terça-feira, 13 de julho de 2010

Martin Luther King, meu pastor

Por Ricardo Gondim.



Um dos maiores personagens do século XX foi um pastor batista. Homem de fé, pregador do Evangelho e cidadão humano, Martin Luther King Junior foi, seguramente, a voz que melhor encarnou o ofício de um profeta contemporâneo. Quando se levantava para falar qualquer coisa, as pessoas ouviam, presidentes temiam, excluídos sentiam-se defendidos e a humanidade ousava vislumbrar o futuro com esperança.

Martin Luther King jamais foi bem vindo em ambientes fundamentalistas, não transitava entre intelectuais intolerantes e nem era simpatizado pelos falcões militares.

Contudo, os que conviveram ao seu lado reconheciam o privilégio de desfrutar da intimidade de um homem que soube transbordar seu sonho de justiça para os negros americanos e para o restante da humanidade.

Uma bala de rifle o silenciou poucos meses antes de completar seu 39º aniversário. Contudo, sua morte prematura o conduziu para o Panteão dos heróis mundiais. As tragédias reforçam os mitos. Ninguém calou suas idéias. Não há força ou poder capaz de silenciar a verdade quando ela encarna.

Martin Luther King conseguiu jogar a cultura do preconceito no lixo da história; sem jamais advogar o ódio. Abraçado à não-violência de Ghandi, ele acreditava que a justiça social não aconteceria “de acordo com a inevitável roda do destino”, mas viria com luta e sacrifício.

Por mais que tentasse, Martin Luther King não conseguiria fugir de sua vocação. Era Deus quem o chamava. Em 1954, trilhou a senda apertada dos santos, trocando a Universidade de Boston pela modorrenta cidade de Montgomery.

Quando Rosa Parks recusou ceder o seu lugar no ônibus para um homem branco, Martin Luther King viu-se impelido a liderar um movimento que transformaria a América para sempre. Sem nunca temer marchar na frente de qualquer passeata, ele era uma inspiração para milhões de negros americanos. Todos entendiam o que a Bíblia quer revelar quando afirma que Deus quer seus filhos como cabeça e não como cauda. Com menos de trinta anos, foi eleito o “Homem do Ano” pela revista Time e logo depois recebeu o Prêmio Nobel da Paz.

É mister que os pensamentos deste humilde gigante de Deus continuem circulando entre os que amam a paz e lutam pela justiça, por isso, os copio.

Amor e Justiça.

Sejamos cristãos em todas as nossas ações. Mas quero dizer-lhes esta noite que para nós não basta falar do amor. O amor é um dos pilares da fé cristã, mas há uma outra face chamada justiça. E a justiça é de fato a ponderação do amor. Justiça é corrigir com amor aquilo que se rebela contra o amor.

Deus Intervém.

Deus intervém mesmo quando a igreja não se manifesta. Deus inseriu um princípio neste universo. Deus disse que todos os homens devem respeitar a dignidade e valorizar cada personalidade humana: ‘E se não fizerem isso, assumirei o controle’. Parece que nesta manhã posso ouvir a voz de Deus. Posso ouvi-lo falando através do Universo: ‘Aquietem-se e reconheçam que Eu sou Deus, que, se não Me obedecerem, se não se corrigirem, se não pararem de explorar outros povos, eu Me erguerei e quebrarei a espinha dorsal do seu poder, até que não haja mais poder!’.

A não-violência.

Enfrentemos o ódio com amor. Enfrentemos a força física com a força da alma. Há ainda uma voz clamando através dos tempos: ‘Amai os vossos inimigos, abençoai os que vos amaldiçoam, e orai pelos que vos ultrajam e vos perseguem’. Essa mesma voz clama em termos que elevam a proporções cósmicas: ‘Quem vive pela espada, pela espada morrerá’. E a história está repleta de ruínas das nações que falharam ao não seguir essa lei. Devemos seguir a não-violência e o amor.

A esperança Cristã.

Há algo em nossa fé que nos diz: ‘Jamais se desespere; jamais desista; jamais acredite que a causa da virtude e da justiça está condenada. ‘Há algo no âmago de nossa fé cristã que nos diz que a sexta-feira pode ocupar o trono por um dia, mas ao fim dará lugar ao triunfante rufar dos tambores da Páscoa. Há algo em nossa fé que diz que o mal poder dar forma a eventos, que César ocupará o palácio e Cristo, a cruz; mas um dia o mesmo Cristo erguer-se-á e dividirá a história em a.C e d.C., de tal forma que a própria vida de César será datada em seu nome.

Há algo neste universo que justifica as palavras de Carlyle: ‘Nenhuma mentira é eterna’. Há algo no Universo que justifica as palavras de William Cullen Bryant: ‘A verdade, esmagada contra a terra, novamente se erguerá’. Há algo no universo que justifica as palavras de James Russel Lowell:

'No cadafalso, a verdade;
No trono, sempre a injustiça.
Porém, o nosso futuro
O cadafalso ilumina,
E vela Deus por seus filhos
por detrás das trevas infindas'.

Sinto a pobreza de minha geração e oro para que Deus levante homens com o quilate deste diamante negro chamado Martin Luther King Junior.

Soli Deo Gloria.

Fonte: Ricardo Gondim

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