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Sagrado (70º episódio): Budistas

Sétimo e último episódio tratando do tema Estado laico (limites entre religião e Estado; movimentos religiosos no Congresso Nacional). Padma Samten está incumbido de comentar a afirmação:
1) Política e religião tem interesses próprios e ideologias distintas. Na maioria das sociedades ocidentais o estado e a religião são separados por lei, mas a mistura ainda tem sido inevitável.
e responder à questão:
2) Pode haver justiça quando a política é parcialmente controlada por uma ideologia religiosa?
 
Christiane Torloni cita Oscar Wilde: “O estado existe para realizar o que é útil; o indivíduo, para realizar o que é belo”.
 
 
 
 
 
 
Em resumo, o que o Padma quis dizer na primeira parte foi que ter um estado totalmente laico é difícil em virtude das ideias dentro da cabeça daqueles que o constituem serem influenciadas pela visão cultural vigente — deixando implícito que a religião faz parte da cultura. E ele crê que misturar o estado com a religião pode trazer mais dificuldades. Vemos, então, que é quase unânime a opinião dos representantes das religiões de que o estado não deve se ligar ou ser influenciado por religião alguma. A única exceção é o islamismo.
 
A pergunta soa meio preconceituosa, pois parece insinuar que as crenças religiosas não sabem ou não têm a menor noção do que é justiça. É claro que pode haver justiça num estado influenciado por uma crença: a justiça segundo a visão dessa religião (podendo ser mesclada com uma concepção de justiça irreligiosa, que foi construída sem influência alguma de qualquer religião, se é que isso realmente é possível)! O lama vem alegar que o exemplo passado de nações que confessavam uma religião específica mas souberam respeitar a diversidade de credos são provas de estados religiosos onde houve justiça. Tudo bem que com isso ele queira demonstrar que se um estado religioso respeita todas as outras confissões religiosas, então isso já demonstra que ele pratica alguma justiça (nesse caso, a igualdade de direitos); entretanto, creio que o narrador referia-se a uma noção mais geral de justiça quando fez a pergunta. E o fato do lama ter se referido a “exemplos de nações do passado” leva-nos a crer, se ele é um homem bem informado, que ele afirma não serem os estados islâmicos praticantes da justiça, percebeu?

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