A palhaçada começou, os púlpitos-palanques já estão montados, e a campanha pelos votos de cabresto começa a todo gás. E quem saiu na frente este ano (ao menos com cobertura grande da mídia) foram os nossos queridíssimos GIDEÕES “missionários da última hora”. Aliás, nunca o slogan dos Gideões foi tão bem aproveitado como em seu último congresso em Camboriú, Santa Catarina.
Os tucanos que governam respectivamente o estado de Santa Catarina e a prefeitura de Camboriú injetaram 540.000 mil reais no 28º Congresso Internacional de Missões dos Gideões, o que foi chamado de “Dízimo Tucano”. O estado entrou com 300.000 mil e a prefeitura de Camboriú com 240.000, custeando assim dois terços do evento que foi orçado em 800.000. Os dados foram apresentados pelo repórter Graciliano Rocha e levados às páginas da Folha de São Paulo.
Em uma explícita demonstração de desrespeito à Lei 9.504/97 e ao artigo 13 da resolução 22.718/2008 do Tribunal Superior Eleitoral, o presidenciável José Serra discursou para os milhares de fiéis em tom emocionado e fazendo várias citações bíblicas. Ele declarou: “Orem, rezem a Deus, por mim no sentido de eu ter mais sabedoria para enfrentar as batalhas e as lutas que nós temos daqui por diante"; e foi saudado como “futuro presidente da república”.
O pastor Cezinho Cavalcante conclamou os fiéis a orarem para que o pré-candidato se elegesse e convidou José Serra a voltar no próximo congresso em 2011 como presidente da república. E disparou mais: “Esse povo não só ora como vota. Haverá um rebuliço enorme no país”. O candidato tucano disse amém e saiu fazendo o V da vitória.
Diante de uma aberração como esta, a pergunta que nos vem a mente é: Onde estão as nossas autoridades que não tomam uma providência quanto a estes abusos? Porque estes pastores não são multados? Quem porá um freio nesta pilantragem que já há algum tempo tem tomado conta dos púlpitos de “igrejas”em todo o Brasil? Confesso que estou com medo de ir até mesmo para o culto, pois, pasmem já vi e ouvi senas bizarras executadas por pseudo pastores, homens que deviam zelar pela palavra e orientar o povo a uma verdadeira cidadania, e não manipular massas para interesses políticos de terceiros.
Não é de hoje que pastores têm transformado púlpitos em palanques, lançam "candidatos da igreja” alegando que eles estão Lá para defenderem os direitos dos irmãos, o que por si só já é uma aberração visto que os homens públicos devem zelar pelos direitos de todos, sejam eles crentes, católicos, espíritas ou ateus, e não por um grupo específico, ou usam sua autoridade para manipular as massas que controlam em favor de interesses nada ortodoxos.
Acreditem, já presenciei em pleno culto de santa ceia pastor afirmar que: “Quem não votasse no candidato do seu pastor, estaria indo de encontro ao pastor, logo estaria em pecado”! Confesso que me sinto envergonhado, pois presenciei isto em uma eleição passada e me acovardei, fiquei calado. E me arrependo até hoje por não haver me manifestado contra aquele verdadeiro crime.
A corrida pelo poder começou, e os competidores já estão aí (pastores, diáconos, bispos, presbíteros...). Todos querem uma chance de poder defender os “direitos e os princípios cristãos” na sociedade. Não, obrigado!
Não preciso e nem quero a proteção dos senhores políticos “evangélicos”. Não quero político lutando em plenário por um feriado para Cristo ou fazendo orações por propinas recebidas, alegando serem benção de Deus.
Não quero pastores manipuladores, que já fazem um estrago desgraçado em nosso meio, ampliando sua ação destrutiva para além dos templos.
Não quero slogans podres do tipo "Crente vota em crente" ou "Este é de Deus". Não! Chega! Se querem se candidatar a qualquer cargo publico, o façam longe dos templos. Não usem Deus como cabo eleitoral, e respeitem os nossos púlpitos e templos.
Quanto a nós, é hora de darmos um basta nessa nesta prática criminosa dentro de nossos templos. Ao primeiro sinal de uso dos templos como curral eleitoral, denuncie! Faça isso em uma delegacia ou em um cartório eleitoral.
Cabe a nós colocarmos um fim nesta farra que tem transformado lugares de adoração em trampolim para raposas e lobos oportunistas saciarem sua sede de poder .
Por Gonzaga Junior
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