quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Billie Holiday, a dolorida voz do jazz



O que falar sobre Billie Holiday que já não tenha sido dito? Dizer que ela foi à maior cantora de jazz de todos os tempos é redundância. Dona de voz uma etérea, flexível e levemente rouca, Holiday impregnava suas canções de uma amargura e beleza ímar. Acredito que a melhor definição do que é escutar Holiday, seja a dada pelo blogueiro Pierre Oacks "Billie Holiday é um cotonete abstrato, em meio a toda essa poluição sonora em que vivemos ouvi-la purifica a alma e todos os sentidos do corpo!" Seu legado é indiscutível e sua música soa como bálsamo para a alma.

Eleanor Fagan Gough, ou como era conhecida pelos amigos Lady Day, nasceu no gueto negro de Baltimore em sete de abril de 1915. Filha de pais adolescentes Sara Fagan de 13 anos e Clarence Holiday de 15 anos.

Criada pela mãe separada do pai, Billie sofreu todas as dores que uma garotinha negra e pobre dos EUA poderia esperar da vida. Violentada por um vizinho aos dez anos e castigada por isso foi internada numa casa de correção para meninas vítimas de abuso. Aos 12 anos trabalhava lavando o chão de prostíbulos. Aos quatorze anos, indignada com o racismo e a posição de criada de sua mãe, caiu na prostituição. Alcoólatra e viciada em heroína apanhou e foi roubada por seus sucessivos maridos. Billie sofreu de todas as formas até a sua morte aos 44 anos, seu único refugia era a música, onde ela despejava toda a sua alma.

Em 1930, Billie e sua mãe são ameaçadas de despejo, por deverem 45 dólares ao seu senhorio, Billie então sai às ruas desesperada na busca de algum dinheiro. Entrando em um bar do Harlem, ofereceu-se como dançarina, mostrando-se um completo desastre. Penalizado com a situação o pianista pergunta se ela sabe cantar e Holiday pede que ele toque Trav’lin All Alone. Em instantes todos estão de olho nela, que sai do bar com cinquenta e sete dólares e um emprego fixo. Naquele dia nascia a lenda de Billie Holiday.

Após três anos cantando em diversas casas, atraiu a atenção do crítico John Hammond, através de quem ela gravou seu primeiro disco, com a big band de Benny Goodman. Era o real início de sua carreira. Começou a cantar em casas noturnas do Harlem (Nova York), onde adotou seu nome artístico.A parti daí Holiday passou a escrever seu nome na historia, ela nunca teve educação formal de música e seu aprendizado se deu ouvindo Bessie Smith e Louis Armstrong.

Cantou com as big bands de Artie Shaw e Count Basie. E foi uma das primeiras negras a cantar com uma banda de brancos, em uma época de segregação racial nos Estados Unidos (anos 1930). Consagrou-se apresentando-se com as orquestras de Duke Ellington, Teddy Wilson, Count Basie e Artie Shaw, e ao lado de Louis Armstrong.

Sua dicção, seu fraseado, a sensualidade à flor da voz, expressando incrível profundidade de emoção, a aproximaram do estilo de Lester Young, com quem, em quatro anos, gravou cerca de cinquenta canções, repletas de swing e cumplicidade. Lester Young foi quem lhe apelidou "Lady Day".

A partir de 1940, apesar do sucesso, Billie Holiday, sucumbiu ao álcool e às drogas, passando por momentos de depressão, o que se refletia em sua voz.

Pouco antes de sua morte por overdose de drogas, Billie Holiday publicou sua autobiografia em 1956, Lady Sings the Blues, a partir da qual foi feito um filme, em 1972, onde Diana Ross interpreta Holiday.

Holiday morreu em 17 de julho de 1959, mas seu canto permanece mais vivo que nunca, para saber mais sobre Lady Day, basta ouvir a sua musica que ela deixou como presente para um mundo que lhe foi tão ingrato.












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