quarta-feira, 19 de março de 2008

Você está aí?


Há não muito tempo, ouvi uma amiga me contar sobre uma citação de Robin Jones Gunn onde relatava um diálogo entre Pooh e Leitão ( Winnei pooh).

Leitão aproximasse de Pooh e toca em sua pata:

- Pooh, você esta ai ? Pergunta o Leitão.
- Sim, Leitão, estou, por que?
- Não é nada. Só queria saber se você está ai.

Este diálogo ilustra toda uma realidade em que vivemos.
Quando me tornei cristão, acreditava que coisas como solidão, medo, dor,tristezas e intrigas iriam permanecer distantes de mim. Mas, ao contrário do que pensava esses sentimentos serpenteiam dentro de mim e muitas vezes tão forte que suscitam dúvidas do tipo: Como posso ter Cristo e sentir solidão? Como podem cristãos agirem de forma pior que os não cristãos? Durante um bom tempo estas perguntas batiam na minha face como ondas de encontro a rochas, ferindo e deixando marcas.
Somente a leitura dos evangelhos trouxe-me conforto para minhas indagações, pois os evangelhos deixam claro que aquele que deu sua vida por mim na cruz e sentiu os mesmos sentimentos que me afligem.
Descobri nos evangelhos um Jesus tão humano quanto eu, um Jesus que sentiu solidão, tristeza e angustia. Ele sentiu o que eu sinto e por isso me compreende como ninguém pode compreender
Mas e a igreja?
Igreja “Corpo de Cristo” e não instituição. Como reagimos diante de tais sentimentos em nossos membros?
Será que conseguimos enxergar além do que os olhos podem ver? Falamos muito em amor, mas estamos realmente amando?
Isto me faz lembrar algo que ouvi de um amigo e que me fez refletir sobre estas coisas. Há um tempo atrás este amigo chegou na igreja e encontrou um jovem na lateral e o cumprimentou.
-Ola, tudo bem?
- Não, não esta nada bem.

Então esse amigo deu um leve sorriso e foi embora. Ele disse que achou a resposta do jovem esquisita:“Pow, que cara estranho”, disse o meu amigo.
Mas pensando sobre isso, o que realmente estranho nesta historia, a sinceridade do rapaz ou as palavras ditas apenas por habito?
Será que nos acostumamos a falar por falar, sem nos darmos conta do que estamos dizendo?
Qual o real valor das palavras que proferimos? Ou melhor, o que tem maior valor, o que falamos ou que fazemos?
Quantas pessoas que encontramos no dia a dia estão tristes, solitárias, ou sofrendo e apenas querem um pouco da nossa atenção?
Elas só querem saber se estamos aqui, como relata o diálogo o inicio do nosso texto.
E se realmente decidirmos responder a ordem de Jesus “ Ame uns aos outros” poderemos então dizer sim “Estou aqui, Pode confiar em mim, eu não tenho a solução pra tua dor, mas aqui esta meu ombro, eu vim chorar com você.”

A cura para tais sentimentos talvez seja apenas uma questão de nos doarmos para os outros...Então a pergunta que fica é: você esta ai?
Gonzaga Jr

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