segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Sagrado (65º episódio): Cristãos católicos

Segundo episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Antônio Manzatto está incumbido de responder às questões:
1) A existência de uma religião oficial inevitavelmente não estimula o sectarismo*?
2) Existe real imparcialidade num estado que assume suas raízes cristãs?
 
Tony Ramos cita Confúcio: “Quem só conhece a justiça, não vale aquele que a ama”.
 
 
 
 
 
 
O padre Antônio não respondeu diretamente à primeira pergunta, mas apenas expôs porque não é bom que o estado tenha uma religião oficial. Tentei achar algo na net a respeito, mas só encontrei de bom o texto Brasil: sem religião oficial – laicidade ameaçada. Pelo que ele diz (tá até meio confuso), há um plano aí para que o nosso país volte a ter uma religião oficial – e ela seria o catolicismo. Talvez seja essa a razão dos editores da série terem reservado a pergunta 1 para o padre Antônio.
 
O argumento errôneo do narrador, antes da 2ª pergunta, quer dizer que se os prédios/órgãos públicos ostentam símbolos cristãos, é porque o estado não é imparcial, isto é, não demonstra ser efetivamente laico. O Antônio, porém, traz uma resposta bem adequada. Só achei que, a exemplo de alguém que vi em algum meio de comunicação há pouco tempo, ele deveria dizer que o estado pode ser laico, mas que aqueles que o constituem não o são; e complementaria dizendo que se os símbolos cristãos continuam lá é porque certamente pouca ou nenhuma oposição foi feita à sua permanência nesses locais. É provável que ninguém tenha se ofendido por eles.
 
Quanto ao fato de nossa Constituição mencionar Deus, acho isso uma insinuação meio burra. Um de meus professores de história disse certa vez que as leis de várias nações ocidentais são influenciadas e embasadas em princípios bíblicos. Na formação desses textos deve ter havido consenso de que os valores da fé cristã são louváveis e aceitáveis, não? O que se quer fazer agora? Vasculhar a Constituição e remover tudo que tenha influência de qualquer fé/crença? Será que, removidas as influências cristãs, sobra algo realmente justo nas leis, nós códigos? Será que a própria noção de “justiça” não sumiria?
 
* sectarismo: estreito espírito de seita; espírito ou atitude sectária; intolerância/intransigência (Dicionário Aurélio, edição de 2004)

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