão da dor da ausência, é possível dimensionar
algo tão particular?
Para tentar transmitir a dimensão desta perda, o fotógrafo
argentino Gustavo Germano criou em 2008 a exposição fotográfica Ausências. Germano realizou um trabalho de resgate da
memória coletiva sul-americana, em uma
serie de duplas fotografias onde resgata a memoria dos desaparecidos como
evidencia a ausências destes e o vazio deixado por um passado não tão
distante de nós.
Germano nasceu em
Entre Rios, Argentina, e teve seu irmão desaparecido durante a ditadura
militar argentina. Radicado em Barcelona o fotógrafo retorno 30 anos depois a
sua cidade natal, para registrar a ausência de uma serie de argentinos anônimos
e de seus amigos e familiares. O
fotografo contatou a família dos desaparecidos ou mortos e buscou registros fotográficos
destes, onde aparecem irmãos, amigos e
familiares, e em seguida voltou ao mesmo local para recompor a imagem.
O
resultado é de uma grandeza e sensibilidade singular, os elementos nas fotos
são os mesmos, exceto pela lacuna deixada pela pessoa amada. Inicialmente Germano trabalhou com famílias argentinas
e com o tempo ampliou seu trabalho para famílias brasileiras. Ele pretende
ampliar o seu trabalho ainda mais, incluindo outros países do Cone Sul que
fizeram parte da Operação Condor, como Chile, Paraguai, Uruguai.
“Este trabalho pretende ajudar as pessoas a terem consciência
do desaparecimento forçado, e que elas busquem esta compreensão por meio da
emoção. A emoção te permite sentir uma empatia. Se você chega a um compromisso
através da emoção, este compromisso é muito mais poderoso do que o firmado
através da intelectualidade.” Gustavo Germano
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O irmão mais velho de Germano, Edward então com 18 anos, foi sequestrado em 1976 e tornou-se um dos desaparecidos da ditadura. O irmão foi a inspiração para o fotografo desenvolver o projeto. |
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O mar Dario Amestoy, na foto com seu irmão Alfred, em 1975, estudou direito e combinou seu ativismo social em favelas de Nogoyá, Entre Rios.Membros do exército e da polícia mataram Omar, sua esposa, Maria, e seus dois filhos (Maria Eugenia, 5, e Fernando, 3).
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João Carlos Haas Sobrinho (segundo da esquerda) sorri com seus amigos de infância no Brasil em 1947. Ele estudou medicina e envolveu-se com grupos de esquerda após a tomada do poder pelos militares.
João Carlos ofereceu seus serviços para a resistência e se juntou a um movimento de guerrilha. Ele desapareceu em 1972, perto de Xambioá, no meio da Amazônia brasileira
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Orlando Rene Mendez, operário de fábrica e membro dos Montoneros ( Movimento Montonero-MPM), foi sequestrado em 1976 junto com sua filha de 11 meses de idade, Laura. A menina foi devolvida à sua família. Quando Laura tinha três anos, sua mãe, Leticia Margarita Oliva, foi sequestrada.
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Trinta e dois anos depois de um fotógrafo tirar esta foto de uma mãe brasileira e filho, Gustavo Germano voltou para o mesmo lugar. Atelman Clara olha para o seu filho, Marcelo Fink, que estudou engenharia eletromecânica da Universidade Tecnológica Nacional do Paraná
Claudio era ativo politicamente. Em agosto de 1976 ele foi seqüestrado por um grupo paramilitar. Nos meses seguintes os seus pais não tinham recebido qualquer informação sobre o paradeiro de seu filho.
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Luiz Almeida Araújo, na foto com sua irmã e mãe, foi preso e torturado em 1966, após se envolver em um movimento estudantil. Ele foi liberado mais tarde.
Cinco anos depois, em 24 de junho de 1971, foi sequestrado em São Luiz Paulo. Sua família iniciou uma busca em vão. Relatórios oficiais indicam que ele morreu em agosto de 1971. Ele tinha 28 anos
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Eurico Tejera Lisboa Luiz pertencia a um grupo de resistência conhecida como a Aliança de Libertação Nacional.
Segundo relatos, ele foi preso sob circunstâncias que não são claras, em São Paulo, na primeira semana de setembro de 1972 e desapareceu. Seus restos mortais foram encontrados em 28 de agosto de 1979, no cemitério Dom Bosco , enterrado sob o nome de Nelson Okay. Há ainda divergências sobre como ele morreu. Recentemente, sua viúva pediu para mudar sua certidão de óbito, que afirma que 'cometeu suicídio'
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