domingo, 5 de setembro de 2010

Seria engraçado se não fosse trágico


Com a aproximação das eleições, somos submetidos ao já famoso Horário Eleitoral Gratuito que, convenhamos, de gratuito não tem nada, já que custa milhões aos cofres públicos em impostos não arrecadados pela Receita Federal com a isenção concedida às emissoras de rádio e de TV como compensação pelo tempo de vinculação do horário político. E dinheiro não arrecadado é dinheiro não investido em serviços essenciais para o bem-estar da na nossa gente, ou seja, quem banca o circo somos nós. Isso mesmo: eu e você! Então você já parou para ver o que anda patrocinando?

Pois bem, o que deveria ser um espaço sério para a discussão de idéias e propostas de governo, virou um verdadeiro show dos horrores, com direito a candidatos palhaços (literalmente), a “celebridades” decadentes e todo tipo de bizarrices que você possa imaginar.

Qualquer gringo desavisado que venha a assistir o nosso “nobre horário” pensará se tratar de um programa humorístico, tamanha a palhaçada generalizada que é este espaço. A lista dos nossos “ilustres” candidatos vai desde “Palhaço Pirulito, Galego do Veneno, Mandioca (cujo slogan é “Mandioca Neles”), Raul Seixas de Itu, Conde do Brega, Mulher Perra, Mulher sanduíche, Tiririca, Kiko (da finada banda pop KLB), Marcelinho Carioca, Maguila, e mais uma infinidade de excentricidades espalhadas Brasil afora.

Você deve estar rindo agora. Eu também dei muitas risadas, mas, sejamos francos, isto não tem nada de engraçado. Basta lembrar que corremos o risco de algumas destas criaturas exóticas conseguirem um cargo público, e, acredite, a maioria delas sequer sabe qual o papel de um representante público, como afirma o próprio Tiririca em sua campanha "Vocês sabem o que faz um deputado federal? Eu também não, mas me elejam que eu conto para vocês...". Percebe agora o perigo que corremos? Cargo publico virou sinônimo de dinheiro fácil, e bons salários!

Tudo bem, você pode então falar: "Mas e os políticos profissionais? Afinal, não são eles que metem a mão nos cofres públicos, desviam verbas, etc.?" Isto é fato. Parece que as opções são ou os palhaços ou os corruptos; entretanto, “palhaços” são maleáveis e manipulados pelos corruptos, o que os torna extremamente perigosos para a moralização dos poderes executivos e legislativos da nossa nação. Então quem poderemos eleger?

Os "palhaços" ou os "corruptos"? Cabe aqui uma reflexão. O problema não são eles, o problema somos nós. Queremos tratar o efeito, mas esquecemos a causa da doença? Como afirmou João Ubaldo Ribeiro: "O problema do Brasil não está em seus governantes, mas está em nós como povo, como 'matéria prima' de uma nação".

Se eles estão ocupando um espaço que deveria se levado a sério, e o estão transformando em trampolim para dinheiro fácil, a culpa não é deles, a culpa é minha e sua que os elegemos, afinal eles são só brasileiros como nós, e se nos não mudarmos, não importa quem vai se eleger; no final quem sairá perdendo é a nação. No fim, esta história poderia ser muito engraçada, se não fosse trágica.

Gonzaga Soares


1 comentários:

Anônimo disse...

ESSA MULHER PERA É UMA RESENHA!

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