quarta-feira, 26 de maio de 2010

Lost: como afundar uma série excelente em apenas uma temporada



Lost acabou, e confesso que ainda não digeri o final. E que final medíocre para uma série tão fantástica! Um monte de mistérios sem soluções, um final sem respostas. O fato é que depois de 121 episódios e 6 temporadas os fãs ficaram mais perdidos que os passageiros do voo 815 da Oceanic. Mas não vou escrever mais um texto sobre o final da série. Quero apenas dizer que foi decepcionante. E lendo os comentários na rede encontrei um post incrível do Felipe Storino do www.nerdssomosnozes.com, para mim o melhor comentário sobre o fim desta que foi uma série incrível mas que no final, como diz o título do texto do Felipe, acabou afundado.


"A menos que você, leitor, tenha passado os últimos meses em outro planeta, já deve saber que Lost chegou ao fim, com um episódio de duas horas e meia de duração. Foram seis longos anos esperando por respostas para os mais intrigantes mistérios; a cada resposta, surgiam dezenas de outras perguntas. Mas eis que, finalmente, chegou o dia de obter todas as respostas, certo? Infelizmente, não.

Para a tristeza dos fãs, a temporada que deveria responder a tudo e encerrar com chave de ouro uma das melhores séries dos últimos anos, só confundiu ainda mais a cabeça de todo mundo. As poucas respostas não foram nada satisfatórias e vários mistérios considerados importantes foram simplesmente deixados de lados. Os mais fanáticos que me desculpem, mas essa história de “quem não gostou do final é porque não entendeu” é coisa de quem não quer admitir que se decepcionou. E não tem como não se decepcionar quando um seriado termina com um Deus Ex Machina ridículo como foi o caso de Lost.

A última temporada prometia, começou mostrando uma realidade alternativa e a ilha no fundo do oceano, dando a entender que a explosão da bomba no final da temporada anterior havia funcionado. Porém, o que tinha tudo para ser sensacional, acabou se mostrando uma sucessão de erros que nem o mais cético dos fãs poderia imaginar. Os misteriosos números, que apareciam em todos os lugares desde a primeira temporada, tiveram uma explicação tão patética que cheguei a ficar com vergonha pelos roteiristas. O Jacob simplesmente gostava de números e adicionou um para cada candidato a substituí-lo como guardião da ilha. E por falar nos candidatos, mais uma vez foi criada uma expectativa que não foi correspondida. Fãs discutiam na internet sobre os motivos pelos quais Kate não era mais uma candidata, afinal o nome dela estava riscado na caverna. E quando finalmente Jacob resolveu conversar com todos ele diz que o cargo poderia ser de quem quisesse, até da Kate!

Mesmo com tudo isso, ainda existia esperança, principalmente porque o episódio 15 (Across the Sea) prometia trazer várias respostas importantes. Mais uma vez as coisas não foram bem como o anunciado. Foi um episódio inteiro apenas para mostrar quem eram Adão e Eva, da primeira temporada, além de mostrar como o Fumaça virou o Fumaça e que Jacob é um verdadeiro mané. Sem contar que, faltando apenas dois episódios para o final, eles colocaram mais um mistério: a luz no coração da ilha. E como tudo que está ruim pode piorar, veio o último e terrível episódio.

A primeira parte do final se resumiu à batalha entre Jack (o novo guardião da ilha) e o Fumaça, com direito a uma luta repleta de clichês no alto de um penhasco. Teve direito até a cena em que Jack está prestes a ser morto e aí, na hora H, a Kate dá um tiro nas costas do Fumaça (que perdeu os poderes graças ao Desmond, que apagou a luz da ilha). Para a metade final do episódio ficou a expectativa de como as duas realidades iriam se encontrar. E eis que vem a grande revelação: a realidade paralela na verdade era uma espécie de purgatório onde todos se encontram depois que morrem.

A impressão que tive ao assistir o final de Lost, foi de que os roteiristas não tinham a mínima idéia de como responder pelo menos alguns mistérios. Resolveram seguir o caminho mais fácil e deixar subentendido que tudo que não teve explicação seria algo místico. Realmente frustrante. Mas se o misticismo poderia ser suficiente para a Ilha e para a luz, como ficam casos como o de Walt, por exemplo? O garoto era importantíssimo nas primeiras temporadas, Os Outros fizeram experiências com ele, e tudo para ele ser simplesmente deixado de lado. Outro furo que nem os mais fanáticos podem deixar passar é: por que diabos o Jacob esperou séculos (literalmente) até finalmente escolher alguém pra derrotar o Fumaça? E por que tinha que ser alguém do vôo Oceanic 815 e não alguém que já estava na ilha, como Ben ou Widmore? Jacob ainda decepcionou ao mostrar que também não sabia nada sobre a ilha, que era apenas mais um mané que estava ali de passagem. Quer saber por que a ilha viaja no tempo? Sinto muito, nada de respostas. Por que o guardião da ilha não envelhece? Desculpe, nada aqui também.

Verdade seja dita, além de não saber como responder certas coisas, acho que também faltou humildade aos produtores da série. Com tanta teorias interessantes pipocando pela internet, parece que eles quiseram mostrar um final que ninguém acertasse, simplesmente pra se sentirem os fodões. Como todas as boas teorias já tinha sido usadas pelos fãs, o final de Lost acabou sendo a merda que foi.

Enfim, eu não me arrependo de ter acompanhando a série, afinal, ela teve momentos memoráveis, como a abertura da escotilha ou a descoberta de que o Fumaça estava se passando pelo Locke. Mas, como fã da série, não consigo deixar de me sentir enganado com esse final que não responde absolutamente nada. E não adianta dizer que Lost não dá as respostas mastigadas, que é preciso imaginar e pesquisar fora da série. Ora, nem todos tem tempo de acompanhar os trocentos ARGs de Lost e, como diz o FiliPêra, “Se for pra ter que ficar imaginando tudo, eu crio meu próprio seriado”.


Felipe Storino

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