sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Sagrado (78º episódio): Cristãos protestantes

O tema agora é Liberdade de expressão. Neste primeiro episódio o pastor Ricardo Gondim vem responder às seguintes perguntas:
1) As instituições religiosas estão abertas a críticas e ao diálogo mesmo quando feitas por outras religiões?
2) Nas produções artísticas o sagrado e o profano frequentemente se encontram. As abordagens muitas vezes se chocam com valores de diferentes crenças. Não deverá sempre prevalecer o princípio da liberdade de expressão?
 
Oscar Magrini cita Confúcio: “Ultrapassar os limites não é um erro menor do que ficar aquém deles”.
 
 
 
 
 
 
Dogmático = Que se expressa de forma sentenciosa, autoritária, doutoral (iDicionário Aulete)
 
“A luta pela vida, pela liberdade e pela justiça não é cristã; é humana”, afirmou o Gondim, mas certamente é algo implantado por Deus dentro de cada ser humano, como podemos ver lendo os primeiros capítulos da carta aos Romanos.
 
Segundo Gondim, não há arte sacra e arte profana, mas sim o que é bom e o que é ruim. Sua resposta, entretanto, não responde claramente à questão levantada. Ele não fala do perigo em se misturar, em alguns casos, o sacro com o profano – o perigo de confundir as mentes e criar um falso juízo das coisas. É que nem o perigo do ecumenismo.
 
Na segunda parte (a da segunda pergunta) devemos entender que o direito de livre expressão e opinião não significa que as partes contrárias não podem sequer se pronunciar a respeito para mostrar seu posicionamento e visão. O que nós, cristãos, não podemos fazer é assumir uma atitude fundamentalista de destruir as obras de arte ou tentar proibí-las de serem veiculadas, perseguir, combater ou ameaçar seus autores ou incitar o estado a aplicar penas nos mesmos. Afinal, se vivemos numa democracia, o direito de expressar opiniões é livre ainda que elas sejam contrárias ao que o povo tem por costumeiro e trivial. Devemos também nos mirar no exemplo de Cristo do qual o Gondim fala ao responder à primeira pergunta.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Sagrado (77º episódio): Muçulmanos

Sétimo e último episódio do tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. Sami Armed Isbelle aparece no lugar do xeique Armando Saleh para responder às seguintes perguntas:
1) Destino e livre arbítrio podem se complementar?
2) O homem muitas vezes atua de forma destrutiva. Conflitos armados, explorações do meio ambiente, ações políticas parecem traçar os rumos da sociedade. Sofremos as consequências de escolhas erradas ou a humanidade estava destinada a esses eventos?
 
Stenio Garcia cita Sêneca: “O destino conduz o que consente e arrasta o que resiste”.
 
 
 
 
 
 
O posicionamento do islamismo sobre o tema é, na verdade, algo que ele herdou do cristianismo e do judaísmo. As situações que fogem ao nosso controle, algo em que o Armed falou, são nada mais que as provações pelas quais passamos.
 
As palavras do Sami Armed mostram que também o islamismo crê em livre arbítrio. Dessa forma, os representantes de cada religião abordada na série derrubaram o mito de que não temos livre escolha na vida, de que somos escravos do destino. Como o narrador mesmo falou, essa crença relativa ao destino é algo mítico que existe há muito tempo. Pelo menos no mundo cristão ocidental esse mito deve ainda perdurar na mente de alguns em virtude de não compreenderem a onisciência e onipotência de Deus. O fato dEle saber o que vai acontecer não significa que tudo já foi pré-estabelecido e que nós, por causa disso, não temos a capacidade de fazer escolhas na vida.
 
“Os limites determinados por Deus” de que o Armed fala devem ser, creio eu, as leis naturais (leis da física, da biologia, o clima, a moral(?) etc.). Quando o homem dá uma forçada de barra, ele colhe as consequências de suas escolhas erradas – é a lei da semeadura, lembram?
 
A frase de Sêneca citada aqui é válida dentro de contextos muito particulares. Ela não pode ser aplicada ao contexto espiritual, pois, se assim o fizermos, quererá dizer que se fatalmente todo homem é tendencioso ao pecado, então não adianta resistir, lutar, contra ele! Coisa que nós, cristãos, sabemos não ser verdade.
 
DESTINO (iDicionário Aulete) = 1. Sequência de acontecimentos e situações pretensamente predeterminados, na existência humana. 2. Por extensão: força supostamente insuperável que regeria essa predeterminação.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Joyful 'toon: Uma casa nova

Joyful ‘toon mais recente (número 149).
 
 
  joyful 'toon 149_New house PT.BR
 
 
Comentário do autor:

Como cristãos, nós temos a garantia de que quando nossos corpos morrem, nossos espíritos mudam-se para o céu, onde nosso Pai tem preparado um novo corpo no qual iremos viver.

 
 
Publicado aqui sob a autorização de Mike Waters (Joyful 'toons).
 
Versão em português produzida pelo próprio autor com o auxílio de tradução do Mural na Net.

Sagrado (76º episódio): Budistas

Sexto episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. O lama Padma Samten não está neste episódio. No lugar dele está o lama Rinchen Khyenrab para responder às seguintes perguntas:
1) O homem está livre para escolher seu caminho ou está preso a um destino pré-concebido?
2) Podemos encarar as percepções do tipo intuição (ou sexto sentido) e sonhos premonitórios como verdadeiras e como sinais da possibilidade de intervenção no destino?
 
Christiane Torloni cita Mahatma Gandhi: “A força não provem da capacidade física, e sim de uma vontade indomável”.
 
 
 
 
 
 
Como podemos ver, o budismo é mais uma religião que crê no livre arbítrio. Para eles intuição e sonhos premonitórios são apenas projeções da nossa mente assim como tudo o que experimentamos como sendo a realidade. Estranho isso, não? O lama também afirma que a experiência de cada pessoa (em relação à vida) depende do quão atento estamos no processo de pensar e refletir. O que ele quer dizer com isso? Que ver coisas como sendo premonições ou adivinhações depende apenas da forma como cada um encara isso? Que um indivíduo que pensa e reflete muito é indiferente à realidade? Ou ele apenas está sendo vago mesmo no que diz?

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Sagrado (75º episódio): Religiões afro-brasileiras

Quinto episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. Não é a makota Valdina quem fala, mas o pai-de-santo Etiene Sales. Ele vem responder às seguintes perguntas:
1) O que está por vir é consequência única da vontade humana?
2) Se tudo depende da força divina, tem sentido nos esforçarmos para construir um bom caminho?
 
Juliana Paes cita um provérbio hindu: “Por mais numerosos que sejam os meandros do rio, ele termina por desembocar no mar”.
 
 
 
 
 
 
As perguntas feitas ao Etiene são quase as mesmas que vêm sendo feitas aos representantes das outras religiões. E até agora suas respostas apresentam bastantes semelhanças. Eu creio que dos dois um: o pensamento dos adeptos dessas religiões afro-brasileiras ou sofreram influência do cristianismo ou ele apenas expressa a essência que Deus pôs em cada um, da qual Paulo fala lá nos primeiros capítulos da carta aos Romanos.
 
É em virtude dessa semelhança que aquele provérbio hindu foi citado no início do vídeo. Em outras palavras, querem disseminar a ideia de que há muitos caminhos, mas que todos levam a Deus! Nós, cristãos, sabemos que isso não é verdade.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sagrado (74º episódio): Judeus

Quarto episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. Aqui também não é o titular, o rabino Nilton Bonder, quem fala, mas o rabino Sérgio Margulies. Ele vem responder às seguintes perguntas:
1) Até que ponto somos senhores de nosso próprio destino?
2) Se existe uma razão e uma ordem para os acontecimentos, a ação do homem é capaz de interferir e alterá-la?
 
Nathalia Timberg cita Arthur Schopenhauer: “O destino embaralha as cartas e nós as jogamos”.
 
 
 
 
 
 
Somos totalmente responsáveis por nosso atos, defendeu o Sérgio em outras palavras, o que, mais uma vez, derruba o mito eventualmente existente na cabeça de uns por aí de que somos escravos de uma história que já foi escrita.
 
As perguntas que estão sendo feitas nessa sequência de episódios parecem repetitivas, parece que estão fazendo as mesmas perguntas a todos os representantes das religiões. Mas isso até que é bom, pois vem atender àquele nosso desejo de que todos pudessem falar realmente do mesmo assunto.
 
As últimas palavras do Sérgio são um bom argumento a favor do cuidado com o meio ambiente: “(…) o ser humano tem o direito de intervir. No entanto, o limite desse direito é o respeito ao mundo que nós recebemos. Somos inquilinos nesse mundo. Recebemos o mundo e devemos entregá-lo para a próxima geração ainda melhor”. Os cristãos e judeus (e os muçulmanos também, já que sua crença tem influência das outras duas) deveriam ter se dado conta disso há muito mais tempo.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sagrado (73º episódio): Espíritas

Terceiro episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. Não é o Cesar Perri que aparece no episódio, mas outro Cesar: Cesar Reis. Nesta série de episódio parece que os representantes “oficiais” resolveram tirar umas férias. Pois bem, é esse outro Cesar quem responde às seguintes perguntas:
1) Se muitos acreditam que a trajetória das pessoas está definida previamente, como podemos ser responsabilizados por atos que independem, em última instância, de nossa vontade?
2) Devemos aceitar as adversidades que atravessamos como algo irremediável?
 
Carlos Vereza cita um provérbio chinês: “Podemos escolher o que semear, mas somos obrigados a colher aquilo que plantamos”.
 
 
 
 
 
 
A primeira pergunta foi mal formulada, pois parece partir do pressuposto de que se muitas pessoas creem em algo, então isso é verdade ou tem grandes probabilidades de ser verdade. Esse é mais um tipo de argumento falacioso, é o Argumentum ad Numerum. O que o narrador deveria falar, de fato, era “Partindo da ideia de que tudo já foi pré-determinado, não podemos ser responsabilizados por nossos atos, pois, na verdade, não os escolhemos praticá-los, apenas fizemos algo que já foi estabelecido, não é mesmo? O espiritismo partilha esse princípio?”
 
A resposta do Cesar à esse questionamento mostra que o espiritismo crê em livre arbítrio; entretanto, o que a própria doutrina prega entra, até certo ponto, em conflito com isso. O espiritismo prega que reencarnamos para pagar nosso pecados. Então não temos uma total liberdade de fazer escolhas de como vai ser nossa vida porque, em parte, ela terá de ter sofrimento para pagar os erros passados. O livre arbítrio defendido pelos espíritas é restrito somente à escolha do que faremos perante alguns acontecimentos, percebeu?
 
Ao responder à segunda pergunta o Cesar apenas mostrou claramente a visão do espiritismo em relação à vida. Não há o que se dizer a respeito. Só nos resta o uso da apologética (a defesa da fé) para refutar os ensinamento dessa crença.
 
 
Para ajudar na compreensão do vídeo: significado de ‘resignação’ e ‘amealhar’ no Dicionário Aulete. Clique nas palavras.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sagrado (72º episódio): Cristãos protestantes

Segundo episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. O pastor Israel Azevedo deveria aparecer neste vídeo, mas quem representa o posicionamento protestante aqui é o pastor Ricardo Gondim. Ele responde às seguintes perguntas:
1) O homem é capaz de construir sua própria vida?
e
2) Aceitar que tudo já foi escrito, que independe de nossa vontade, não nos tira a grandeza de poder fazer escolhas?
 
Oscar Magrini cita Freud: “Não almejo despertar convicção. Almejo estimular o pensamento e perturbar preconceitos”.
 
 
 
 
 
 
Na segunda pergunta o narrador vem de novo* com aquele argumento falacioso que parte do princípio de que nós cristãos (ou adeptos de qualquer religião) cremos que tudo já foi determinado, que tudo já foi escrito por Deus ou outra divindade, e que, portanto, não temos a liberdade de escolha que pensamos ter. Mas o Ricardo, assim como a Maria Bingemer no episódio 71, refuta esse mito e esclarece as coisas. A palavra do pastor só precisaria ser um pouco mais longa — se ele tivesse mais tempo, claro — para poder explicar a um não crente como é que nós passamos a ter liberdade deixando de seguir nosso próprios desejos para “submetermo-nos” a Deus. Mistério do outro mundo para a cabeça deles é isso, não?!! He he he he he he.
 

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sagrado (71º episódio): Cristãos católicos

Primeiro episódio do novo tema: Destino ‘versus’ livre arbítrio. Assim como o tema Liberdade sexual, esse tema promete, hein?! Antônio Mazatto deveria aparecer neste vídeo, mas quem representa o posicionamento católico aqui é Maria Clara Bingemer, decana em Teologia e Ciências Humanas da PUC/RJ. É ela quem responde às seguintes perguntas:
1) Crer num destino pré-estabelecido inibe de alguma forma a ação do homem?
e
2) Imaginar que nossas vidas já foram traçadas, inclusive quando somos vítimas de tragédias, não estimula a prostração e a aceitação da violência e da injustiça social?
 
Tony Ramos cita Sêneca: “Alguns, sem terem dado rumo às suas vidas, são flagrados pelo destino esgotados, sonolentos”.
 
 
 
 
 
 
A resposta da Maria parece não satisfazer a dúvida da primeira pergunta. A passagem da vida de Abraão (quando ele foi chamado por Deus) não é lá bom um exemplo de livre arbítrio, pelo menos segundo o que o Mundo crê ser ‘livre arbítrio’ *. Se o fosse, Deus não deveria ter deixado Abraão escolher pra onde ir? Ou ter dito algo tipo “Abraão, eu te escolhi pra ser próspero e pai de uma nação faça o que você fizer. Apenas confie em mim”? Mas analisando a vida de Abraão toda vemos sim que ele participa de forma ativa na história. Ele aparece como coautor quando interfere no que Deus ia fazer com Sodoma e Gomorra (Gn 18:16-33), por exemplo, não é mesmo?
 
Brilhante a resposta à segunda pergunta! Mito destruído (do ponto de vista cristão)! Os não crentes gostam de nos atribuir o que está posto na pergunta, de forma a recair incorrer num argumento falacioso contra nossa fé – especificamente, a ‘falácia do espantalho’.
 
 
* Busque pela expressão no Google, por exemplo!
 
 
 
A título de curiosidade, você pode se interessar por ler estes textos da Superinteressante:
Em relação a textos cristãos tratando do livre arbítrio, não encontrei artigo algum que merecesse ser citado aqui, por enquanto.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Sagrado (70º episódio): Budistas

Sétimo e último episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Padma Samten está incumbido de comentar a afirmação:
1) Política e religião tem interesses próprios e ideologias distintas. Na maioria das sociedades ocidentais o estado e a religião são separados por lei, mas a mistura ainda tem sido inevitável.
e responder à questão:
2) Pode haver justiça quando a política é parcialmente controlada por uma ideologia religiosa?
 
Christiane Torloni cita Oscar Wilde: “O estado existe para realizar o que é útil; o indivíduo, para realizar o que é belo”.
 
 
 
 
 
 
Em resumo, o que o Padma quis dizer na primeira parte foi que ter um estado totalmente laico é difícil em virtude das ideias dentro da cabeça daqueles que o constituem serem influenciadas pela visão cultural vigente — deixando implícito que a religião faz parte da cultura. E ele crê que misturar o estado com a religião pode trazer mais dificuldades. Vemos, então, que é quase unânime a opinião dos representantes das religiões de que o estado não deve se ligar ou ser influenciado por religião alguma. A única exceção é o islamismo.
 
A pergunta soa meio preconceituosa, pois parece insinuar que as crenças religiosas não sabem ou não têm a menor noção do que é justiça. É claro que pode haver justiça num estado influenciado por uma crença: a justiça segundo a visão dessa religião (podendo ser mesclada com uma concepção de justiça irreligiosa, que foi construída sem influência alguma de qualquer religião, se é que isso realmente é possível)! O lama vem alegar que o exemplo passado de nações que confessavam uma religião específica mas souberam respeitar a diversidade de credos são provas de estados religiosos onde houve justiça. Tudo bem que com isso ele queira demonstrar que se um estado religioso respeita todas as outras confissões religiosas, então isso já demonstra que ele pratica alguma justiça (nesse caso, a igualdade de direitos); entretanto, creio que o narrador referia-se a uma noção mais geral de justiça quando fez a pergunta. E o fato do lama ter se referido a “exemplos de nações do passado” leva-nos a crer, se ele é um homem bem informado, que ele afirma não serem os estados islâmicos praticantes da justiça, percebeu?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Crimes satânicos

O Mural tá de férias, mas resolvemos publicar uma entrevista/notícia muito importante que está sendo divulgada no blog da União dos Blogueiros Evangélicos.
 
 
 
Capa livro Crimes Satânicos Esta é uma entrevista realizada com Leo Montenegro, autor do livro Crimes Satânicos. O livro, além de denunciar o rapto organizado de pessoas com objetivo serem sacrificadas em rituais de magia negra dentro e fora do Brasil, apresenta casos que vêm acontecendo em todo o mundo. Acompanhe as revelações do autor, que no momento já prepara mais um volume sobre o tema. A entrevista foi realizada pela irmã Wilma Rejane para a UBE.

1 - De que forma surgiu a idéia do livro Crimes Satânicos?

Na verdade foi através de uma notícia sobre um desses crimes onde uma mãe sacrificou seu próprio filho de menos de 3 anos em um ritual de magia negra. Essa notícia trazia fotos da cena do crime e confesso que isso me abalou e me fez perguntar de onde vinha maldade tal a ponto de uma mãe matar e esquartejar o corpo do próprio filho.

Então comecei a pesquisar sobre o assunto e descobri que mesmo a mídia não divulgando, esses crimes acontecem a todo o momento e em todo o lugar.

Comecei a encontrar muita coisa, tive acesso a cenas de crimes, fotos e tudo o mais, sempre com apoio de pessoas do mundo todo, incluindo polícia, perícia, investigadores, familiares de vítimas, etc.

É terrível saber que em alguns cultos satânicos há mães que geram filhos para que, logo ao nascer, sejam sacrificados nos altares satânicos, e isso passa despercebido, pois essas “mães” não dão a luz em hospitais.

No inicio não tinha idéia de escrever um livro, mas, conforme fui descobrindo muitas coisas, resolvi compartilhar com as pessoas e aí sim surgiu a idéia do livro.

Na verdade, o Crimes Satânicos terá pelo menos mais um livro, que será um segundo volume.

2- De onde veio o apoio para a realização do trabalho?

Conforme pesquisava e colhia depoimentos, muitas pessoas se mostravam interessadas em ajudar com matérias, contatos, traduções (inclusive em russo), e citavam casos.

Tentei contatar parentes de crianças desaparecidas ou vítimas de rituais satânicos, mas foi muito difícil, pois essas pessoas vivem com medo e não sabem em quem confiar devido ao descaso com que foram tratadas pela sociedade e até mesmo autoridades, pois no Brasil a luta por justiça é muitas vezes uma luta silenciosa.

É muito triste a forma com que a causa dos desaparecidos é tratada nesse país.

Como uma pessoa só é declarada desaparecida depois de 48 horas, se é sabido que as crianças raptadas e desaparecidas são mortas muitas vezes em até 24 horas.

Isso poderia mudar se os nossos políticos votassem leis que favorecessem uma pronta resposta das autoridades em caso de desaparecimento, porém sabemos que esses mesmos políticos estão mais preocupados em votar o aumento de seus próprios salários.

3 - Você enfrentou algum tipo de pressão durante o andamento dos trabalhos?

Creio que a maior pressão foi espiritual e o pior momento foi a descoberta de um Vídeo Snuff (que são vídeos de assassinatos reais filmados com o objetivo de comercialização, e descobriu-se a conexão desses vídeos com cultos satânicos e redes de pedofilia).

Esse momento foi o mais difícil, pois tive que assistir dezenas de vídeos com esse tipo de conteúdo inclusive vídeos de rituais de magia negra, e infelizmente a internet está cheia desse tipo de conteúdo. Passei por tudo isso, pois minha intenção era encontrar um Vídeo Snuff real, algo que até aquele momento era considerado “Lenda”.

As cenas que eu vi e ouvi são de extrema maldade e posso dizer sim, que o mundo jaz no maligno.

Nesse momento, muitas pessoas estavam orando por mim e isso foi essencial para concretizar o trabalho, pois pensei muitas vezes em desistir e até mesmo tive que parar o processo de pesquisa e investigação do livro, pois estava cansado, tendo crises de choro e não conseguia dormir à noite, pois ao fechar os olhos lá estavam as cenas em minha mente.

Minha esposa foi uma verdadeira mulher de Deus e peça importante para a concretização do trabalho, pois tinha momentos que eu não tinha forças nem para orar, talvez muitas pessoas possam ver isso como uma fraqueza, mas realmente tudo isso foi uma grande luta espiritual e com minhas próprias forças eu não teria chegado ao final. Então sei que foi Deus que me capacitou.

Eu não escolhi escrever esse livro, mas era necessário que essa denúncia viesse à tona.

4 - O que mudou em sua vida após o trabalho de investigação e publicação do livro Crimes Satânicos?

Até o livro ser publicado foi uma grande luta como já falei; porém, depois, com o apoio da editora Naós e de muita gente que tem apoiado o trabalho, eu me senti mais seguro, pois vi que realmente eu não estava sozinho em tudo isso, pude ver que muitas pessoas estão se mobilizando e se perguntando:

“O que está acontecendo? Por que tantas crianças somem no país? O que eu posso fazer para ajudar a causa dos desaparecidos?

Muitas pessoas dizem que sou corajoso em fazer isso, mas a verdade é que Leo Montenegro é uma voz solitária na multidão e apenas um jovem acreditando no que diz 1 João 2-14.

Como Cristão, acredito que temos que atender ao chamado de Deus para nossas vidas, e o “Eis-me aqui” é algo nobre nos dias de hoje e eu creio que todos podem ajudar na causa dos Desaparecidos, se você tem um blog, site, Orkut ou qualquer meio você pode se mobilizar divulgando textos, fotos, notícias - e com isso podemos sim salvar vidas e evitar que outras crianças sejam raptadas.

5 - Como você vê as notícias veiculadas recentemente na mídia envolvendo crianças em rituais com agulhas?

Esse caso foi uma exceção, pois a mídia nacional acabou divulgando o caso com toda a atenção.

Desde o Caso Evandro de Guaratuba no ano de 1992 que eu não via a mídia dar tanta atenção a um caso envolvendo ritual de magia negra.

Creio que esse caso fez muitas pessoas notarem que essa é uma prática comum e trouxe o assunto à pauta, tanto que quase todos os dias você pode ver novos casos sendo noticiados em toda a mídia.

Esses crimes acontecem com muita freqüência. Para você ter idéia, em Fortaleza, uma série de crimes envolvendo rituais de magia negra estão acontecendo e isso não está sendo divulgado em lugar algum. A verdade é que os crimes continuam e ninguém foi preso até o momento (Janeiro de 2010).

Na Tanzânia, Burundi e outros países da África, centenas de Albinos estão sendo mortos, esquartejados e seus pedaços estão sendo vendidos para serem usados em rituais de feitiçaria pois existe uma superstição entre os nativos de que feitiços feitos com pedaços de Albinos trazem poderes mágicos.

Como podemos ver, isso está acontecendo em todo o mundo; porém, pouco se noticia sobre esses casos.

6 - Léo, o que você acha que deveria ser feito para tornar as buscas a pessoas desaparecidas mais eficazes?

O Cadastro Nacional de Desaparecidos seria muito eficaz na busca e catalogação dos desaparecidos no Brasil.

Creio que campanhas do governo seriam de grande valia e até mesmo empresas poderiam colocar em seus rótulos de produtos fotos de crianças desaparecidas, como muitas já fazem ou fizeram. Parece que esse assunto para a sociedade é coisa do passado, mas os desaparecimentos continuam.

A maior união e integração das polícias brasileiras também seria muito bem-vinda.

Mas eu ainda acredito que o maior passo pode ser dado por cada um de nós divulgando e ajudando essa causa, como falei há pouco.

7 - Tem algo, que você descobriu que não foi publicado? Por quê?

Existe muito conteúdo não publicado ainda e teremos um novo livro logo.

Tenho recebido muito apoio de várias pessoas que me escrevem relatando casos, experiências e denunciando crimes.

Tenho pesquisado essas denúncias e posso dizer que tenho em minhas mãos muito conteúdo.

O que posso dizer é que, no mínimo, eu sei demais, e isso é perigoso, pois faz de mim um alvo fácil.

Essa é a parte difícil de ser Leo Montenegro (rs rs rs).

8 - Que mensagem você deixaria para as pessoas que estão lendo esta entrevista e que já leram ou pretendem ler o livro?

Leonardo da Vinci disse certa vez: “Aquele que não pune o mal, ordena que ele seja feito”. E eu acredito que até hoje essas crianças tem desaparecido com tanta frequência no Brasil e no mundo pelo descaso com que esses crimes sempre foram tratados. Então, devemos denunciar esses crimes para que esses raptores se sintam acuados e assim possam agir com menos liberdade e frequência.

Sei que não vamos parar os raptos, mas se conseguirmos fazer com que eles diminuam, estaremos salvando vidas.

Sobre o livro, eu peço que leiam, mas depois de ler, não deixem o livro parado na estante, emprestem para seus amigos da igreja, família, e seus pastores e líderes.

Entendo que o livro é “pesado” e até não aconselho para que algumas pessoas o leiam, mas a mensagem dele não pode ser ignorada e nem ficar parada numa estante.

Obrigado a todos que me escrevem e compartilham suas experiências.

Deus abençoe a todos nós.

OBS: Para contatos com Léo Montenegro escreva para: leomontenegro09@gmail.com

9 – O livro está disponível nas livrarias evangélicas?

Sim. Os interessados podem também contatar a Editora Naós através do site www.editoranaos.com.br. E está disponível também em grandes lojas online, como Submarino, Americanas ou 100 % Cristão.

Se você é blogueiro, quer divulgar este texto e ainda concorrer um exemplar do livro, veja este post da UBE.

Leia também a matéria Fantasma sem rosto no site Cristianismo Hoje. Ela fala do tema satanismo e também tem uma pequena entrevista com o Leo Montenegro.

Sagrado (69º episódio): Religiões afro-brasileiras

Sexto episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Valdina Pinto está incumbida de responder à questão:
1) O estado deve ser neutro em relação à religião. Mas é isso que acontece na nossa realidade?
e comentar a afirmação:
2) O estado tem primariamente a função de zelar pela qualidade de vida e pelo bem-estar social do indivíduo. A religião, por sua vez, preza ainda o bem-estar espiritual. No entanto, a interação entre estado e religião sempre tem promovido a divisão das sociedades.
 
Juliana Paes cita um provérbio brasileiro: “De nada adianta o vento estar a favor se não se sabe para onde virar o leme”.
 
 
 
 
 
 
As palavras da Valdina foram simples e curtas, hein? Entretanto, na primeira parte a fala da Valdina parte do princípio de que o Brasil tem uma religião oficial, quando, pela Constituição, não há. Isso até já comentei no episódio 65 (o dos católicos).
 
A segunda parte já começa com uma afirmação meio falaciosa, creio eu, por parte do narrador: “(…) a interação entre estado e religião sempre tem promovido a divisão das sociedades”. Isso sempre aconteceu em países muçulmanos, por exemplo, onde o estado se confunde com a religião*? Em seu comentário, a Valdina defende – seria apenas opinião pessoal dela? – que as religiões devem estimular o indivíduo a lutar pelos seus direitos, pelo seu bem-estar na sociedade, e exigir que o estado cumpra seu dever. Esse não parece ser, entretanto, um dos ideais da fé cristã, não é mesmo? Jesus mesmo veio para estabelecer [e nos convidar a participar de] um reino que está acima de qualquer governo e Paulo nos estimulou (1 Tm 2:1-2) a orar pelas autoridades, e não a pressioná-las ou almejarmos seus cargos. Lutar por direitos seus e dos outros parece ser mais um dever (ou direito?) a ser cultivado durante a educação/formação de cada indivíduo como participante de uma sociedade organizada**, não?
 
* Veja o episódio 64
** Veja o episódio 66

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Sagrado (68º episódio): Judeus (atualizado)

Quinto episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Nilton Bonder está incumbido de comentar a afirmação:
1) Desde as antigas civilizações, a relação entre estado e religião sempre esteve muito próxima. Com a formação do estado sem interferência da religião nas sociedades contemporâneas, os poderes político e religioso passam a ser independentes, prevalecendo o estado de direito com sua pluralidade;
e responder à questão:
2) É legítimo que a religião sirva de base para ditar o comportamento de uma sociedade cuja alma é a diversidade?
 
Nathalia Timberg cita um provérbio asteca: “A terra será o que são os seus habitantes”.
 
 
 
 
 
 
O Nilton diz, ao comentar a afirmação do narrador, que desde o Antigo Testamento a bíblia separa o estado da religião, e cita o exemplo de Moisés (líder) e seu irmão Arão (sacerdote) para comprovar isso. Essa separação de que ele fala acontece do ponto de vista de atribuição, papel de cada um, mas não de forma absoluta como é pregado e defendido na sociedade de hoje; pois sabemos que Davi, por exemplo, foi escolhido rei por Deus, e não por votação de homens. O Nilton mesmo até diz que a religião era como uma supervisora dos que exerciam o poder! Dessa forma, podemos entender que o judaísmo, nos moldes do Antigo Testamento, não é uma crença religiosa muito boa para falar de laicidade dos governos, não é mesmo? Mas isso não é uma crítica não, viu? É só uma observação.
 
Infelizmente não deu pro Nilton concluir seu raciocínio na resposta à pergunta. Ele estava se preparando para dizer mais alguma coisa, mas aí o episódio acabou. A fala ficou incompleta!  :-((

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Sagrado (67º episódio): Espíritas

Quarto episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Cesar Perri está incumbido de comentar a afirmação:
1) Em todas as culturas e povos a religião participa da formação ética de indivíduos. Agora, a maioria dos países ocidentais considera que para haver democracia plena o governo deve ser neutro em relação à religião;
e responder à questão:
2) Apesar do ensino religioso nas escolas públicas do Brasil ser previsto por lei, o certo não seria que a educação religiosa fosse uma opção de cada família?
 
Carlos Vereza cita um provérbio brasileiro: “As necessidades unem. As opiniões separam”.
 
 
 
 
 
 
O Cesar mostra em sua resposta, mencionando o preâmbulo de nossa Constituição, que nossas próprias leis já sofrem a influência da crença dominante. É possível que coisa semelhante aconteça a vários outros países ocidentais. Aí vemos que fica difícil pensar num estado que seja 100% laico, isto é, quero dizer no sentido de ser laico desde sua criação, desde seus primórdios. Estado laico no sentido de não manifestar simpatia e/ou relação com essa ou aquela crença certamente há; porém, o Cesar lembra que o fato de ser laico não significa ser ateu! Neutralidade absoluta do estado em relação à religião parece ser algo utópico, não?
 
Aviso-Warning-Alerta

Aí, em relação ao termo ”ateu”, é interessante notar que pode haver até uma dificuldade dos próprios partidários desta posição em se definir e se compreender. É o que se nota ao ler o post Definição de ateísmo lá do blog APOLOGIA (muito bom, por sinal, este blog, viu?).

 
Na resposta à segunda pergunta o Cesar mostra que o espiritismo não concorda com a ideia da religião ser “ensinada” nas instituições educadoras, o que é bom se queremos um estado laico. No entanto, diz que elas “poderiam ter orientações de estímulo à religiosidade, ao cultivo da ética, da moral e de uma cultura de paz”. Como seria esse tal estímulo à religiosidade, hein? E a cultura de paz? Nós cristãos pensamos que a paz vai de dentro pra fora do indivíduo enquanto que na cultura de paz a coisa parece se inverter: o indivíduo é “educado”/preparado para praticar paz. Ele a praticaria porque é boa e uma forma inteligente de se portar, e não porque ele foi transformado internamente de forma a vivê-la plenamente (o que é o caso do cristão). Nas sugestões de leitura abaixo você notará que a cultura de paz conduz ao ecumenismo, algo com o qual temos de ter um certo cuidado.
 
 
Leia mais sobre cultura de paz:
Cultura de paz (Wikipedia)
A CULTURA DE PAZ em Comitê Paulista para a Década da Cultura de Paz 201 – 2010
Paz? Como se faz? – Semeando Cultura de Paz nas Escolas (Manual em PDF. Tem influência da Unesco)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Joyful 'toon: Crescer na graça

Joyful ‘toon mais recente. Este é o número 148.
 
 
 Joyful 'toon 148_Grow in grace PT.BR
 
 
Comentário do autor:

Deus não está contente por nos mantermos no ninho de Sua graça. Ele quer que cresçamos e desenvolvamos nossa fé e conhecimento sobre Ele para que possamos subir aos altos níveis de Sua graça.

 
 
Publicado aqui sob a autorização de Mike Waters (Joyful 'toons).
 
Versão em português produzida pelo próprio autor com o auxílio de tradução do Mural na Net.

Sagrado (66º episódio): Cristãos protestantes

Terceiro episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Israel Azevedo está incumbido de responder às questões:
1) Não é melhor para a democracia que os caminhos políticos avancem independentemente da doutrina religiosa dominante (sendo constitucionalmente respeitadas as diferentes crenças)?
2) A pressão das autoridades públicas por parte de líderes ou grupo religiosos não é uma interferência indevida nas decisões legais do estado?
 
Oscar Magrini cita Demóstenes: “É necessário que os princípios de uma política sejam justos e verdadeiros”.
 
 
 
 
 
 
O pastor Israel teve apenas de concordar com a afirmação feita na primeira pergunta, não foi mesmo? Assim, seus comentários mostraram que o cristianismo protestante concorda com o que foi dito. Mas será que a ideia da pergunta é vivida na prática? E o tal PL 122, o negócio lá da homofobia, que estão querendo aprovar? Ele cumpre o ideal apresentado? E se, como o Israel diz na resposta à segunda pergunta, devemos influenciar as políticas do estado visando o bem comum, não devemos pensar inclusive em nós mesmos no meio desse bem comum (pensar que nossas opiniões/posicionamentos precisam ser respeitados)? Se não for assim, para quê citar e ter como lema, quem quer que seja, crente ou não crente, a frase de Demóstenes lá em cima?

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sagrado (65º episódio): Cristãos católicos

Segundo episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Antônio Manzatto está incumbido de responder às questões:
1) A existência de uma religião oficial inevitavelmente não estimula o sectarismo*?
2) Existe real imparcialidade num estado que assume suas raízes cristãs?
 
Tony Ramos cita Confúcio: “Quem só conhece a justiça, não vale aquele que a ama”.
 
 
 
 
 
 
O padre Antônio não respondeu diretamente à primeira pergunta, mas apenas expôs porque não é bom que o estado tenha uma religião oficial. Tentei achar algo na net a respeito, mas só encontrei de bom o texto Brasil: sem religião oficial – laicidade ameaçada. Pelo que ele diz (tá até meio confuso), há um plano aí para que o nosso país volte a ter uma religião oficial – e ela seria o catolicismo. Talvez seja essa a razão dos editores da série terem reservado a pergunta 1 para o padre Antônio.
 
O argumento errôneo do narrador, antes da 2ª pergunta, quer dizer que se os prédios/órgãos públicos ostentam símbolos cristãos, é porque o estado não é imparcial, isto é, não demonstra ser efetivamente laico. O Antônio, porém, traz uma resposta bem adequada. Só achei que, a exemplo de alguém que vi em algum meio de comunicação há pouco tempo, ele deveria dizer que o estado pode ser laico, mas que aqueles que o constituem não o são; e complementaria dizendo que se os símbolos cristãos continuam lá é porque certamente pouca ou nenhuma oposição foi feita à sua permanência nesses locais. É provável que ninguém tenha se ofendido por eles.
 
Quanto ao fato de nossa Constituição mencionar Deus, acho isso uma insinuação meio burra. Um de meus professores de história disse certa vez que as leis de várias nações ocidentais são influenciadas e embasadas em princípios bíblicos. Na formação desses textos deve ter havido consenso de que os valores da fé cristã são louváveis e aceitáveis, não? O que se quer fazer agora? Vasculhar a Constituição e remover tudo que tenha influência de qualquer fé/crença? Será que, removidas as influências cristãs, sobra algo realmente justo nas leis, nós códigos? Será que a própria noção de “justiça” não sumiria?
 
* sectarismo: estreito espírito de seita; espírito ou atitude sectária; intolerância/intransigência (Dicionário Aurélio, edição de 2004)

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sagrado (64º episódio): Muçulmanos

Hoje  é iniciada mais uma rodada de episódios, e o tema do momento é Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Armando Saleh está incumbido de responder às questões:
1) Da mesma forma que num governo laico o estado respeita todas as crenças, sem manifestar preferência por nenhuma, o certo não seria que a religião não interferisse na gestão pública?
2) É possível aos líderes religiosos que conquistam cargos políticos cumprir plenamente com o exercício democrático sem que a crença interfira nas questões de estado?
 
Stenio Garcia cita um provérbio africano: “A união do rebanho obriga o leão a ir dormir com fome”.
 
 
 
 
 
 
As perguntas feitas são bem apropriadas – e novamente digo que o ideal era que todos os representantes das religiões respondessem às mesmas questões. O problema, porém, é que foram feitas a um seguidor do islamismo, crença em que o estado e a religião se confundem. Uma prova disso está nas respostas do xeique. Nas duas questões o narrador refere-se ao estado laico (na primeira é explícito e na segunda fica implícito); entretanto, em seu posicionamento o Armando não separa uma coisa da outra – chega até a afirmar que o Estado sem religião é como um corpo sem alma.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Sagrado (63º episódio): Religiões afro-brasileiras

Sétimo e último episódio tratando do tema “Liberdade sexual (orientações de gênero, poligamia)”. Valdina Pinto está incumbida de responder às questões “Para a sua religião (candomblé) há tabus intransponíveis?” e “Como as relações homossexuais são vistas pela sua religião (candomblé)?”. Juliana Paes cita Arthur Schopenhauer: “O mundo no qual cada um vive depende da maneira de concebê-lo, que varia, por conseguinte, segundo a diversidade das mentes”.
 
 
 
 
 
 
De todas as religiões/credos abordados na série, as afro-brasileiras (candomblé, no caso da Valdina) parece ser a que menos impõe limites e regras, como se pode notar das palavras de sua representante. Você pode ter o comportamento sexual que for, banda-voou*, que eles te aceitam e não te encorajarão a mudar; basta que você faça a vontade das divindades. As religiões afro-brasileiras nem mesmo possuem livros sagrados – você sabia? – e a Valdina diz que a crença foi reconstruída, refeita, em algum momento aqui no Brasil. Crenças que, a exemplo do espiritismo e do budismo (veja aqui), andam se reformulando (se adaptando?) merecem tanta confiança?
 
* banda-voou = Cuca fresca, pessoa largada; quem topa tudo [segundo o Só se vê na Bahia, mas, apesar do nome do site, a expressão também é comum aqui em Alagoas]

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Sagrado (62º episódio): Judeus

Sexto episódio tratando do tema “Liberdade sexual (orientações de gênero, poligamia)”. Nilton Bonder está incumbido de responder às questões “Como a religião encara uma vivência mais plena da sexualidade?” e “Numa sociedade que passa a aceitar uma liberdade sexual cada vez maior, ainda há espaço para o discurso religioso e espiritual?”. Nathalia Timberg traz a citação: “A liberdade consiste em fazer tudo o que não prejudique o próximo” que é o 4º artigo da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.
 
 
 
 
 
 
Na verdade, a primeira pergunta quer dizer “Como a religião encara uma vivência mais livre [ou libertina?] da sexualidade?”, e você nota isso atentando para a fala do narrador que vem logo antes, está claro. Observe que o uso da palavra “plena” é para que o discurso anterior às palavras do rabino passe a ideia de que o questionamento dos valores tradicionais e conservadores levou à superação de coisas ultrapassadas, caretas e “nada a ver” de forma a permitir às pessoas viverem uma sexualidade mais legal, agradável, prazerosa e sem limites tolos. Não concordam? É por isso que citaram o 4º artigo da DDHC lá em cima. Querem (a Globo, uma organização secreta, o inimigo?) nos fazer crer que se no exercício das fantasias sexuais mais loucas – ou no exercício da vida sexual dentro um relacionamento a dois – o(a) parceiro(a) concorda e sente prazer com o que é praticado, que mal há nisso? Perceberam? A resposta do Nilton, porém, apesar de curta, esclarece bem as coisas.
 
A resposta do Nilton à segunda pergunta é SIM, pois ele confessou que pessoas o procuram buscando aconselhamentos em relação ao assunto.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sagrado (61º episódio): Espíritas

Quinto episódio tratando do tema “Liberdade sexual (orientações de gênero, poligamia)”. Cesar Perri está incumbido de responder às questões “Como o espiritismo encara as consequências da revolução sexual (maior liberdade para homens e mulheres expressarem seus desejos e viver plenamente a sexualidade)?” e “Devemos seguir um único modelo conjugal (isto é, o modelo tradicional)?”. Carlos Vereza cita Liev Tolstoi: “Não alcançamos a liberdade buscando a liberdade, mas sim a verdade. A liberdade não é um fim, mas uma consequência”.
 
 
 
 
 
 
“Amor” foi confundido com “relação sexual” na resposta à primeira pergunta. E não foi amor numa conotação de “paixão”, foi amor no sentido verdadeiro! Isso tornou o posicionamento um tanto confuso.
 
A parte final da resposta do Cesar à segunda pergunta bem que deveria ser sua única fala na resposta. Muito boas as palavras dele: “Se há realização do amor entre elas (as duas pessoas que formam um casal), não haveria necessidade de buscas de outras parcerias”! Porém, ao introduzir sua resposta, ele diz que está falando dentro do contexto família. Com isso, ele estaria querendo dizer que não sendo o casal ainda uma família, a busca de outros parceiros (prática de relações múltiplas) seria admissível?
 
Muito boa também a frase do Tolstoi.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sagrado (60º episódio): Cristãos protestantes

Quarto episódio tratando do tema “Liberdade sexual (orientações de gênero, poligamia)”. Israel Azevedo está incumbido de responder às questões “Como a religião tem acompanhado as mudanças e aumento da liberdade nas relações afetivas e sexuais entre homens e mulheres decorridos da queda de preconceitos?” e “A religião aceita com tranquilidade as relações conjugais mais igualitárias onde a sexualidade feminina não é reprimida? E aceita que a mulher tenha conquistado o direito de expressar mais livremente seus desejos e de se relacionar melhor com o próprio corpo?”. Oscar Magrini cita John Locke: “A necessidade de procurar a verdadeira felicidade é o fundamento da nossa liberdade”.
 
 
 
 
 
 
Uma coisa que talvez tenhamos até dificuldade de entender, ao longo dos episódios do tema atual, é o significado da expressão “liberdade sexual” – mas busque no Google e veja que o assunto é debatido e explicado em vários sites, apesar de ser polêmico.
 
Os questionamentos levantados no episódio são complexos e me pareceu que mereciam ser melhor explicados e pormenorizados antes da palavra ser passada ao pastor Israel. Porém, foram boas respostas dele mesmo que o tempo não tenha sido suficiente para se expressar mais na resposta à segunda pergunta, não? Foi bastante positivo embasar as respostas na bíblia.
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