segunda-feira, 3 de maio de 2010

A maldita lei dos crentes - Parte 2



Por Pedro Fortunato

Muitos líderes evangélicos usam da “lei dos crentes” para impor o seu domiíio sobre a congregação. Esses são os obreiros fraudulentos, os falsos irmãos denunciados pelo apóstolo Paulo em suas cartas. Outros são melhor intencionados, realmente acreditam estar pregando o evangelho da graça, estão dando o que receberam, por vezes da outra classe de líderes, os fraudulentos.

Esses bem intencionados líderes não conhecem outra coisa senão regras, tradições e costumes, infelizmente; estão apenas andando na pouca luz que possuem, consequentemente conduzindo seus liderados por um caminho pouco iluminado e treinando ainda mais obreiros bem intencionados e sinceramente equivocados quanto ao que significa “ser crente”.

O resultado disto são pessoas frustradas, desviadas, e uma imagem negativa da igreja para o mundo, a de que somos chatos, moralistas e juízes, como ouvi certa vez de uma senhora muito irritada com seus vizinhos evangélicos: “Eles dizem que só eles vão pro céu, e que nós somos ímpios”.

A velha noção de que: “A benção para o que faz tudo certinho e desgraça para o que faz tudo errado”, parece ser uma mensagem puramente bíblica, mas não é de todo correta e deve ser bem analisada. Jesus falou que seu Pai faz o sol nascer para justos e injustos. O livro de Jó nos mostra que o justo também pode sofrer, e muitos salmos, em especial o 73, que o injusto, nesta vida, muitas vezes se dá bem. Paulo diz que Deus nos amou e que Jesus morreu por nós quando “ainda éramos pecadores”, e que o cristão deve se alegrar no sofrimento por causa do benefício espiritual, mostrando que nem todo sofrimento é resultado de pecado. Ainda não convencido? Então pense na maior benção que um homem pode receber, a vida eterna! Para quem ela foi dada? Para pessoas boazinhas que obedeciam as leis de Deus ou para os pecadores? Portanto, é preciso equilibrar a velha noção para não ficarmos cegos a tal ponto de substituirmos as boas novas pelas antigas!

Salvação mediante obediência de regras já era a mensagem judaica dos rabinos desde a época de Moisés, mas quando Cristo disse: “Não temais, pequenino rebanho, porque foi do agrado do Pai dar-lhes o Seu reino”; ele estava trazendo não a antiga mensagem que “pune os maus e recompensa os bons”, mas a boa nova que diz: “Não importa quão mau, indisciplinado, fraco, carente ou desprezado você seja. Não importa o quão difícil seja para você manter o que alguns taxam como santidade, não tenha medo! Foi do agrado do meu Pai dar-lhe o Seu reino”; embora nem você acredite mais em si mesmo, e não tenha mais paciência em repetir os mesmos erros, meu Pai acredita e eu morri por você!

Em seu livro “O antigo evangelho” J. J. Packer faz uma afirmativa profunda: "Deus salva pecadores!" Parece uma afirmativa banal, mas pense em todas as implicações desta maravilhosa frase! Foi Deus quem me salvou, e não foi com dinheiro ou coisas que se estragam, como diz Pedro em seus escritos, mas com o precioso sangue de Jesus, como de Cordeiro sem mácula! E se o próprio filho de Deus apanhou como um vagabundo de rua num dia de azar, só pra me ter perto dele, então, meu irmão, essa salvação tem que ser pra valer, como me disse um amigo certa vez: “Pra que me preocupar com minha salvação, se essa questão já foi resolvida?"

Devemos desenvolver a salvação! Alguém protestaria. Sim, conheço Filipenses, e sei que é com “temor e tremor”, mas se esse desenvolver significar viver uma obediência às leis da bíblia baseado num medo de que Deus vá me jogar fora a qualquer momento como a uma mulher histérica no meio da rua em plena noite de chuva, que, irada, joga fora o guarda-chuva que acabou de quebrar (espondo sua chapinha ao fracasso), então as afirmativas de João “E nós conhecemos, e cremos no amor que Deus nos tem” e “No amor não há medo, antes o perfeito amor lança fora o medo” simplesmente não fazem sentido! Como João depois afirma “O Medo supõe castigo, logo o que teme não é aperfeiçoado em amor”.

O encontro de Jesus com o Grande Inquisidor termina de forma interessante e expressa o remédio contra o legalismo, ou como fazer com que as pessoas pratiquem a ética bíblica, a verdadeira lei dos crentes, que são os mandamentos de Deus praticados em amor, sem essa paranóia de ir pro inferno. Sei que essa questão do legalismo é a pedra no sapato do cristianismo desde a época de Cristo, e ela nunca será totalmente sarada até que “andemos em ruas de ouro”, mas, pelo menos, creio que esse remédio é forte o suficiente para curar muitas feridas que já estão em nosso corpo.

Depois de desferir toda a acusação contra o “ingênuo idealismo” de Jesus, o Inquisidor se cala e espera uma resposta, por mais dura que seja da parte de Cristo. Jesus porém apenas se aproxima do velho inquisidor e “beija seus lábios velhos e enxagues”. “O mal com o bem se paga”. O Inquisidor deixa Jesus partir, e o beijo “fulgurava no coração do velho”, embora ele tenha continuado com seu mal intento. Creio que a única forma de realmente fazer um legalista entender a graça é expressando amor, pois a graça nada mais é do que o amor sacrificial de Deus pelos pecadores, inclusive os legalistas, por quem Jesus também morreu! Sei que muitos não vão entender - é só olhar a maioria dos fariseus -, mas alguns vão ouvir e considerar (lembremos de Nicodemos) e outros se converterão e mudarão de ideia, como Zenas, o doutor da lei convertido, que aparece no livro de Tito ou o próprio Saulo de Tarso!


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