segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Uma Trindade de Vozes


Pense no plano de Deus como sendo uma série de Vozes. A primeira Voz, tremendamente alta, teve algumas vantagens. Quando a Voz falava da fumegante montanha no Sinai, ou quando o fogo lambeu o altar no Monte Carmelo, ninguém podia negá-lo.Porém, surpreendentemente, mesmo aqueles que ouviram a Voz e temeram-na — por exemplo, os israelitas no Sinai e no Carmelo — logo aprenderam a ignorá-la. Até o barulho da Voz criava confusão. Poucos deles foram à procura daquela Voz; um número ainda menor perseverou quando a Voz se calou.


A Voz modulou com Jesus, o Verbo feito carne. Por umas poucas décadas a Voz de Deus assumiu o timbre e volu¬me e sotaque caipira de um judeu interiorano da Palestina. Era uma voz humana comum, e, embora ela falasse com auto¬ridade, não levou as pessoas a fugirem e a esconderem o ros¬to. A voz de Jesus era suficientemente suave para alguém po¬der discutir com ele, suficientemente suave para poder matá-lo

Depois da partida de Jesus, a Voz assumiu novas formas. No dia de Pentecostes, línguas — línguas — de fogo caíram sobre os fiéis, e a igreja, o corpo de Deus, começou a tomar forma. A última Voz é tão próxima quanto um sopro, tão sua¬ve quanto um cochicho. É a mais vulnerável de todas as Vozes, e a mais fácil de se ignorar.

A Bíblia diz que se pode "apagar" ou "entristecer" o Espírito. (Tente apagar a sarça ardente que falou a Moisés ou as rochas derretidas no Sinai!) Entretanto, o Espírito também é a Voz mais íntima e pessoal. Em nossos momentos de fraqueza, quando não sabemos o que devemos orar, o Espírito que vive dentro de nós intercede em nosso favor com gemidos que palavras são incapazes de expressar.
O Espírito não irá retirar toda frustração que sentimos para com Deus. Os próprios títulos dados ao Espírito — Intercessor, Ajudado, Conselheiro, Consolador — presumem que existirão problemas. Mas o Espírito também é um "penhor", uma garantia do que ainda vem, disse Paulo, utilizando uma metáfora terrena emprestada do mundo financeiro. Ele nos lembra que tais desapontamentos são temporários, um prelúdio para uma vida eterna com Deus. Deus julgou necessário restaurar o elo espiritual antes de recriar céus e terra.

Em dois lugares o Novo Testamento compara o ser cheio do Espírito Santo com o estado de embriaguez comum. Am¬bas as situações alteram a maneira como você encara as tribulações da vida, mas há uma profunda diferença entre elas. Muitas pessoas voltam-se para a bebida, por exemplo, para afogar a tristeza do desemprego, enfermidade e tragédia pessoal. É inevitável, contudo, que o bêbado tenha de acordar do mundo de fantasia que é a embriaguez e voltar para a realida¬de inalterada. Mas o Espírito segreda-nos acerca de uma nova realidade, uma fantasia que é realmente verdade, uma verdade na qual despertaremos por toda eternidade.

Philip Yancey- Decepcionado com Deus

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