quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Breve discurso teológico

por: Tonho




Senhoras e senhores, irmãos e irmãs aqui presentes. Por longos anos nós debatemos e tentamos, com todo empenho entender e formular uma sã doutrina de acordo com as palavras deixadas na Sagrada Escritura. Graças a esse esforço... esforço de padres, pastores, igrejas e outras instituições, teólogos, magistrados, tradutores... graças a eles, hoje temos em mãos uma Teologia coerente, digna de nossa confiança e credo. Glorifiquemos ao bom Deus pelo que obtivemos até agora...

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Porém… porém… ainda existem perguntas e dúvidas acerca de Deus e das Sagradas Escrituras que a Teologia ainda não respondeu. Pensando nisso, esta instituição que sempre foi símbolo de vanguarda e espírito inovador, esta instituição decidiu fazer algo sério e significativo para que possamos, finalmente conhecer a Teologia de maneira absoluta.

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Não quero me delongar mais, pois hoje deve ser uma noite para desfrutarmos de sua santíssima presença, unicamente. Por esta razão e por outras muitíssimo mais teológicas, dispensarei apresentações a ele que, nenhuma palavra pode descrever e nenhum homem pode conceber. Portanto, é com toda adoração, louvor e amor que recebemos o palestrante dessa noite, Jesus Cristo de Nazaré, o Deus encarnado...

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Sei que vocês todos estão bem animados com minha presença, agradeço a todos por tal demonstração. Porém, peço encarecidamente que me poupem, especialmente durante a palestra, de todos os aplausos e manifestações de louvor e adoração. Posteriormente, caso desejem, podemos ter um momento especial dedicado a esse tipo de atividade. Quero também agradecer à tradicional e renomada Universidade por esse convite. Depois de dois mil anos, eu já desejava mesmo retornar pra esclarecer alguns pontos do que falei e, creio eu, foram mal interpretados ao longo desse tempo. Serei breve, prometo.

Em primeiro lugar, vamos esclarecer minha relação com meu Pai, confesso que me admira que vocês brigaram tanto por algo tão simples. Mas eu perdôo vocês por não terem entendido o que eu disse, porque tampouco entendo toda essa complicação filosófica que vocês denominaram Trindade. Pois bem, é simples. Eu sou o Filho de Deus. Sendo assim, quem olha pra mim, vê meu Pai, que é Deus.

Tendo elucidado esta importante parte da minha Teologia, e espero que os livros possam ser corrigidos, podemos prosseguir pra outros conceitos também relevantes.

Gostaria de explicar o Reino de Deus, pois é fundamental para o entendimento de todo o resto. Admito a complexidade da definição e a dificuldade que vocês tiveram em compreender as diferentes interações do Reino com os homens, com a Igreja e a presente realidade. Pois bem, o Reino de Deus, na verdade, é uma moeda que uma mulher perdeu, e quando achou ela ficou muito feliz. Considerando tal fato, é importante que também seja ressaltado que, se uma mão impedir você de entrar no Reino, os colegas devem cortá-la fora. Aliás, é vital para a platéia reconsiderar não somente a valia da mão, como de muitos outros recursos, haja vista que felizes são os pobres, pois deles é o Reino de Deus.

Isto me traz ao tema da salvação. O que vocês tem que fazer pra serem salvos? Bom, existem diversos modos que eu posso dizer a mesma coisa, mas me parece que vocês não entenderam bem nenhum deles. Hora tendem pra um aspecto, hora pra outro. Tentarei então, explicar novamente com palavras mais simples e atuais.

Naquele dia vou separar as pessoas em dois grupos. Então direi aos que estiverem no lado direito: Venham, meus irmãos benditos! Entrem no Reino que foi feito desde a criação do mundo pra ser herança pra vocês. Pois vocês me deram de comer quando tive fome; de beber quando tive sede; me acolheram quando fui estrangeiro; me vestiram quando eu estava necessitado; vocês cuidaram de mim quando eu estive doente e me visitaram quando eu tava preso.

Então os justos vão perguntar: Senhor, quando te demos de comer, ou de beber? Quando te acolhemos, e te vestimos? Quando fomos te visitar? E daí eu vou responder: Vocês fizeram pra mim o que fizeram a algum dos meus menores irmãos.

Depois, direi aos da esquerda: Malditos, vão para o fogo inferno! Pois eu tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e nada me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês não me acolheram; necessitei de roupas, e vocês não me vestiram; estive enfermo e preso, e vocês não me visitaram.

Vocês também responderão: Senhor, quando te vimos com fome ou com sede ou estrangeiro ou necessitado de roupas ou enfermo ou preso, e não te ajudamos? E eu direi: Digo a verdade: o que vocês deixaram de fazer a alguns destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo. Obviamente, os primeiros irão para a vida eterna e os últimos para o fogo eterno.

Sinto que já tomei demasiado o tempo de tão ocupados teólogos, beatos, padres, pastores, médiuns e benzedores. Portanto, cônscio que cumpri minha tarefa de elucidar os pontos mais elementares do meu discurso, encerrarei minha participação nesta noite.

[mestre de cerimônias, sem graça, sobe ao palco e cochicha algo no ouvido de Cristo]

Estou também ciente que existem doentes na platéia e que esses vieram aqui pra que eu pudesse orar e curar vocês. Eu sei que em outro tempo, esta foi minha pratica, entretanto, não posso mais fazer isso. No caso, estaria invadindo a jurisdição do Espírito Santo, que veio justamente pra que vocês pudessem fazer isto uns pelos outros, no meu nome. Eu sei, eu sei, mas é impossível quebrar esta regra, pois demandaria uma burocracia celestial que vocês não tem idéia. Falando nisso, é hora de eu ir embora. Obrigado a todos, fiquem com minha paz, tchau.

Fonte: Underground

2 comentários:

Werbevan Castro disse...

rsrs... ótimo texto...

Deus abençoe!!

Anônimo disse...

Pois é, Werbevan! Explicações melhores que essas só se, talvez, explicasse como que para criançinhas.

Deus te abençoe Também!


JT Ollemhebb

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