quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Amém, Amém.

De tudo que há para se dizer amém,
certamente o que nos move a amar
é o que se deve perseguir, e convém
que se desprenda do muito clamar.
Não precisamos de mais nada.
Nada nos pode deixar em paz,
nem o choro nem a risada,
horizonte, o essencial e fugaz.

Você não precisa de um deus,
nem precisamos de um sonho.
Não precisamos dos ateus,
nem de um rito enfadonho.
De tudo que dizem necessário
e que só faz escoar pelos ralos,
dos verbos e dos predicados,
só preciso do amor e de amar.

Você não precisa da Veja.
Você não precisa da Net.
Você não precisa da igreja...
E nem precisa dar certo.
Você não precisa de auto-ajuda,
não precisa vencer,
nem vir a ser,
estabelecer...

Nem de família nos porta-retratos,
se o amor se desprende dos atos...
Nem de amigos aos montes, Orkut,
se não curtes afeto, abraço.
Não preciso carregar tralhas,
nem falhas ter que preencher.
Sem amar e sem amor, vou ser
eu próprio uma fenda no mundo.

Se a uma coisa só devesse me agarrar,
como quem ao filho do abismo salva,
e se do amor fizesse corda e aljava,
dele e só dele não me deixaria esgarrar.
De tudo o que seja imprescindível,
- não como uns barcos de papel
que, encharcados do tempo pesado,
vêm-se desmanchar e naufragados
- fica só o só amor impermeável.

Você não precisa de sabedoria,
pasmem, nem da poesia.
Quebram-se em mil letrinhas
se do vaso se entorna o amor.
Não precisamos do silêncio,
da paz ou da solidão.
Segurança da experiência,
amuleto da oração.
Não precisamos de irmão.
Mito, guru, padre, pastor...
Se da fé se exorciza o amor.
De onde vem que nos seja dado,
emergir do oceano das vaidades
sem a nenhum amor estar agarrado?

De tudo o que se deve temer,
e que tornam desveladas as noites,
habitar-se num’alma sem amor,
será e é meu querido e único algoz.
 

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