segunda-feira, 20 de junho de 2011

A era do desassossego

Man with painful headache [Dmitry Fisher em Dreamstime Free Photos - http://pt.dreamstime.com/free-photos]É de impressionar o que aconteceu com a alma humana nas últimas décadas.

As pessoas ficaram muito mais doentes...

Fragmentação é a palavra que melhor define o que está acontecendo com o ser humano urbano no planeta Terra.

Um dos lugares onde tal fragmentação aparece de modo cada vez mais marcante é nas relações de natureza afetiva.

Tanto de homens como de mulheres o que ouço cada vez são queixas.

As mulheres falam da falta de consciência dos homens a respeito do significado de um casamento de verdade.

Já os homens se queixam do fato de que não sabem se podem confiar em suas esposas, posto que saibam como todo mundo está dando mole pra todo mundo — e esse medo masculino talvez seja também resultado de que o homem julga a mulher sexualmente, agora, pelos seus próprios critérios masculinos; e imagina que ela ‘deseja interiormente’ do mesmo modo que em geral acontece com o homem.

Assim, sofrem as conseqüências de seu próprio veneno.

São carências abismais...

Quase ninguém consegue mais ficar sozinho por um tempo.

A maioria entra em profunda crise de auto-estima se não tiver algum tipo de parceiro sexual.

Sexo é o grande garantidor do valor da maioria das pessoas: teve sexo, está bem; não teve, está mal.

Posso sentir o frenesi no ar...

As ondas que vibram são de um desassossego profundo...

Posso ouvir o respirar resfolegante de seres em um cio existencial insaciável.

Às vezes me dá a sensação de olhar para as pessoas e ver buracos...

Outras vezes parece que vejo garranchos, gambiarras...

Há ocasiões que me dá a impressão de olhar e ver muitas pessoas numa mesma...

Ou me dá a aflição de parecer ver pessoas que foram montadas: um pedaço de cada lado, sem serem elas mesmas jamais, mas apenas partes, incongruentes e desconexas.

Mas o que mais vejo é gente que parece estar com a alma para fora..., tais são as pulsões que se pode quase que ver dentro delas.

É como se tivessem perdido a pele, a cobertura, a proteção; e tivessem ficado vazadas, com tudo exposto; tamanho é o avesso de ser no qual se colocaram.

Hoje está mais fácil encontrar e sair com pessoas do que nunca antes.

No entanto, nunca foi tão arriscado; especialmente se isso implica também em qualquer forma de relacionamento, posto que a maioria das pessoas esteja com a alma muito enferma; e, também, da maioria se pode dizer: legião é seu nome porque cada um “é muitos”.

Numa época como esta a melhor palavra é: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus!”

Mas do que nunca, quem desejar manter a alma no bem, terá que saber, aprender e praticar, a verdade que diz: “Em descansardes e em sossegardes está a vossa salvação”.

A grande vitória nestes dias é manter a vida sob a consciência do entendimento do Evangelho, preservando o coração na paz, dando sempre mais valor para tudo aquilo que promove a serenidade do coração; e não para as aventuras galopantes que têm o poder dos raios, mas que não aquietam o coração.

“Espera no Senhor e faze o bem; busca a paz, e empenha-te por alcançá-la”.

É no espírito dessa Palavra que se tem que viver cada vez mais.

Quem não crer existirá para saber que não viveu.

Caio

Fonte: caiofabio.net / foto de Dmitry Fisher em Dreamstime Free Photos

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