segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Desconstrução

Mais um texto dissertando sobre as idéias que envolvem a igreja emergente. É um texto do Sandro Baggio para o Renovatio Cafe.

Desconstruindo a fé?

Tenho acompanhado com curiosidade, deleite e uma certa apreensão blogs e postagens de pessoas aqui no Brasil envolvidas no que me parece ser um “pensamento emergente” sobre Igreja e Cristianismo. É curioso ler as postagens pois elas revelam um pouco do que se passa na mente de muitos cristãos que estão perdidos na tensão dos conceitos (e pré-conceitos) de um mundo cada vez mais pós-moderno (ainda que minha suspeita é que a grande maioria não entende muito do que isso significa realmente, não importa, faz parte do pós-modernismo!).

Tenho prazer em perceber que, pelo menos, há mentes pensantes que não estão simplesmente engolindo dogmas e imposições de  pseudo-apóstolos e pseudo-profetas do Cristianismo “evangélico cada vez mais influenciado por idéias e práticas neo-pentecostais” brasileiro. Mas minha apreensão aumenta à medida que percebo uma tendência a um tipo de desconstrucionismo eclesiástico, sem apresentar nada de concreto em seu lugar.

Parece que meter-o-pau na Igreja virou moda do dia entre um grupo de cristãos pensantes. De repente, todo mundo quer expressar seus traumas e desconfortos com relação a sua experiência cristã e, ao fazer isso, colocar em dúvida o valor de ser da Igreja como um todo e do próprio Cristianismo. Alguns me parecem ser tão ingênuos a ponto que sugerir que tudo o que aprendemos e experimentamos até agora está errado. Dois mil anos de história do Cristianismo são jogados no vaso sanitário de muitas conversas “emergentes” como se não tivessem valor algum para essa geração em busca do “novo Cristianismo”. A ironia na grande maioria dos casos que tenho observado é que, ao tentar iniciar algo “novo”, o que vemos não é nada novo, na realidade, mas apenas uma versão atualizada do velho. Já dizia o sábio Salomão que “nada é novo debaixo do sol.”

O que me surpreende (e causa medo) é ver pessoas que expressam o desejo de seguir Jesus (e acredito na sinceridade delas) mergulhando em conceitos pós-modernos como se, por meio destes, fosse possível chegar mais próximo do Caminho de Jesus. O problema é que, quando se adota as idéias de Derrida e outros filósofos pós-modernos como filtro para a compreensão do Evangelho e da fé, não sobra mais nada de concreto, somente dúvidas e incertezas. E a fé verdadeira envolve certeza e convicção, conforme disse o escritor cristão da carta aos Hebreus (11.1). Paulo certamente não entendia tudo sobre Deus, mas é impossível ler suas cartas sem encontrar nelas muitas certezas e convicções. Eu não sei tudo sobre Deus (e nunca saberei), mas eu sei em quem tenho crido, estou convicto de que nada me separará de Seu amor por mim.

Eu prefiro seguir o caminho inverso, prefiro ler Derrida e qualquer outra filosofia com o filtro do Evangelho. E sugiro a todos que estão buscando seriamente seguir Jesus, que façam o mesmo. A base de toda discussão (e compreensão) sobre a Igreja e a fé cristã precisa ser Jesus e seus ensinamentos. Perder isso de vista, é perder tudo.

Como todo mundo sabe (ou deveria saber) demolir é sempre mais fácil do que construir. O desafio para a geração de cristãos emergentes não é tanto desconstruir e demolir, mas sim construir e edificar. E no caso da Igreja e da fé cristã, não é possível construir sobre o nada (sobre o everything you know is wrong – tudo que você conhece está errado). A Igreja e fé cristã só são edificadas sobre um fundamento sólido de Cristo conforme anunciado pelos apóstolos e profetas (Escritura).

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