terça-feira, 7 de junho de 2011

Barraco ideológico


Por Bráulia Ribeiro

A militância gay exigiu a prisão de um cristão que distribuía folhetos durante uma passeata. Ela parecia reivindicar: “Liberdade de expressão apenas para os que sejam pró-minha causa”. O governo brasileiro promove uma cartilha anti-homofobia, que deve ser usada nas escolas do país. O efeito da cartilha poderá ser a homossexualização precoce de nossas crianças. Sobrarão pouquíssimos heterossexuais nas próximas gerações. Não ser homo será homofobicamente perigoso e deselegante.

No Rio, uma deputada federal usou força policial para impedir o arcebispo de divulgar o principal projeto dela no Congresso: a descriminalização do aborto. Católicos foram impedidos de saber que sua política de defesa da mulher vai permitir a legalização da morte intra-uterina de milhares de meninas. A divulgação do projeto de lei assinado por ela foi considerada pela polícia crime eleitoral!

Pare o mundo que eu quero descer. Quantos discursos vazios! O discurso vazio do meio ambiente, da liberdade, da proteção dos direitos da mulher. O discurso vazio da anti-homofobia, que implanta no país um fascismo moral às avessas. Estamos mergulhados na cosmovisão pós-moderna que corrói como um ácido tudo o que sabemos ser absoluto.

Outro dia vi-me envergonhada de me posicionar contra o aborto. De repente ouvi a minha própria voz num discurso anti-abortista e me senti traindo a “causa” das mulheres, como se fosse uma direitista americana. De onde me veio essa vergonha? Ela nasceu da associação do discurso moral a tudo o que não é moral na religião cristã. Tornei-me vítima da pós-modernisse onipresente. Ao associar o discurso de defesa da vida ao nojo que me causa a indiferença da classe média aos problemas sociais, perdi a capacidade de focalizar o bem como bem e o mal como mal. O mal moral do assassinato de vidas intra-uterinas se relativiza diante da miséria daqueles que puderam viver. O mal começa a ter um leve cheiro de solução, a morte de bebês se doura de cores revolucionárias. O bebê se torna tecido; a morte, uma moeda social.

Nada me mostra a eugenia cínica dessa medida, nada me mostra o horror de Deus diante da institucionalização do crime. Crianças pardas e pobres serão retiradas do útero morno de suas mães; arrancadas ou aspiradas aos pedaços, serão jogadas numa lata de lixo juntamente com outros pedaços ou cadáveres inteiros de bebês. Tudo com o meu consentimento eleitoral, tudo pago pelo meu dinheiro. Crianças serão xiitamente homossexualizadas na escola, sem que os pais possam ensiná-las o “certo e errado” em sexualidade (afinal, numa sociedade hedonista, quem pode dizer que o prazer, em qualquer forma, não é certo?). Mas eu serei uma cristã antenada com as “causas” humanistas, estarei na moda, e poderei dizer ao Bush que nada tenho dele em mim...

É fato que a pseudo-moral humanista nos confundiu. Cristãos erraram, confundiram rigidez moralista com moralidade, confundiram amor a Deus com preconceito. Deus ama, e o amor nos nivela por cima, sejam quais forem nossos multissexos, nossos multiassassinatos em multiformas. Mas nem por isso ele deixa de ser o Legislador, autor do manual de uso, e que não abre mão de ser Deus. Seu amor estabelece o bem e o mal, o certo e o errado, e por isso é amor. E, hoje em dia, este amor acaba tendo ares de reacionário e a proposta bíblica de vida causa um barraco ideológico, sem a elegância do politicamente correto. Graças a Deus.


Fonte: Revista Ultimato

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