quinta-feira, 30 de abril de 2009

Ministério de Louvor Deixa-me Tocar

[Som do Mural]
Lembram-se da música Deixa-me tocar? Uma música cujo trecho inicial diz “Deixa-me tocar em Ti. Se Tuas vestes eu tocar sararei. Desprezível vou ficar e Te clamar; até o Senhor me ouvir e me curar; até o Senhor chamar e me sarar” e que já foi tocada algumas vezes nos nossos cultos das quintas-feiras? Essa música é do Ministério de Louvor Deixa-me Tocar, o ministério de louvor da Comunidade Evangélica Pentecostal Fonte de Água Viva em Belford Roxo, antes chamados de Ministério de Louvor Fonte de Água Viva.
Capa do CD do Ministério de Louvor Deixa-me Tocar
[Capa do disco]
Eles têm página tanto no MySpace como no Palco mp3 e lá você pode saber mais a respeito da história deles, ver fotos, vídeos e, o que que é muito bom, baixar as músicas do seu CD no formato mp3 (parece que só dá pra baixar a partir do Palco mp3). Você também vai encontrar lá as cifras e as letras das músicas! Apesar das versões das músicas disponíveis para download terem sido gravadas numa apresentação ao vivo, a qualidade delas é boa. Agora, uma duas ou três músicas não estão completas, ou seja, o arquivo mp3 tem só uma parte inicial delas [pelo menos tava assim quando baixei as músicas há mais de um mês].
Abaixo, seguem os clipes de duas músicas: Deixa-me tocar e Operando Deus:

Mera coincidência?

old bible opend up on window sill with palms off to the side O menor capítulo da Bíblia é o Salmo 117.

O maior capítulo da Bíblia é o Salmo 119.

O capítulo central da Bíblia é o Salmo 118.

Há exatamente 594 capítulos antes e depois do Salmo 118.

Somando estes números (594+594), teremos 1188.

O versículo central da Bíblia é o Salmo 118:8.

Esse versículo, que é o centro físico da Revelação Bíblica - fala algo significante acerca da perfeita vontade de Deus para nossas vidas.

“MELHOR É BUSCAR REFÚGIO NO SENHOR DO QUE CONFIAR NO HOMEM”
(Salmo 118:8)

Simples coincidência ou uma mensagem direta ?
 
 
Beatriz Mocelin no Grupo Evangélico do TC-PR

Como fazer um bebê

Sua dúvidas chegaram ao fim! O vídeo abaixo mostra como são feitos os bebês, ou seja, como todos nós um dia fomos fabricados – com exceção de Adão e Eva, é claro!
 
 

quarta-feira, 29 de abril de 2009

A cigarra e a formiga

Você já ouviu falar da fábula da cigarra e da formiga? Provavelmente já leu a versão original de La Fontaine, que é do século 17, mas não conhece a versão de Monteiro Lobato, do século 20, uma fábula-parábola…
 
 
Rogério Doki (UOL) Houve uma jovem cigarra que tinha o costume de chiar ao pé do formigueiro. Só parava quando cansadinha; e seu divertimento era observar as formigas na eterna faina [1] de abastecer as tulhas [2].

Mas o bom tempo afinal passou e vieram as chuvas. Os animais todos, arrepiados, passavam o dia cochilando nas tocas.

A pobre cigarra, sem abrigo em seu galhinho seco e metida em grandes apuros, deliberou socorrer-se de alguém.

Manquitolando [3], com uma asa a arrastar, lá se dirigiu para o formigueiro. Bateu – tique, tique, tique...

Aparece uma formiga friorenta, embrulhada num xalinho de paina [4].

– Que quer? – perguntou, examinando a triste mendiga suja de lama e a tossir.

– Venho em busca de agasalho. O mau tempo não cessa e eu...

A formiga olhou-a de alto a baixo.

– E que fez durante o bom tempo que não construí a sua casa?

A pobre cigarra, toda tremendo, respondeu depois dum acesso de tosse.

– Eu cantava, bem sabe...

– Ah!... exclamou a formiga recordando-se. Era você então que cantava nessa árvore enquanto nós labutávamos para encher as tulhas?

– Isso mesmo, era eu...

Pois entre, amiguinha! Nunca poderemos esquecer as boas horas que sua cantoria nos proporcionou. Aquele chiado nos distraía e aliviava o trabalho. Dizíamos sempre: que felicidade ter como vizinha tão gentil cantora! Entre, amiga, que aqui terá cama e mesa durante todo o mau tempo.

A cigarra entrou, sarou da tosse e voltou a ser a alegre cantora dos dias de sol.
 
 
De acordo com Dicionário Aurélio…
[1] faina: Atividade ou trabalho a que concorre ponderável parcela da tripulação de um navio.
[2] tulha: Celeiro.
[3] manquitolar: Andar firmando o passo mais de um lado que de outro, em decorrência de alguma deficiência física; manquejar
[4] paina: Conjunto de fibras sedosas, parecidas às do algodão, que envolvem as sementes de várias plantas.
 
Fonte do texto: Saúde Animal [idéia copiada do Marcos Botelho]; a ilustração é parte da arte de Rogério Doki (UOL Crianças)

Honrar pai e minha mãe

Devo honrar meus pais ainda que eles se excedam e abusem de sua autoridade em algumas situações? É esta a pergunta com a qual começa a matéria de Nancy Ortberg no Cristianismo Hoje que reproduzimos abaixo.
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happy family portrait
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Questão: Como devo tratar meus pais se eles abusam de mim?
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Resposta: Primeiramente, sinto muito por isso. Quando o abuso vem de pessoas que deveriam amá-lo e elogiá-lo, isso machuca além do que podemos descrever. E fico alegre em perceber seu esforço para encontrar o espaço onde você possa demonstrar a eles alguma honra.

Quando a Bíblia nos instrui a honrar nossos pais (em Êxodo 20.12, Efésios 6.2, entre outros), isto é uma orientação para a direção de dedicar honra a Deus. Mas estas palavras não foram escritas como resposta a uma situação de abuso. Existem momentos em que a Bíblia oferece instrução para situações específicas e momentos em que oferece instrução através de princípios abrangentes. É importante estar ciente desta distinção. Por exemplo, em 1Timóteo 5.17, o apóstolo Paulo nos diz que devemos dar dupla honra àqueles que pregam e ensinam na igreja. Honrar nossos líderes espirituais é um princípio encontrado nas Escrituras. No entanto, Jesus fez muitas críticas aos fariseus hipócritas. Ele não aplicou este princípio abrangente a eles. Em vez disso, falou a esta situação específica, sabendo que os fariseus não mereciam este tratamento elevado.

De forma parecida, este tratamento não é aplicado aos pais que abusam de seus filhos. O princípio de honrar nossos pais nos remete à importância do trabalho que eles fazem. Bons pais criam um ambiente saudável, uma cultura familiar na qual Deus é o centro. É necessário ter muito amor, energia, criatividade e tempo, e este investimento poderá formar incríveis seres humanos. Mas também é importante perceber que este mandamento não quer dizer “Honre apenas os pais fantásticos”. Nenhum pai é perfeito, e a maioria está fazendo o melhor que pode. Na Economia divina, este esforço é algo tão bom e significativo que merece honra especialmente das pessoas que mais se beneficiam com isto: os filhos.

É fácil para os filhos não reconhecer e não dar o devido valor ao trabalho dos pais. Ao mesmo tempo, muita destruição foi causada em nome da obediência, por insistir que filhos que sofreram abuso ignorem sua dor e ofereçam falsa honra aos pais. O abuso é pecado sim (Deuteronômio 6.6-7, Efésios 6.4). Tendo dito isto, é possível reconhecer o abuso e descobrir de quais formas você é capaz de oferecer honra aos seus pais. Isso dependerá do que será feito para que você seja curado, a habilidade dos pais para admitir o abuso e o nível de abuso sofrido. Você precisa de aconselhamento cristão e o processo de cura poderá incluir o desenvolvimento de profundas amizades espirituais onde você poderá contar sua história e reconstruir os vínculos de confiança.

Já vi inúmeros amigos lidarem com esta questão. Uma amiga passou pela experiência de abuso verbal e emocional e isso trouxe muitas cicatrizes. Já chorei muito ao vê-la falar com carinho e graça a respeito do pai que abusou dela. Foram necessários anos para que se curasse, e ela estava determinada a não permitir que esse abuso moldasse o resto de sua vida. Ela aprendeu que o perdão não é a mesma coisa que desculpar o abuso.

Outra amiga foi abusada física e sexualmente por um dos pais. A destruição causada foi irreversível em muitas áreas. Ela se esforça para perdoar o que ficou no passado e ao mesmo tempo limitou seu contato com seus pais. Da mesma maneira, fico impressionada ao ver seus pequenos gestos para honrar seus pais, mesmo que de longe, honrando até mesmo a pessoa que a abusou. Ela envia cartões de Natal com palavras doces, e ao longo do tempo aprendeu a separar e reconhecer as qualidades dos pais, até mesmo de quem a abusou.

Somos todos uma grande mistura do bom e do mau, da queda, e se aceitamos Cristo, temos a redenção. Redenção é uma palavra poderosa. É a idéia de que em meio a um mundo marcado pelo pecado, a força do amor de Deus e de seu perdão é capaz de permitir que ofereçamos gestos de bondade e gentileza às pessoas que não nos demonstraram isso. Oro para que Deus lhe dê a graça que irá até surpreendê-lo.
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Título original da matéria: “Honrar meu pai e minha mãe?”

terça-feira, 28 de abril de 2009

Adeus decoreba

Uma notícia super interessante da Super Interessante e que interessa aos jovens que ainda não entraram, mas que tão pensando em entrar numa universidade futuramente.
 
 
 
Foto de uma bela estudante. Foto em estúdioEm 1911, boa memória era sinônimo de inteligência. Até dá para entender. Naquela época, quando o governo brasileiro tornou o vestibular obrigatório para universidades públicas e particulares, conhecimento era coisa para poucos. Ter um baú de informações na cabeça já permitia a qualquer um ser pelo menos um bom profissional. Então não era surpresa que os vestibulares se preocupassem em testar basicamente a capacidade de memorização.

Um século e muita decoreba depois ela continua sendo uma habilidade louvável, mas não é nem nunca foi a mais importante – só a mais fácil de testar numa prova. Coisas fundamentais, como o raciocínio e a criatividade, ainda são menos levadas em consideração do que deveriam na hora de selecionar quem entra na universidade. Não é de espantar, então, que muita gente deseje a morte dos testes tradicionais. E não é desculpa de estudante burro: o próprio Albert Einstein dizia que a obrigação de decorar fórmulas foi a maior, e mais inútil, tortura pela qual passou na vida. Por isso mesmo todo mundo interessado no assunto vibrou quando o Ministério da Educação anunciou uma nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio para substituir e unificar as provas das universidades federais. A exemplo do Enem antigo, ela promete exigir muito mais análise e raciocínio lógico do que informação bruta a ser decorada. Está aí a solução para o tormento?

Vamos ver. O MEC admitiu que inspirou-se no americano SAT (sigla em inglês para Teste de Medição Escolar), que é aplicado 7 vezes por ano (por enquanto aqui é só uma, mas a ideia é alcançar 7 também). Em duas versões: uma de raciocínio, que avalia matemática, leitura crítica e redação, e outra que testa o aprendizado de matérias específicas – física, história etc. Ambas reconhecidas pela qualidade das questões, que obrigam o aluno a de fato raciocinar. Mas a grama do vizinho não é tão verde assim. Apesar de bem formulado, o SAT é o terror mais profundo dos estudantes. Igualzinho ao que ocorre aqui, existe por lá toda uma indústria de cursinhos especializados em dicas e macetes para que os alunos se saiam bem nas provas. E há quem garanta que são necessários anos para esquecer o trauma do exame.

Os chineses que o digam. Por lá, a pressão para se sair bem em uma prova semelhante, que também é unificada e ocorre uma vez por ano, é tão forte que o vestibular está entre as causas das altas taxas de suicídio no país, de até 3,5 milhões de pessoas por ano.

Na Dinamarca, a prova simplesmente não existe: o que conta são as notas obtidas durante todo o ensino médio. Se o curso pretendido é engenharia, os examinadores levam mais em conta as notas do candidato nas aulas de matemática. Se a ideia é cursar letras, não tem muita importância ter passado raspando em química por 3 anos. Um sistema correto, mas também desesperador: quem é bom, mas repetiu o 1º colegial por alguma bobeira de adolescência, pode se complicar na hora da seleção. Como não dá para voltar no tempo e mudar as notas, o jeito é mudar de país.

Quem sabe para a Argentina, a Bélgica ou a França. Nesses, o acesso é garantido sem vestibular nem currículo: basta ter um diploma de nível médio, pelo menos para entrar nas faculdades menos concorridas (é o que acontece na prática por aqui também, já que os “processos seletivos” de algumas das nossas particulares permitiriam a matrícula de um babuíno). Mas o acesso automático não garante nada em alguns casos: na Argentina, ao fim do primeiro ano de curso, há uma prova para decidir quem segue na faculdade ou não.

Entre as universidades mais disputadas do mundo, o método é mais complexo. É o caso das que fazem parte da Ivy League, o grupo das 8 americanas de elite (entre as quais Yale, Harvard, Colúmbia e MIT). Elas até levam em conta as notas do SAT, mas também avaliam currículos, exigem cartas de recomendação, fazem entrevistas pessoais... até a personalidade do candidato entra em jogo. Tudo conta: participação em grêmio estudantil, viagem de mochilão, trabalhos comunitários...

Na Universidade de Colúmbia, por exemplo, o que os examinadores olham mesmo são os trabalhos que o candidato desenvolveu na escola nos 4 anos anteriores. Para conquistar uma vaga no MIT, entre outras coisas o aspirante precisa fazer uma lista das 5 atividades mais importantes que considera já ter feito na vida. E pode ainda optar por falar sobre isso ao vivo, em uma entrevista com um examinador da universidade, o que pode aumentar significativamente as chances de admissão.Tudo isso, por sinal, não existe só para o bem do aluno. Mas para o da própria instituição. Um diploma de Harvard foi importante para a carreira de Barack Obama. Mas ter formado um Barack Obama que virou presidente é ainda mais valioso para Harvard, pois aumenta o prestígio que a universidade já tem. Daí a importância de uma seleção realmente precisa.

Mas claro que, por melhor que seja, o novo Enem não vai transformar nossas federais em Harvards. Será apenas mais justo que os vestibulares-decoreba de sempre. Mas, se você acha que isso vai deixar as coisas mais fáceis, pode tirar o gabarito da chuva. Neste ano, cerca de 5 milhões de estudantes vão concluir o ensino médio no Brasil, mas há menos de 300 mil vagas nas faculdades públicas, as mais concorridas. Nos 5 cursos mais disputados das 5 universidades top de linha, são só 1 300 vagas. Um baita funil, que vai continuar duro de atravessar. Além disso, não importa o quanto o vestibular, ou mesmo a educação como um todo, melhore: sempre vai haver um punhado de instituições preferidas por alunos, professores e pelo mercado de trabalho. O caso dos EUA é emblemático: entre as mais de 4 mil universidades de lá, só aquelas 8 são objetos de desejo para valer. E, se é numa das favoritas que alguém quer entrar, não tem jeito: vai ter que ralar para mostrar mérito. Ainda bem.
 
Fonte: Revista Super Interessante (on line) com o título original de A decoreba já vai tarde: o vestibular pode acabar; Imagem de Andrey Kiselev em 123 Royalty Free.

Letreiros de igrejas

Lembram dos três posts (aqui, aqui e aqui) que publicamos com frases de “marketing cristão”? Pois agora vamos mostrar que aquelas frases são verdadeiras.
 
Lá nos Estados Unidos as tais frases aparecem em letreiros de fachada das igrejas ou em certos tipos de "outdoors" de igrejas – são chamados de Church Signs. Há frases que nos remetem logo a uma boa reflexão, e há outras que são muito engraçadas e que não sei se são verdadeiras ou se são apenas sugestões criativas dos cristãos norte-americanos.
 
A apresentação de slides que preparamos tem fotos e traduções de vários Church Signs. Depois postaremos mais outros.
 
 
 
 
Caso queira ver em tamanho maior, acesse esse post aqui do Windows Live Space ligado ao Mural, ou clique sobre o botão Full  no canto inferior direito da apresentação de slides acima para vê-la em tela cheia (segundo botão da direita para a esquerda). Se preferir fazer o download da apresentação (provavelmente estará no formato ODP do BrOffice), clique em menu  e depois em Download Presentation.

Quem sabe o que é graça?

Li este texto do Paulo Brabo, em seu blog A Bacia das Almas, já faz um tempo, e na época não gostei muito do texto – talvez por não compreendê-lo bem. Mas hoje, com a cabeça pensando um pouco diferente, já consigo tirar uma boa reflexão dele. Então que tal dar uma lida nele também?
 
O título original do post do Paulo é…
 
 
Só os católicos sabem o que é a graça
 
 
Catedral de Orvieto, Úmbria, Itália [Henrique Alfonso Triviño]

Um dos paradoxos que marcam o cristianismo histórico ocidental está em que, embora os protestantes sejam os grandes e credenciados defensores da graça, são os católicos – grandes e credenciados antagonistas dos protestantes – os únicos cristãos a desfrutar adequadamente dela.

Graça, como se sabe, é a palavra que usam certos autores do Novo Testamento para referir-se ao irredutível cavalheirismo de Deus, sua desconcertante postura de benevolência diante dos nossos maus tratos. Garantem-nos esses autores que é por graça, isto é, por cavalheirismo divino e não por mérito nosso, que dão certo as coisas que dão certo neste mundo. É por graça, e não por algum critério particular de seleção, que Deus derrama sol e chuva sobre justos e injustos; é por graça que as suas misericórdias renovam-se a cada manhã; é por graça, e não por teste de paternidade, que Deus chama-nos de filhos e concede que o chamemos de Pai; é por graça que Deus requer e oferece “setenta vezes sete” rotações de perdão por minuto; é por essa divina graciosidade, arremata o Apóstolo, que “somos salvos”.

Desde sempre a característica mais singular da graça foi essa mesmo, o fato de não podermos fazer coisa alguma para merecê-la. O cerne da “boa nova” cristã está em que não se pode extorquir de Deus aquilo que ele se dispõe a oferecer gratuitamente. Essa portentosa revelação transforma imediatamente em obsolescência e contravenção as mais consagradas práticas de chantagem contra a divindade, coisas como ofertas, sacrifícios e religião.

Curiosamente, os primeiros reformadores alicerçaram o seu discurso sobre essa precisa questão: a Igreja Católica, protestaram eles, havia perdido a graça de vista, construindo um império fundamentado na venda de privilégios e na institucionalização da manipulação divina. Os católicos haviam dado as costas ao coração da mensagem cristã, que garante não haver sacrificío que possa comprar o perdão ou penitência que possa pagar a culpa. Haviam reduzido o cristianismo a uma casca ritual desprovida de vida e vitalidade. Os católicos haviam se esquecido da graça, e os protestantes dedicaram suas vidas a corrigir este erro.

Parece no entanto inevitável que acabemos adquirindo as características daqueles que refutamos mais apaixonadamente. Nos últimos duzentos anos os católicos aprenderam a desfrutar gostosamente da graça, enquanto os protestantes se encarregaram de transformar o cristianismo numa casca ritual desprovida de vitalidade. Resta-nos o discurso, cabe-lhes a herança.

OS CATÓLICOS CRÊEM QUE SUA IGREJA NÃO É CONTIDA POR TEMPLO ALGUM

Ao contrário dos protestantes e em conformidade com a postura geral de Jesus, os católicos tendem a enxergar o mundo como um lugar eminentemente seguro. Para os católicos nada neste mundo tem como dar errado, realmente errado – e não pelo fato de haver templos católicos em todo lugar (coisa que os protestantes parecem ver como a principal vantagem dos seus antagonistas), mas justamente por crerem, intuitivamente, que a sua Igreja não é contida por templo algum. Os católicos enxergam a Igreja não como um lugar, mas como uma condição inescapável de segurança, algo muito semelhante ao que Jesus descrevia como sendo o reino de Deus.

Como a Igreja está em todo lugar, Deus está em todo lugar e também o serviço cristão. Ao contrário de nós, os católicos vão à missa e não “à igreja”, porque a Igreja é terreno santo e onipresente do qual não há como escapar. Deus estando em todo lugar, sua proteção é imediatamente acessível, seu poder é inevitável, seu favor é onipresente. Deus e a vida podem ser celebrados adequadamente aqui mesmo, fora das portas do templo, porque não há como fugir da esmagadora segurança da Igreja, que é em ínumeros sentidos outro nome para o seu reino.

Antes de concluir o seu curso preparatório, Dietrich Bonhoeffer, o teólogo alemão que apregoou o fim da religião e morreu num campo de concentração pelo seu envolvimento numa conspiração para assassinar Hitler, visitou Roma e o Vaticano. Ele esperava encontrar-se com a história, mas foi a vitalidade do catolicismo que causou-lhe verdadeiro impacto. O teólogo nunca permitiu-se esquecer a experiência, e menciona em inúmeros sermões e reflexões a integralidade e a universalidade que testemunhou na vivência católica da igreja.

Há uma palavra que, quando ouvida por um coração católico, acende todos os seus sentimentos de amor e de bem-aventurança; ela põe em movimento as emoções mais profundas de sua sensibilidade religiosa, do pavor e assombro do Juízo Final à doçura da presença de Deus; essa palavra desperta nele os sentimentos mais ternamente domésticos, sentimentos como os que só uma criança pode nutrir com relação à sua mãe: gratidão, reverência e amor sincero; o sentimento que toma conta de uma pessoa quando, depois de uma longa ausência, retorna ao lar, o lar de sua infância.

E existe uma palavra que entre os protestantes soa como algo infinitamente lugar-comum, algo mais ou menos indiferente ou supérfluo, que não faz o coração bater mais forte; que associam a uma sensação de tédio ou fastio ou que, de qualquer modo, não dá asas à nossa sensibilidade religiosa – e no entanto nossa sorte está traçada se não formos capazes de conseguir para ela um significado novo ou um muito antigo. Ai de nós se essa palavra não se tornar relevante novamente, se não tornar-se assunto de importância nas nossas vidas.

Isso mesmo, “igreja” é a palavra cujo significado esquecemos.

E por igreja Bonhoeffer quer dizer a comunidade da graça, a reunião informal e universal dos que se sentem ao mesmo tempo infinitamente seguros e infinitamente desafiados pela incessante credencial divina.

PARA O PROTESTANTE A IGREJA É UM LOCAL E UMA TAREFA

E sim, os católicos tem as suas novenas, suas velas, suas promessas e seus sacrifícios, mas recorrem a eles e deixam-nos lá, em paz; partem para as suas casas e vivem as suas vidas como gente normal, confiados na improvável graça como um cristão deveria fazer. Não vêem a necessidade, como nós protestantes, de reacenderem seus sacrifícios incessantemente, domingo após domingo após domingo pela eternidade; não vêem a necessidade de dar evidência do seu mérito pela atividade incessante, pelo acúmulo insano de conhecimento e pelos ajuntamentos febris. Os católicos têm as suas repetições, mas podem recorrer a elas em oculto, na privacidade das suas casas. Têm as suas imagens, mas não se rebaixam com a mesma facilidade ou as mesmas desculpas à ganância, que é idolatria. Têm os seus santos, mas preferem beijá-los do que sustentá-los com dinheiro. Tem as suas penitências, mas conhecem o arrependimento. Tem as suas peregrinações, mas não se rebaixam ao espírito de rebanho – isto é, não seguem todos para um mesmo lugar.

Tudo isso em sonoro contraste conosco, que cometemos a impudícia de, sendo os mais carolas e religiosos, sermos os que mais tagarelam sobre a graça. Para nós a igreja é um local e uma tarefa; para o católico é uma segurança e um estado de espírito. Para nós a graça é um conceito importante; para um católico, é estar vivo.
 
 
Comentário meu…
Uma visão que misturasse a dos católicos com as dos protestantes seria a ideal?
JT Ollemehebb
 
 
Foto de Henrique Alfonso Triviño em Olhares

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Combustível fé ou Fé combustível

Joyful 'toon : Fé combustível 
 
Publicado aqui sob a autorização de Mike Waters (Joyful 'toons).
 
Tradução por Mural na Net. Versão em português produzida pelo próprio autor.

A aparência realmente importa?

susan boyle 2
Susan Boyle numa entrevista à abc NEWS. Imagem de Radar Online.
 
 
Há mais de uma semana, pessoas em ambos os lados do Atlântico têm usado a história de Susan Boyle - a solteirona escocesa desleixada que chegou à fama cantando no programa de TV "Britain's Got Talent" - como um exemplo de quão superficiais nos tornamos.
 
 
susan quote
Comentário de Susan a respeito da rapidez
com que a sociedade julga as aparências.
 
 
Antes de cantar, Boyle parecia uma mera voluntária de igreja desempregada e desmazelada de 47 anos que morava sozinha com seu gato, Pebbles, e que, segundo ela, nunca teria sido beijada (uma alegação que ela posteriormente retirou).

Agora, após o vídeo de sua apresentação ter se tornado viral, uma enxurrada de comentários se concentra em como estereotipamos as pessoas em categorias, como caímos vítima de preconceitos de idade e aparência, e como temos que aprender, de uma vez por todas, a não julgar os livros pela capa.

Mas muitos cientistas sociais e outros que estudam a ciência dos estereótipos dizem que há motivos para avaliarmos rapidamente as pessoas com base em sua aparência. Julgamentos rápidos a respeito das pessoas são cruciais para o modo como funcionamos, eles dizem - mesmo quando esses julgamentos são muito errados.

Eles até mesmo concordam com a própria Boyle, que disse após sua apresentação que apesar da sociedade ser rápida demais em julgar as pessoas pela aparência, "não há muito o que você possa fazer a respeito; é o modo como pensam; é o modo como são".
 
 
Este é apenas um trecho da matéria do The New York Times intitulada Sim, a aparência importa e que tá traduzida lá no UOL Notícias. Para ver o resto, clique no continue lendo.
 

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Vida: Solidão ou Solidariedade?

Um bom texto para refletir sobre as palavras acima. Agora, ele necessita de uma leitura calma e cuidadosa.
 
 
Looking Out O viver é solitário e solidário. Participamos de miríades de outras vidas que nos alimentam e que alimentamos. Cada vida autônoma é possuída no interior e no exterior por outras vidas. Ninguém nasce só. Ninguém está só no mundo, no entanto, cada um está só no mundo.

O comportamento animal é um desencadeamento initerrupto de esforços para alimentar-se, atacar, defender-se, fugir. Apressa-se, agita-se, erra-se, arrisca-se a vida para comer, isto é, para viver. A desigualdade/diversidade está escrita na determinação genética que enraíza a planta, faz rastejar a serpente, voar a ave. O leão vive de amor e carne fresca e pode dormir três dias após uma boa refeição. Mas bilhões de seres passam a maior parte do tempo à procura de um alimento; vivem para comer mais do que comem para viver. Bilhões de seres passam o tempo à espreita, a espiar, a fugir, vivem mais para sobreviver do que sobrevivem para viver.
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Existir é um modo de ser aleatório, dependente, em recomeço. O ser vivo é um ser de necessidade e de carência. Não passamos de um redemoinho efêmero, mas computante pois vive baseado no cálculo. Calculamos tudo em nossa vida. Até as plantas calculam, criam estratégias no seu modo de reprodução/disseminação, nas suas inter-relações fitossociológicas. Tudo se passa como se a planta ou a àrvore no seu conjunto constituísse, através das interações informacionais entre células, uma espécie de cerebralidade, indiferenciada do próprio ser, produzindo fito inteligência. Assim como os neurônios associados ao acaso no nosso cérebro não sabem que as suas intercomunicações aos bilhões constituem o nosso pensamento, igualmente os indivíduos celulares de um organismo, policelulares de uma sociedade, polimorfos de um ecossistema, não sabem que as suas interações egoístas e míopes resultam globalmente do conhecimento, da inteligência, da estratégia.

Pelo fato de todo o ser vivo ser um ser de carência e de necessidade, é sempre por computação que responde à necessidade e à carência. E é a associação dinâmica da necessidade e do computo que faz o animal um ser de desejo, de procura, de exploração. No animal não existe, por um lado, a carência; por outro lado, o cálculo; mas existe, na e pela união da carência e do cálculo, a procura.

Embora se comuniquem com o mundo exterior, os seres vivos são, ao mesmo tempo, seres incrivelmente míopes e, para vastos setores de realidade, cegos. As bactérias têm apenas quimio-receptores pobres; os vegetais são desprovidos de redes nervosas. Inúmeras espécies não têm olhos. Os olhos da rã só distinguem o movimento, e não a mosca móvel. Os sentidos podem ser logrados, enganados. Uma macaca pode embalar um manequim como se fosse um filho.

Como dizia linda frase: ser livre é ser dependente e diferente uns dos outros. Salve os antagonismos e a diversidade que obras das mãos de Papai do Céu.

Observem que até Deus é diferente, cada religião constrói a sua configuração de Deus. O Deus da religião A é AZUL, o da Religião B é marrom; o da Religião X é moralista e está no controle de tudo e ainda é “Deus verdadeiro”; Einsten chegou a dizer que Deus era o próprio cosmo infinito e que possuía leis próprias. Cada um puxa a sardinha para o seu lado. Mata-se em nome de Deus; rouba-se em nome de Deus; adestra-se o outro e Nome da “VERDADE”. Nietzsche sabiamente escreveu: Deus é uma construção humana, porque cada um configura de um jeito. Deus criou o homem ou o homem criou Deus? Deus criou a diversidade, inclusive deu ao homem o livre arbítrio e a capacidade de estabelecer especulações sobre Ele que é o próprio MISTÉRIO. Dependemos do Deus construção humana e esse Deus carece de nós para se manter vivo. Os deuses dependem das pessoas para se manterem vivos. Morre-se as civilizações e os deuses morrem junto. Carregamos a morte e a vida dentro de nós. É necessidade humana interagir com os deuses que funcionam como TALISMÃS. Há aqueles que usam a Bíblia, os cânticos, as ideologias, as imagens dos santos, as rezas e orações, os sacrifícios, os martírios, os escritos dos seus líderes e depositam a fé nessas coisas e as coisas acontecem. Fé é fé, é inquestionável, cada um tem a sua.

Mesmo sabendo que o tenho um Deus construto familiar, é com ele que eu me apego, porque não tenho acesso ao Mistério. Diante do mistério eu me sinto solitário. Mas quando eu chamo ele de PAPAI DO CÉU, eu sou abraçado, eu sinto um calor solidário, ouço aquela frase: SEM MIM NADA PODEIS FAZER/ O MEU SOCORRO VEM DE PAPAI QUE ME QUER ABRAÇAR e me dar um CHEIRINHO NO CANGOTE. O abraço de Deus pode ser um abraço de seu amigo. É impossível abraçar a Deus se você não abraça o seu amigo. É impossível conectar-se com o invisível se não conectarmos simbioticamente com o semelhante visível. Ser livre é ser carente uns dos outros.

Sorria! O sorriso de Deus pode ser o sorriso de seu amigo/semelhante.

Abraços!
 
Fonte: Joevan Caitano (Joe Black) em seu blog pessoal; foto de Galyna Andrushko em Shutterstock Images.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Um fora ao vivo

Graças ao milagre da tecnologia existe hoje a transmissão de TV ao vivo, coisa que não existia, por exemplo, na época em que o Brasil conquistou sua primeira copa do mundo de futebol. Também graças a esse millagre existe o Youtube, onde guardamos, para consulta a qualquer momento, vídeos que valem a pena ver e rever.
 
E foi graças a uma transmissão ao vivo, onde não podem ser feitos cortes ou edições instantâneos, que o momento vivido por uma repórter “entendida num certo assunto” foi captado. Graças ao Youtube você pode ver agora que ela falou o que quis e ouviu… bem, ela ouviu o que não esperava! Vê só.
 
 
 
 
Use a situação como exemplo também! Reflita! ;-)

Morreu ou não morreu no mesmo dia?

Adão e Eva [foto]
 
 
Em Gênesis 2. 16-17, Deus dá a seguinte sentença ao homem: “No dia em que comerdes do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal morrerás”. O homem entendeu, não podia comer de determinado fruto, pois se não morreria, todavia Adão e Eva desconsideraram essa ordem e comeram do fruto (Gn. 3.6).

Se continuarmos a ler o texto perceberemos que Adão não morreu no mesmo dia, pelo contrário ele morreu com 930 anos (Gn. 5.5). Então o que aconteceu? Será que Deus falhou em sua palavra? Será que foi uma morte espiritual?

Essa ultima hipótese é muito forte e bem provável que o texto esteja se referindo a uma morte espiritual, uma mudança de eterno para temporário, de imortal para mortal. Entretanto há um elemento curioso, que é apenas um elemento curioso e nada mais que isso.

Em II Pedro 3.8 temos a seguinte afirmação do apóstolo: “Para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.” Essa é a disposição do tempo para Deus, conforme nos diz Pedro, e pensar sobre a atuação divina partindo das categorias temporais humanas é altamente especulativo.

Voltando ao nosso texto, Deus diz que o Homem morreria no mesmo dia em que comece daquele fruto. Partindo de Pedro um dia de Deus pode equivaler a mil anos. O livro de Gênesis relata que Adão morreu com 930 anos de idade. Na perspectiva temporal divina Adão morreu no mesmo dia em que comeu do fruto da árvore proibida. Na perspectiva temporal humana Adão morreu 930 anos depois da ordem de Deus.

Resta-nos a dúvida: Morreu ou não morreu no mesmo dia?
 
Fonte: Calebe Ribeiro em seu blog; imagem de Nadezhda Funtikova em 123 Royalty Free

Mestre da imodéstia?

A cada dia vejo que ninguém mais parece ser unanimidade (ou estar bem próximo disso) em sua área de conhecimento/atuação. Ou será que sempre foi assim na história do mundo e eu é que tô me iludindo?
 
Há um tempo atrás, quando preparava um texto do Augusto Cury pra postar aqui no Mural, encontrei também essa matéria da Veja onde seu redator expõe uns “pontos fracos” do Cury e de suas teorias. O texto não parece tão imparcial, pois parece que quem o escreveu se refere ao Cury com certo desdém. Mas bem, sendo aproveitável no todo ou em parte, a leitura deste texto vale a pena, pois nos convida a manter nosso senso crítico e nosso desconfiômetro ligado e antenado nas coisas que vemos, ouvimos e lemos nesse mundo tecnopolista de hoje.
 
A matéria é de Jerônimo Teixeira para a revista Veja de 11 de janeiro de 2006.
 
 
augusto cury 2 Um mestre da imodéstia
 
Com suas frases simplórias e doidices "científicas", o psiquiatra Augusto Cury tornou-se um best-seller da auto-ajuda
 
O psiquiatra Augusto Cury diz que sua obra teve início depois de uma crise depressiva que o atingiu quando ainda cursava a faculdade de medicina em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. "Eu usei a dor para me construir", afirma. A construção ficou firme: Cury é hoje, aos 47 anos, um homem genuinamente feliz. Embora insista nos temas espirituais, sua felicidade tem uma polpuda base material: em 2005, ele foi o escritor brasileiro que mais vendeu no país. Três obras suas – Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, sua incursão na pedagogia, e os motivacionais Nunca Desista de Seus Sonhos e Você É Insubstituível – aparecem entre os best-sellers do ano passado, na lista publicada nesta edição de VEJA. Prolífico, ele ainda tem outros catorze títulos, na maioria pela editora carioca Sextante. No total, vendeu mais de 1,2 milhão de exemplares nos últimos doze meses, marca que o coloca taco a taco com Dan Brown, autor de O Código Da Vinci. Seus livros são coletâneas de fórmulas do tipo "os sonhos abrem as janelas da mente". Mas ele não se considera um autor de auto-ajuda. Cury se apresenta como um cientista, o revolucionário criador de uma nova teoria sobre o funcionamento da mente humana – a inteligência multifocal, que pretende ensinar o leitor a controlar as "janelas" de sua memória.
 
O livro fundamental da "teoria" de Cury é Inteligência Multifocal, publicado pela Cultrix, em 1998. "Os únicos trechos mais ou menos aproveitáveis são versões pobres das idéias de cientistas como o neurologista António Damásio. O resto é pseudociência", diz Renato Zamora Flores, professor do departamento de genética da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – e uma autoridade na análise de imposturas científicas. Cury não dá muita atenção aos críticos: "Quase ninguém entendeu minha teoria, de tão complexa que ela é". Mas ele está feliz por finalmente ser entendido em Londrina, no Paraná, onde o Centro Universitário Filadélfia (Unifil) já oferece cursos de especialização, em nível de pós-graduação, em inteligência multifocal. "O doutor Cury é um sábio. Perto dele, dá para se ter uma idéia de como seria conviver com os grandes filósofos da história", diz o psicólogo Silas Barbosa Dias, coordenador de um desses cursos. Foi graças à ingerência desse admirador ardoroso que Cury ganhou o título de doutor honoris causa pela Unifil. Dias, aliás, vai veranear ao lado de seu mestre, na casa que Cury tem em Ubatuba, no litoral paulista.
 
Cury vive com a mulher – Suleima, que foi sua colega na faculdade de medicina – e as três filhas em Colina, cidadezinha de 17.000 habitantes próxima a Barretos, a capital dos rodeios. "Sou um escritor simples, que gosta do anonimato", diz. No sítio onde mora, com 16.000 metros quadrados, pavões e galinhas-d'angola passeiam pelos gramados – e também há carneirinhos que o autor alimenta com mamadeira. Originalmente, Cury planejava instalar uma clínica ao lado da casa, mas hoje tem pouco tempo para a psiquiatria. Como é comum entre autores de auto-ajuda, ele montou seu circuito de conferências: viaja para proferir de quatro a cinco palestras por mês e recebe entre 8000 e 10000 reais por cada uma delas. Sua fala mansa e pausada freqüentemente se enreda no jargão "multifocal" – ele gosta de usar expressões como "pensamento tridimensional" e de inventar curiosas moléstias psicológicas, como o Mal do Logos Estéril. Sua imodéstia é proverbial, o que transparece nos livros. "Falo com humildade, mas, creio, fiz importantes descobertas que provavelmente reciclarão alguns pilares da ciência durante o século XXI", anuncia em Nunca Desista de Seus Sonhos.
 
A crença na própria genialidade vem de longe. Sua mulher, Suleima, conta que, quando os dois ainda namoravam, Cury certo dia a convidou para tomar um suco. Ao puxar a carteira para pagar a bebida, deixou cair no chão uma série de papeizinhos: eram pensamentos que ele anotava. "Foi então que ele me disse que era uma pessoa meio diferente", lembra Suleima. A "pesquisa" de Cury se resume a isso: anotar os próprios pensamentos. E, não satisfeito com sua contribuição à ciência, o autor quer deixar sua marca na literatura. Estreou na ficção no ano passado, com dois romances, O Futuro da Humanidade (editado em Portugal com um título um pouco menos grandioso: A Saga de um Sábio) e A Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres. O primeiro narra a formação de um "filósofo da psicologia", e o segundo faz uma crítica descabelada à "masmorra psíquica" que os padrões da moda imporiam às mulheres. Ambos são estrelados por um alter ego do romancista, com nome de desbravador: Marco Polo, o "poeta da psiquiatria". Juntos, os dois livros venderam perto de 100.000 exemplares. Uma marca respeitável, mas ainda muito abaixo das 260.000 unidades de Pais Brilhantes, Professores Fascinantes comercializadas em 2005. A ficção de Augusto Cury pode não ter conquistado as massas, mas anda bem cotada entre a elite dirigente: no ano passado, a governadora do Rio, Rosinha Garotinho, presenteou o presidente Lula, no seu aniversário, com um volume de O Futuro da Humanidade. Sabe-se que Lula não é dado à leitura. Fica o conselho, presidente: não precisa começar agora.

CIÊNCIA DE ARAQUE

As baboseiras de Inteligência Multifocal, obra em que Augusto Cury expõe suas "teorias"

PESQUISA PRECÁRIA
A BABOSEIRA: "Não usei os levantamentos bibliográficos nem uma teoria prévia como suporte de interpretação, pois a teoria que desenvolvo é totalmente original".
ONDE ESTÁ O ERRO: é a pesquisa bibliográfica que garante que um cientista não vai repetir o que outro já disse. Reivindicar originalidade sem ter freqüentado os livros é uma tolice.

PENSAMENTO CONTRADITÓRIO
A BABOSEIRA:
"Os computadores jamais passarão de escravos de estímulos programados, ainda que incorporem um processo de auto-aprendizagem".
ONDE ESTÁ O ERRO: Cury ignora todas as discussões teóricas sobre inteligência artificial – e ainda resvala numa contradição em termos: se um computador for capaz de aprender, não será mais escravo da programação.

CONFUSÃO DE CONCEITOS
A BABOSEIRA: "A inteligência e a personalidade representam, aqui, termos equivalentes".
ONDE ESTÁ O ERRO: personalidade diz respeito às características que distinguem um indivíduo do outro, enquanto inteligência se refere à capacidade de processar informações. Na literatura científica, são conceitos distintos. Misturá-los só produz confusão.

CURAS MILAGROSAS
A BABOSEIRA: "Muitos casos de doenças psíquicas de difícil tratamento, inclusive de pacientes autistas, têm sido resolvidos pela terapia multifocal".
ONDE ESTÁ O ERRO: se fosse verdade, seria caso para Nobel de Medicina: não há cura para o autismo.

MATEMÁTICA PITORESCA
A BABOSEIRA: "Até na matemática as teorias são limitadas. Até nas indiscutíveis operações há limitações, pois 1 mais 1 só é 2 se o primeiro 1 é, em todos os níveis microessenciais, exatamente igual ao segundo 1".
ONDE ESTÁ O ERRO: a se dar crédito a esse absurdo, bastaria mexer na tal "microessência" para fazer com que 1 mais 1 fosse igual a 3.

Foto de Fabiano Accorsi constante da própria matéria da Veja.

JT Ollemhebb

quarta-feira, 22 de abril de 2009

A chegada triunfal de Cabral

Pra lembrar que hoje o Brasil faz aniversário de 509 anos de descobrimento.
 
 
cabral7
 
 
Veja mais outras tirinhas do mesmo autor tratando do descobrimento aqui.
 
 
Veja também:

Parece, mas não é

Camaleão sobre flor. Foto
O apóstolo Paulo sempre recomendou o autoexame. No final de sua segunda carta aos coríntios ele sugere: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos”. Tenho pensado ultimamente sobre o quão real e verdadeira é nossa fé. Não estou preocupado com nossas convicções, mas se a fé que temos em Cristo é viva, real e verdadeira.

A cultura da aparência é uma das características mais cultuadas e criticadas da civilização pós-moderna. Acostumamo-nos a parecer aquilo que não somos. As imagens são retocadas; os currículos, maquiados; os entrevistados, treinados a dizer o que se espera deles. A tecnologia oferece cada vez mais recursos para isso.

Hoje temos ferramentas capazes de criar uma falsa realidade, e o real se torna cada vez mais insuportável. Fazemos de tudo para maquiar a velhice, mudando inclusive seu nome: agora se chama “terceira idade”. A alegria deixou de ser um estado da alma e tornou-se um produto que se adquire nas prateleiras das farmácias, em consultórios e em clínicas especializadas.

Nossa fé também sofre as consequências da cultura. Recentemente, eu meditava na pequena carta à igreja de Laodiceia no livro de Apocalipse, e me dei conta de que é uma igreja muito parecida com as que conheço. Percebi que, ao contrário das outras igrejas do Apocalipse, a de Laodiceia não tinha nenhum problema com as perseguições externas, nem com os falsos profetas -- seu problema era ela mesma.

O diagnóstico que recebe é ela mesma quem dá: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Não é necessário comentar sobre tal cidade e sua riqueza; detenho-me na relação entre a riqueza e a autossuficiência. Também não pretendo limitar o conceito de riqueza a algum padrão econômico, mas a um estado em que não criamos espaço para a dependência.

Nossas igrejas são assim. Somos ricos de gente brilhante e talentosa. Somos ricos de ideias, de conhecimento, de recursos e tecnologias. Temos músicos competentes, professores bem preparados, recursos de multimídia, acesso às modernas técnicas terapêuticas, desenvolvimento humano, dinâmicas que incrementam nossos relacionamentos e espírito de equipe. Somos abastados e, se precisarmos de alguma coisa, será de um “upgrade” em algum dos itens acima.

É claro que não há nenhum problema em ter pessoas talentosas e competentes na igreja. O problema está em “não precisar de coisa alguma”. Em outras palavras, o problema está em parecer que somos o que não somos. Laodiceia parecia rica, mas era pobre. Parecia conhecer tudo, mas era cega. Parecia bem vestida, mas estava nua. Parecia adorar, mas Cristo permanecia do lado de fora. Parecia que era, mas não era. É isto que a riqueza – tecnológica, científica, intelectual etc. – cria.

Nossas igrejas pensam que boa música é sinônimo de boa adoração; que ter uma boa doutrina e uma boa pregação significa ter uma boa espiritualidade; e que, por terem bons programas e projetos, têm uma missão. Porém, uma coisa não implica outra.

Por causa de sua riqueza e autossuficiência, Laodiceia tornou-se uma igreja morna. A mornidão é o estado de pessoas ou comunidades que não desejam nada, não sentem a ausência de nada, não buscam nada, não lutam por nada. Sentem-se confortáveis e acomodadas. O problema é que acreditam que já possuem tudo. É possível encontrar nessas igrejas muita gente animada, cantando e pulando, participando de projetos e programas; no entanto, o que há de real em tudo isso?

Laodiceia simboliza a igreja moderna e abastada, sem consciência do que lhe falta, sem desejo, confortável e morna. Uma igreja que tem tudo, mas não tem nada. Nesse autoexame proposto por Paulo, concluo que nos falta uma identidade primária, aquela que nos é dada pelo Senhor, fruto da união com Cristo, da comunhão, da relação de amor e dependência sem a qual tudo mais é apenas ilusão, aparência de algo que não mais existe.
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Ricardo Barbosa de Sousa em Editora Ultimato [pastor da Igreja presbiteriana do Planalto e coordenador do Centro Cristão de Estudos, em Brasília. É autor de “Janelas para a Vida” e “O Caminho do Coração”.] com o título original de Parece ser, mas não é.
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Imagem de Maria Gritsai em 123 Royalty Free.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

És o meu herói

Música de Sérgio Saas. Clique no Continue lendo para ler a letra.




Vejo me pequeno, começando a entender
Que o mundo e tudo ao meu redor
Foi criado por um Deus
Ouvi tantas historias, sobre o povo de Israel
Ouvi de um Deus poderoso e super protetor
Abriu o mar vermelho, fez até o sol parar
E no entender de uma criança era um super herói

És o meu herói
Você é o meu herói
Doador de toda a vida, és o meu super herói
És o meu herói
Você é o meu herói
Eu nunca encontrei no mundo
Um amor tão forte assim és o meu herói

Li a tua palavra, me tornei conhecedor
Que esse mesmo Deus na cruz, por mim se entregou
Salvou a minha vida, me fez mais que vencedor
Até sobre a própria morte, Ele triunfou

És o meu herói
Você é o meu herói
Doando sua própria vida mesmo sem eu merecer
És o meu herói
Você é o meu herói
Eu nunca encontrei no mundo um amor tão forte assim
És o meu herói

Letra disponível no Letras.mus.br.

Que físico!

Senhoras e senhores, com vocês a mulher com o maior físico do mundo!
 
 
Einstein e Elsa 
 
 
Idéia roubada do Pavablog.
Foto de Einstein e sua segunda esposa, Elsa (Museu Histórico de Berna).

Rádio Graça

Joyful 'toon_Rádio Graça
 
 
Publicado aqui sob a autorização de Mike Waters (Joyful 'toons).
 
Tradução por Mural na Net. Versão em português produzida pelo próprio autor.

sábado, 18 de abril de 2009

Susan Boyle: Um tapa na cara do preconceito

Esse vídeo da britânica Susan Boyle tá bombando na net. Ela foi notícia nos dois últimos dias nos telejornais brasileiros também. Por quê? Por causa do que se passou com ela no show de talentos da TV britânica Britain's Got Talent.
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Susan Boyle em sua casa em Blackburn, Escócia.
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Como hoje a página principal do Mural tá cheia de vídeos, para não sobrecarregá-la colocamos o vídeo “oculto” após o Continue lendo. Clica aí e assiste. Não deixe de ler também essa matéria aqui do UOL onde há mais detalhes sobre Susan.
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Imagem de Associated Press/UOL.

Fé sob medida [4]

Hoje, pessoal, estamos postando a quarta e última reportagem da série. Ela é intitulada Igreja usa som eletrônico, Cristoteca e padre da balada.
 
O comentário descritivo do vídeo lá no UOL Notícias é: “(…) o repórter Sérgio Utsch mostra que tanto nas novas igrejas evangélicas quanto na igreja católica o que se segue é uma tendência de mercado: o que vale é deixar o cliente satisfeito. Para atrair jovens hoje, as igrejas usam até música eletrônica.”
 
 

sexta-feira, 17 de abril de 2009

5 jeitos de Deus responder orações

Creio que este post vem complementar esse outro anterior: O que os estudos sobre oração têm provado.
 
 
por Luis Palau

Ao longo dos anos descobri nas Escrituras, e pela experiência, que Deus ama responder as orações. Aqui estão cinco de suas respostas mais freqüentes:

“Não, eu te amo demais”

O Deus do universo não é obrigado a dizer ‘sim’ para todas as orações. Isto é ótimo, levando em consideração algumas coisas que pedimos.

Às vezes Deus diz ‘não’ para os pedidos mais profundos em nosso coração. Você já descobriu esta verdade em sua vida? Eu já descobri. Quando minha amiga Diane começou a perder sua audição. Quando minha sogra ficou enferma. Quando meu sobrinho contraiu AIDS.

Eu seria conhecido como Luis Palau Júnior, se não fosse o fato de Deus ter dito ‘não’ para uma das minhas mais recorrentes orações. Após meu décimo aniversário, meu pai, Luis Palau teve uma broncopneumonia e morreu dez dias depois. A morte se tornou para mim a mais inegável realidade. Tudo pode ser discutido e pensado, mas a morte está aí, encarando a todos nós, face a face. Ela acontece, até para as pessoas mais abençoadas. Não importa o quanto oramos. Por quê? Porque ainda vivemos em um mundo caído.

Lembro-me disso repetidamente desde 11 de setembro de 2001, dia dos ataques terroristas nos EUA. Milhares de vidas foram salvas naquele dia. Mas Deus disse ‘não’ para as orações de milhares de outras vidas. Algum bem virá da morte destes? Eu creio que sim.

Sem dúvida, a morte de meu pai teve mais impacto no meu ministério do que qualquer outra coisa em minha vida inteira, além da minha conversão a Jesus Cristo. Meu desejo é que as pessoas se acertem com Deus, compreendam a grande questão e que, como o meu pai, morram cientes de que estarão com Jesus, de “estar com Cristo, pois é muito melhor” (Filipenses 1.23).

Isto significa que não devemos orar? Não. Significa o oposto. Ao longo dos anos, viajando pelo mundo, descobri outras quatro formas de Deus responder as orações. Acredite: ele gosta de dizer “sim!”

“Sim, mas você precisará esperar”

Respostas imediatas às orações? É isto que você quer, é isto que eu quero. Mas Deus não trabalha sempre desta maneira. E para que o melhor ocorra, precisamos ser pacientes. Em alguns casos, precisamos esperar até que o relógio sinalize meia-noite, para que sua resposta chegue.
Phil Callaway não sabia o que responder ao ser questionado por seus filhos “se a mamãe iria morrer”. Sua esposa Ramona sofria com grave enfermidade.

Centenas de amigos e parentes oraram, mas o peso de Ramona eventualmente chegara a 40 kg. Médicos especialistas tentaram de tudo, mas no outono de 1996 ela tinha crises diariamente, muitas vezes a cada hora.

Phil quase nunca deixou de ficar ao lado de Ramona. Ele não sabia se ela chegaria a completar 30 anos. Certa tarde, quando já não era possível enxergar qualquer vestígio de esperança, Phil caminhou até o quintal, ajoelhou-se e clamou: “Deus! Não agüento mais. Por favor, faça algo!”. De repente, o nome de um médico lhe veio à mente. Phil ligou para este médico, que examinou Ramona na manhã seguinte e deu o diagnóstico de uma rara deficiência química. Dentro de uma semana, as crises de Ramona terminaram. Seus olhos brilhavam novamente. O milagre foi tão incrível que Phil afirmou: “Deus devolveu minha esposa!”.

“Peçam e lhes será dado; busquem e encontrarão; batam e a porta lhes será aberta” (Mateus 7.7).

”Sim, mas não exatamente o que você espera”

Você já pediu a Deus que o usasse? Se já o fez, espere o inesperado.

O jogador Sherman Smith, da Liga Nacional de Futebol, é conhecido como o “Tanque Sherman”; tem 1,90m e pesa 102 kg de músculos sólidos em sua maioria. Sua reputação na defesa aumentou seu status de celebridade, enquanto jogava para o Seattle Seahawks. No entanto, sem qualquer aviso, o Seahawks vendeu o passe de seu jogador mais popular para o San Diego Chargers. Da noite para o dia tudo mudou para o jogador, cuja fé era tão sólida quanto seus músculos. Em poucas semanas jogando no Chargers ele machucou seriamente seu joelho. “Por que em tempos de reabilitação Deus me trouxe para San Diego?”, ele perguntava.

Enquanto seu joelho se recuperava, Sherman teve a oportunidade de levar um de seus colegas de time à Cristo. Este jogador que se converteu, Miles McPherson, desde então tem se destacado como um evangelista que tem levado milhares de jovens a Cristo todos os anos.
Porque Sherman foi enviado a San Diego? Deus queria usá-lo, com certeza.

“Confie no Senhor de todo o seu coração e não se apóie em seu próprio entendimento; reconheça o Senhor em todos os seus caminhos e ele endireitará as suas veredas” (Provérbios 3.5-6).

“Sim, e tem mais!”

Você já se perguntou se Deus realmente sabe o que você quer e o que você precisa?

O australiano David Smallbone sentiu que Deus o dirigia a promover shows cristãos em sua cidade natal onde apenas 5% da população era cristã. Durante um tour, eram tão poucos os fãs que iam aos shows que David teve um prejuízo de 250.000 dólares! Até sua casa lhe foi tirada e este pai de seis filhos teve que buscar uma solução. Um artista famoso lhe ofereceu um emprego em Nashville (EUA) e a família vendeu todos os pertences que ainda lhe restavam para comprar as passagens para os Estados Unidos. No entanto, algumas semanas depois que chegou, David foi informado de que o emprego não estava mais disponível. Ele ficou prostrado na cama por dias e dias. Quando David e sua esposa explicaram aos filhos o que havia acontecido, todos se ajoelharam e pediram ajuda a Deus.

Coisas interessantes começaram a acontecer. Deus providenciava sacolas de alimentos, providenciou uma van e pequenos serviços dos mais diversos. Então a maior surpresa de todas aconteceu: a filha mais velha Rebecca, então com 15 anos, conseguiu um contrato com uma gravadora. Rebecca gravou seu primeiro CD usando um antigo sobrenome de família, St. James.

Acelere o filme para os dias atuais. David promove os shows de sua própria filha, shows que têm sempre ingressos esgotados. Rebecca St. James tornou-se uma das artistas cristãs mais conhecidas na atualidade. A revista Cristianismo Hoje colocou seu nome entre os “50 maiores e mais promissores líderes cristãos com menos de 40 anos”. Temos prazer em convidá-la para cantar em nossas conferências cristãs ao redor do mundo.

Nada surpreende a Deus, Ele sabia o que estava fazendo!

“’Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de lhes dar uma esperança e um futuro’” (Jeremias 29.11).

“Sim, pensei que você nunca pediria”

Muitas pessoas pensam que a oração é algo complicado. Na realidade, a oração mais simples pode lhe trazer o milagre que você precisa, quando você precisa.

Após uma séria queda, um senhor chamado Luke Mulder orou para receber Jesus Cristo. Então orou por sua esposa Clara, que estava visitando sua irmã na Califórnia. Naquele mesmo dia, Clara ouviu alguém compartilhar o evangelho e aceitou a Cristo.

O cartunista cristão Ron Wheeler sonhava em criar personagens para evangelizar, mas precisava de um novo computador. Encontrou o tipo que precisava e começou a orar. Duas semanas depois um amigo ligou para Ron e lhe ofereceu um computador do mesmo modelo que havia pedido em sua oração. Pouco tempo depois de instalar o computador, Ron recebeu uma ligação da Sociedade Americana de sua categoria, solicitando que ele desenhasse uma série completa de personagens evangelísticos para tirinhas de diversos meios de comunicação.

Meus amigos Esteban e Carmela Tosoni dirigiam por uma estrada em uma das montanhas mais altas do mundo, quando seu carro quebrou. Estavam a 30 km da cidade mais próxima. A família Tosoni orou por ajuda divina. Quando abriram os olhos, um mecânico simplesmente apareceu e perguntou se precisavam de ajuda, consertou o carro e então partiram.

Coincidências? Dificilmente.

“A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tiago 5.16).

Luis Palau, 73 anos, é argentino e radicado nos EUA. É um conhecido evangelista internacional, tendo realizado cruzadas em mais de 80 países, atingindo a mais de 22 milhões de pessoas. Palau é autor de 41 livros, alguns deles já publicados no Brasil.
 

Fé sob medida [3]

E hoje temos a terceira reportagem da série produzida pelo SBT e que vem sendo exibida nesta semana.
 
O título desta reportagem é Igrejas encontram espaço em focos de violência urbana. O comentário descritivo do vídeo lá no UOL Notícias é: “Na terceira da série de reportagens do SBT sobre a fé, o repórter Sérgio Utsch mostra que a expansão das igrejas evangélicas está ligada a problemas sociais. Mais igrejas surgem em bairros de periferia onde a violência e o crime estão presentes.”
 
 

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Fé sob medida [2]

Aí vai a segunda reportagem da série produzida pelo SBT.
 
O título desta reportagem é Surfistas, atletas, roqueiros: há igreja para qualquer tribo.
 
 

O Desastre da Música Evangélica Brasileira!

Foto: Dipe

Por Renato Fontes

Resolvi encarar pra valer o desafio de passar uma semana escutando só rádio evangélica, pra ver os efeitos. Tipo o "Super size me", do Morgan Spurlock, que ficou um mês comendo só no McDonalds e quase morreu de pressão alta...

Segue meu primeiro relatório!

Primeiro dia.


Para não ficar numa rádio da Univer$al ou do R R Soares, preferi a 107.5, que é da Quadrangular (na falta de outra rádio que não pertença a nenhuma denominação maluca ou gravadora, além de ser a mais ouvida).

Fiquei ouvindo boa parte da manhã. Algumas observações interessantes:

* Notei a predominância do estilo conhecido como "brega". Tanto sertanejão tipo João Paulo e Daniel como os berros do estilo pentecostal de Cassiane e seus clones.

* Não foi tão ruim quanto o esperado, no que se refere às letras. Não foi nada maravilhoso, é verdade, mas poderia ter sido pior. Tocaram algumas músicas com referências à cruz de Jesus, a Ele ser o único caminho e tudo mais, e isso foi legal.

* Notei que não tocaram nem Diante do Trono, nem Cirillo, nem Nívea e nem "Dêivi Dikila". Interessante, já que é isso que o povo mais escuta.

* Infelizmente, na rádio eles não falam os nomes dos cantores, então não tem como saber...

* Tem muito mais cantoras do que cantores, na proporção aproximada de 3 para 1. Isso não é nem bom nem ruim, é só uma constatação. O ruim é que a maioria delas é aquele estereótipo de cantora da Emeká publicitêition, que aparece nos clipes levantando as mãos pra cima e cantando no estilo berro pentecostal. Haja ouvido!


* Como tem chovido! As poucas canções do estilo "louvor e adoração" que tocaram são daquelas comunidades que aparentemente nunca lançaram CD e seguiram a moda de gravar alguma coisa. Detalhe, só se fala na bendita da chuva. É um tal de "Deus faz chover, chove pra lá e pra cá" que não dá pra entender. A única coisa que se aproveita nessas músicas, na minha opinião, é o baixo. Os baixistas dessas comunidades geralmente são fera. O resto é aquela mesma lenga-lenga que se canta nas igrejas.

* A grande maioria das letras foram centradas no indivíduo, e falam de sofrimento: "se você está sofrendo, olhe para Jesus, clame e ele te dará a vitória..."

* Por incrível que pareça, alguns dos breganejos que tocaram dão de mil a zero nos "viniardes" da vida no que se refere à letra (como se viniarde fosse um bom parâmetro!) Teve um que eu peguei no final que terminava algo como "Ele era Jesus, eu era Barrabás". Parece que era Barrabás cantando na primeira pessoa. Um breganejo horrível musicalmente, mas com uma letra que pareceu que era interessante.

* Quando eu estava no trânsito, por volta de meio-dia, entrou o programa de notícias, e fiquei ouvindo as notícias por cerca de meia hora. Depois tocaram uma canção da Amy Grant ("it's too late for walking in the middle, please make up your mind etc") do início dos anos 80, a única canção internacional do dia, e foi quando tive que estacionar o carro e parar de ouvir.

Amanhã dou mais notícias...


======> Segundo dia.

Aqui vai o relatório de mais um dia da saga. Tá começando a ficar difícil.

Hoje variei um pouco e ouvi também a rádio do R R Soares. Lá pelo menos eles falam quem tá cantando.

* Continua chovendo muito. Mais uma música (pela voz deve ser a Ludmila Ferber, mas não tenho certeza) que só fica falando "derrama tua chuva, abre as comportas dos céus, faz chover etc etc". Ela começa com "nos últimos dias farei derramar....." ou alguma coisa assim. Se alguém conhecer e puder falar pra nós de quem é isso... Ela é bem rápida, com a bateria tocando uma batida militar na caixa.

* Hoje tocaram uma que deve ser do Judson Oliveira, já que só falava de perfume, jardim, noiva, noivo, etc. O que me tirou do sério é um homem cantando "eu vou abrir o meu coração, eu vou deixar o meu noivo entrar". Tocar isso no rádio??!?!?! Fora de um contexto muito específico, isso vira apologia ao homossexualismo, bolas! Rádio é escutado por todo mundo, inclusive novos convertidos que não conhecem esse palavreado codificado que a gente usa.

* Os breganejos continuam com força total, na rádio da Quadrangular. Desta vez as letras foram piorzinhas. Repetiu-se aqueles chavões como "quebrar as cadeias/correntes/grilhões", "ele vai te dar a vitória", e até um que não sei de qual Bíblia eles tiraram (deve ser do livro dos mórmons) - "ele queima toda enfermidade e tira todo mal". Queimar enfermidade? Bolas, eu já vi curar, agora queimar é o máximo...

* Notei um ponto positivo nos breganejos, eles costumam ter solo de violão legal. Sério. Hoje teve um que começa com alguma coisa na escala de lá menor harmônico. Eu até peguei o violão na hora para copiar um "lick" do solo, mas quando consegui pegar o instrumento já tinha esquecido... Aí já era, entrou a voz na música e estragou tudo.

* Que experiência singular ouvir o R R Soares cantando, em ritmo de country, "eu quero estar com Cristo quando a luta se travar"... Isso é da Harpa Cristã, não é? Pra quem já ouviu o Sílvio Santos cantar aquelas musiquinhas de carnaval, é a mesma coisa só que em outro ritmo.

* Não agüento mais ouvir "Draw me close to You" do Michael Smith e suas 23 versões em português. A música até que não é feia, mas já saturou.

* Mais uma vez o tema "se você está sofrendo clame a Jesus e Ele te dará a vitória" foi a tônica. Podemos dividir as letras basicamente em 3 grupos, (1) o clame-e-ele-te-dará-a-vitória-e-quebrará-as- cadeias, (2) o jardim-do-perfume-do-noivo-quero-o-colinho-do-papai- quero-cheirar-os-teus-cabelos (esse até que não toca muito no rádio não, graças a Deus) e (3) o da chuva-de-bênçãos-e-bandejas-de-unção-e- derrama-o-poder. O grupo (1) ganha disparado em tempo no rádio.

* O "bandejas de unção derramada pelos anjos" não fui eu que inventei não, ouvi isso num breganejo hoje.

* A pérola do dia, ""quero ver a mão do Senhor tocar em seu viver iê iê..." em ritmo de rodeio, da dupla "Os gauchinhos", gravadora do R R Soares. Pelo menos teve um solo de guitarra country interessante.

* Outra pérola que escutei numa música não me lembro qual estilo, "Deus não ouve música, mas ouve a voz do coração". É verdade. Só que ele esqueceu que, embora Deus realmente não ouça música (será?), as pessoas ouvem. E são as pessoas e não Deus que cantam na igreja, que compram CD, que ouvem rádio... Quer cantar só pra Deus? Entre no seu quarto, feche a porta e cante sozinho. Se quer gravar CD, cante direito, com arte e competência técnica, porque não é só Deus que vai ouvir. É a cultura do medíocre que entrou de vez nas igrejas.

* Quase não acreditei quando ouvi isso: "quem quer alcançar o favor do rei, toque na ponta do altar". Do "ministério a pá sentar". Oloko, que língua esse cara tá falando? A letra é sem pé nem cabeça, tipo "quem quiser fogo que traga a arca, quem quiser vida que suba na cruz (???), quem quiser o favor do rei que toque na ponta do altar..." Onde nós vamos parar? Ao contrário do que falei anteontem, nessa o baixo passou em branco, o que se destacou foi o solo de guitarra maneiro.

* O Carlinhos Félix mergulhou na onda louvor/adoração e tá gravando música da Darlene Zchech agora. "Junto a Ti, teu amor me envolve etc".

* Ah, já ia me esquecendo, dia 30 é o dia da reparação das perdas na Igreja Internacional da Graça de Deus (do R R Soares), com óleo da multiplicação e tudo. Se você perdeu uma semana ouvindo rádio evangélica e se privando de boa música, compareça lá que você será restituído 7 vezes mais!

Se eu resistir mais um dia, mando outro relatório amanhã!


======> Terceiro dia.


Hoje foi o dia das "pregações", que até então não tinha tido a chance de ouvir. De manhã, por volta das 7 horas, na rádio da Quadrangular, um pastor cujo nome já me esqueci pregava, sem citar a referência bíblica, sobre um texto escondidinho lá em II Samuel 23:11-12, sobre um dos valentes de Davi que venceu os filisteus que roubavam as lentilhas dos israelitas (ele nem mencionou que era um dos valentes da Davi, só citou a passagem assim, sem referência e sem contexto).
Daí fez a aplicação imediata do texto: "e você, vai deixar o diabo roubar suas bênçãos (lentilhas)? Venha para a campanha contra os sete espíritos mais perigosos do inferno." E continuou, explicando que os espíritos mais perigosos são o de miséria, o de enfermidade, o de confusão.... Ou seja, se o cara é miserável não é porque é preguiçoso, é por culpa do espírito de miséria (não estou dizendo que todo mundo que é miserável é por preguiça, não me entendam mal!!!). Só fico imaginando o que teria acontecido com o "espírito de porco"...

Por volta das nove da manhã, veio o testemunho de uma ouvinte que era estéril mas conseguiu engravidar por que "determinou para Deus" que o neném estaria na sua barriga, conforme lhe havia instruído o locutor um ano atrás.

Mas como Deus é misericordioso, atendeu o desejo dela mesmo ela dando ordem pra Ele! Seguiu-se a canção "A cura", cantada pela Cassiane. "A cura vai chegar, não há como impedir", ou coisa parecida. O mais legal é que essa música fala sobre uma suposta "nuvem de unção", o que quer que isso signifique.

Ah, esqueci de dizer, hoje ouvi pela primeira vez uma canção genuinamente brasileira, aliás duas, cedinho antes da tal pregação. Era um forró nordestino com triângulo e tudo, seguido de um breganejo acompanhado por sanfona (desta vez bem diferente do country de corno americano). Os dois tinham a letra caracteristicamente pentecostal, dizendo algo como "o seu fogo é tremendo, nem um bombeiro querendo consegue apagar" (perdoem minha memória, as palavras podem não ser exatamente iguais). Tá feia a coisa.

Pentecostal só fala de fogo e neopentecostal só fala de chuva. Deve ser por isso que o tal avivamento não vem, a chuva apaga o fogo...

Já na rádio do R R Soares, veio o ponto alto do dia, a "oração do meio-dia com o consagrado homem de Deus ministro Camilo". Ele começou, com aquela voz estereotipada de pastor de TV, "coloque um copo d'água sobre seu rádio para receber a energia positiva...". Foi difícil de acreditar, mas ele disse isso mesmo.

Até suspeitei que fosse delírio meu, depois de quatro dias ouvindo rádio evangélica, mas não, eu tenho uma testemunha. Ele falou isso mesmo. E foi mais longe, "nesta sexta eu estarei realizando [sic] a maior campanha espiritual do Brasil e do mundo, a campanha da defesa espiritual, na qual você receberá o bracelete da defesa espiritual com um versículo bíblico"... Fico imaginando o que o pessoal da "campanha contra os sete espíritos mais perigosos do inferno" pensaria disso! Ah, eles fecharam a "oração do meio-dia" dizendo "venha para a campanha da defesa espiritual com o *mestre* Camilo". Uai, além de pastor ele ensina capoeira?

Quanto à parte musical, foram uns 3 breganejos, um rock estilo Resgate/Oficina/Fruto (antes de um breganejo), uma da Cassiane e três no estilo congregacional. Aí é que vem a parte legal. A primeira congregacional tem aquela letra no estilo triunfalista, tipo "agora com Jesus eu sou um super-homem, nada pode me impedir/derrotar/deter, nem a criptonita do inimigo, sou imbatível, bla bla bla". Já a segunda foi, pela primeira vez, uma música legal nesses quatro dias. Sério, o locutor falou no fim o nome do grupo, chamava-se banda "Nefet" (Nephet? Será que ele não quis dizer "nephesh", que é "alma" em hebraico?) Bom, a música me deu aquela sensação de "nem tudo está perdido". A letra era meio nada-de-mais, tipo "Cristo sou seu amigo, estou contigo nos lugares celestiais", alguém aí conhece?? A música tinha uma progressão de acordes bacana, cheia de sétimas maiores (quem me conhece sabe que eu adoro sétimas maiores!), com um acompanhamento maneiro de guitarra e metais, e um solo de percussão no meio super bacana. Deu vontade de comprar o CD deles, se alguém puder me indicar se é bom o resto ou se foi só essa... A terceira congregacional foi a prosaica "Rompendo em fé", e aí tive que estacionar e parar de ouvir.

Só uma observação, notei nestes dias como o equilíbrio é importante. Essas canções pentecostais do tipo "está sofrendo não desanime clame a Deus e Ele te dará a vitória e quebrará os grilhões" não são heresia, são verdade, mas quem ouve deve achar que crente só sabe sofrer. Por outro lado, as que dizem "em Jesus estou nos lugares celestiais e nada pode me derrotar" também não são heresia, mas o problema é que isso leva para o triunfalismo muito facilmente.

Uma coisa tem que ser equilibrada com a outra. E não é isso que tenho percebido, sinceramente. O mesmo artista geralmente só escolhe um estilo ou o outro...

Lutando para manter a sanidade e sofrendo com a crise de abstinência de música...


======> Quarto dia.

Para a decepção dos fãs, hoje não deu tempo de escutar quase nada. Vou ver se tiro o atraso de noite e dou um relatório maior amanhã...

* Descobri que o Conrado se converteu, e pelo visto a Sorvetão também. Ele continua cantando brega do mesmo jeito.

* Hoje tocaram uma música no estilo Cirillo/Deividikila, mas não sei se é deles. Um roquinho estilo britânico com batida 2/4, metrônomo a 120 (meu metrônomo mede isso). Uma letra bem clichê, tipo "quando estou em tua presença me dá vontade de cantar, me dá vontade de pular, me dá vontade de dançar......" Nos EUA hoje em dia só se canta isso em boa parte das igrejas, acho que foi a moda do Delirious e do Viniarde que ficou mais popular que o Hosanna e o Maranatha. Semelhante ao que aconteceu no tempo dos Beatles, a música britânica passou a influenciar os americanos demais, e conseqüentemente nós aqui também.

* Mais uma vez, dá-lhe estilo cantora pentecostal, desta vez menos berrada do que o estilo Cassiane, agora mais para Alda Célia (não sei se tocou alguma coisa dela, a rádio não diz quem está cantando!)

* Na hora das notícias, acabei mudando de estação e colocando na rádio do R R Soares. Só deu tempo de ouvir duas canções, uma meio "dance" (o famoso "putz-putz", só que mais pra anos 70) falando qualquer coisa do tipo "glórias ao Espírito de Deus". A voz do cara fez doer meus ouvidos. A outra era um rock tipo Resgate, falando sobre 5 pães e 2 peixinhos. A letra era até interessante, mas esse estilo definitivamente não me apetece.

* Apesar de realmente as rádios evangélicas privilegiarem o que é produzido no Brasil e não tocarem quase nada de gringo (no passado elas já tocaram com mais freqüência Sandy Patti, Amy Grant e Petra), percebe-se nitidamente que nada é em estilo genuinamente brasileiro. Até os breganejos são parecidos com os countries de corno dos americanos (Willie Nelson etc). Os berros estilo Cassiane tentam (eu disse tentam!) imitar as cantoras negras de igrejas americanas, só que não passam nem perto. Os de louvor/adoração hoje em dia é tudo pop-rock, mais especificamente a vertente britânica, geralmente em tons mais fáceis para tocar em violão, a saber, mi e sol (notei que o Deividikila só toca em sol). Ainda existe o tabu de que tudo que tem percussão que não seja bateria (instrumento americano) é do diabo. Se bem que tá melhorando, uns anos atrás até bateria não era bem vista.

* Mais um dia e não tocaram Diante do Trono. Interessante, aqui em BH tem uns 30 mil membros da Lagoinha, fora as "franquias" (na verdade, clones mesmo). Será que é porque eles não pagam jabá? é a pergunta que não quer calar. Bom, talvez eu tenha que ouvir por mais tempo pra saber se não tocam mesmo ou se foi coincidência. Ou às vezes é porque a rádio é da Quadrangular, e eles não devem gostar de concorrência. Vai saber...

* VPC, João Alexandre, Logos? Eles não devem nem saber o que é isso.

* Os primeiros sintomas da síndrome de abstinência de boa música já começaram a se manifestar. Até quando pego o violão eu me propus a fazer apenas exercícios técnicos (tocar escalas e cromatismos para exercitar os dedos) ou improvisar em cima das músicas do rádio.

Se eu resistir, amanhã mando mais um relatório.


======> Quinto dia.

Os sinais de insanidade já começam a se manifestar. Já estou falando o idioma fluentemente (ou quase): "há uma unção neste lugar... quero mergulhar nessas águas, nadar no rio de unção, que traz restauração para todo o meu interior...." Pegue essas palavras, troque a ordem, repita algumas vezes, coloque uma cantora com voz bem forte cantando, e você já fez um quarto da programação de uma rádio evangélica. Eu sei que isso não é heresia, que Jesus falou mesmo que rios de água viva fluiriam do nosso interior, a Bíblia fala o tempo todo de cura, libertação, restauração, etc, inclusive usando a metáfora do óleo que sara feridas, mas o problema é que a falta de criatividade tá cada vez pior. Quando um termo cai na moda, já era.

A coisa tá ficando pior ainda, já que depois de alguns dias estou ouvindo mais de uma vez a mesma música, e a conseqüência inevitável é que a gente fica com a canção na cabeça o resto do dia. É de doer...

Outras observações:

* Vamos começar pelo lado bom. Depois do besteirol que escutei ontem de manhã, ontem de noite já vi que nem tudo está perdido. Liguei o rádio depois de 10 da noite na estação da Quadrangular e o locutor contou aquele história supostamente real da mulher racista no vôo da British Airways (essa história já circula faz anos na internet. Se alguém quiser ler, veja em www.quatrocantos.com/lendas/141_preconceito.htm). Seguiu-se uma longa mensagem sobre preconceito, acepção de pessoas, racismo, desprezo aos pobres, etc etc etc, coisa que não se prega nas igrejas hoje em dia. Depois, no horário do comercial, estragaram tudo com uma propaganda da "campanha contra os sete espíritos mais poderosos (e não perigosos, como eu disse ontem) do inferno", segundo eles "a maior campanha de libertação de Minas Gerais". Só não deixe aquele cara da outra campanha que falei ontem (o tal do "Mestre Camilo" saber disso...).

Lá pelas 11 da noite, veio mais um alívio, um pastor de uma outra denominação (algo como "Comunidade Cristã Pão da Vida", não lembro direito) fez uma longa exposição do Evangelho, citando Moisés e os Salmos e finalmente o Novo Testamento. Uma pregação de uns 40 minutos que expôs o Evangelho sem rodeios e penduricalhos, que deixou ao mesmo tempo alegre pelo teor da pregação e triste porque ninguém passa isso nos horários de maior audiência... Mas a mensagem foi tão boa (sério, sem ironia!) que, no fim, eu já estava quase levantando minha mão e falando "eu aceito!" hehehe

* Ontem ouvi a "parada de sucessos" da rádio do R R Soares. Tocaram, não necessariamente nesta ordem, um clone do Marcos Witt (Marcos González), "Agnus Dei" do Michael Smith, uma cantora estilo Ludmila Ferber (se não for a própria) cantando sobre "mergulhar-nas-águas-de- restauração-bla-bla-bla" e o Carlinhos Félix mais uma vez cantando "Senhor eis-me aqui" (pelo menos o arranjo dele foi melhor que o da Darlene Zchech).

* Hoje fui ouvir mais um pouco de manhã, mas liguei o rádio e foram uns 10 minutos de propaganda (sem exagero, se bobear foi mais tempo ainda!), até que desisti e fui fazer outra coisa.

* Por falar em propaganda, deu vontade de comer um mês só no McDonalds, pra ficar bem gordinho e poder assim experimentar o "Dieta Fácil", que eles dizem ser a oitava maravilha do mundo e que ocupa boa parte do horário publicitário na rádio da Quadrangular. Mas aí eu fiquei na dúvida, porque depois eles fizeram propaganda do "Magrins". Já que o "Dieta fácil" é tão bom, por que eu precisaria usar outro produto? Acho que estão querendo me engalobar...

* A rádio, em parceria com uma livraria evangélica bem conhecida em BH, sorteou para um ouvinte um Microsystem e mais dez CDs: Diante do Trono, André Valadão, Alda Célia, Cassiane, Soraya Moraes, Aline Barros e mais uns outros que não me lembro. Engraçado, a igreja brasileira cuspiu mesmo no prato em que comeu. Todo mundo se esqueceu do VPC, do Bomilcar, do Carlos Sider, do Aristeu, do Jorge (Camargo e o Rehder), do Guilherme Kerr e até do João Alexandre. Olha que estou falando dos pioneiros, aqueles que graças a eles a gente pode ter uma bateria na igreja hoje. Se eu fosse falar dos independentes e outros que estão começando agora... Já ouviram falar no Márcio Cardoso, na Gláucia Carvalho, no Josimar Bianchi, no Silvestre Kuhlman, no Carlinhos Veiga? Pois é...

* Não tocaram Diante do Trono até hoje, mas hoje tocaram André Valadão na rádio do R R Soares (a propósito, a rádio se chama "Nossa Rádio").

* Talvez ainda dê tempo de participar da promoção da Nossa Rádio - o prêmio sensacional é um livro do Kenneth Hagin!! (pra quem não conhece, o papa da teologia da confissão positiva)

* Ontem ouvi dois forrós na Nossa Rádio. Um era genuinamente nordestino: "se Deus détérminou, está détérminado etc", falando que se Deus decretou, se Deus disse, se Ele falou que você tá curado, que você tá abençoado, etc, ninguém revoga. O outro forró já era o que chamam de "forró universitário", ou seja, coisa de gente do Sudeste que faz música imitação de forró pra tocar em baile de estudante e em boates. Esse outro falava "se o inimigo fechou a porta, o anjo tem a chave e vai abrir a porta" (isso mesmo, rimou "porta" com "porta". Genial!)

* Hoje tive que ouvir de novo a pérola "eu vou abrir o meu coração/eu vou deixar o meu noivo entrar"... Pelo menos ela tem um solo de guitarra bem legal.

* Acabei escutando mais uma pérola do tal do "A pá sentar de Nova Iguaçu". Desta vez a aberração foi "restitui, eu quero de volta o que é meu". Bolas, imagine Jó recebendo a notícia de que perdera tudo, e dizendo uma frase dessas pra Deus... A única coisa que é genuinamente seu, cara pálida, é o fogo do inferno. Essa é a única coisa que você e eu realmente merecemos. O que vier é lucro. Deus só não me manda pra lá por misericórdia, porque é isso que meu pecado me fez merecer. Parece que os cariocas estão querendo se superar. Primeiro é a turma de Nilópolis, agora é Nova Iguaçu... Quem será o próximo?

* Mais uma da dupla sertaneja "Os gauchinhos" da "Graça Music" (gravadora do R R Soares): "Com Deus na sua vida é vencer ou vencer". Notei também que em boa parte das canções a palavra "vitória" e seus derivados aparece o tempo todo. Deviam tocar a musiquinha do Ayrton Senna (Tema da Vitória) em rádio evangélica também, acho que ia dar audiência...

* Ontem, depois que acabou aquela mensagem maravilhosa que falei acima, começaram a tocar a vigésima quinta versão em português do "Draw me close to You" do Michael Smith. Não agüentei e fui dormir.
Tá difícil. São só mais dois dias, mas já está muito difícil de agüentar. Não sei se rio, se choro, se pulo do meio-fio, se mergulho nas águas de restauração, se compro o "Dieta fácil" mesmo sem precisar......


======> Sexto dia.

O que me anima é que já está quase acabando.

· Ontem ouvi mais uma vez a sensacional "Parada de Sucessos" da "Nossa Rádio" (do RR Soares). Imaginem o que é enfrentar o estressante trânsito de uma grande cidade ouvindo isso... Pelo visto a gravadora dele, a Graça Music, vai muito bem, já que os três primeiros colocados eram daquela gravadora!! Destaque para a Sandrinha, com "Rios de unção" – "eu vou mergulhar em suas águas etc" e para a versão rodeio do "eu quero ver a mão do Senhor tocar em seu viver", da dupla sertaneja "Os gauchinhos".

Bom, eu não posso ouvir outra coisa que não rádio evangélica, mas posso mudar para outra estação evangélica, e foi o que fiz, colocando na rádio da Quadrangular. Adivinhem o que estava tocando? Diante do Trono! Pelo visto minha teoria de que eles não tocam no rádio porque não pagam jabá "caiu por terra" (viram, já estou fluente no evangeliquês!!) Depois disso, fui salvo pela "Voz do Brasil" e desliguei o rádio. ·

Descobri também que no meu relatório de dois dias atrás a música que falava de "Chuva" era a "Chuva de avivamento", da Alda Célia. "Abundante chuva! chuva! Derrama sobre nós esta chuva Abre as comportas dos céus, Senhor Faz chover..." Puxa, quanta criatividade de quem compôs isso! ·

Aliás, continua chovendo... Olhem só a que tocou ontem com o PG cantando: "Chuva, quero chuva/Tua chuva sobre mim/Chuva, quero chuva/Tua chuva de unção sobre mim/Faz chover, faz chover/Abre as comportas do céu" – detalhe, essa é a letra completa da música. Quem copiou de quem?? · Minha constatação no primeiro dia de que não se tocava tanto louvor e adoração pelo visto não foi correta. Foi só escutar no horário de 9 da noite, que na rádio da Quadrangular era só esse estilo, bem como hoje cedo (entre 7:30 e 8 da manhã). Destaque para "Ele vem e ele vem saltando pelos montes", "Jardim secreto da adoração" (Alda Célia) – "Eu já me perfumei com o óleo da unção/Já me adornei com as vestes reais do louvor/Por ti desfaleço de amor" (essa letra devia ser proibida para menores de 18 anos!), "Senhor te quero", do Viniarde míusique BraZil (argghhhhhh!!! Eu achava que pelo menos dessa eu tava livre, ai ai ai!). · E é um tal de "move as águas" e "toca nas águas" que eu não entendo. Deve ser a água da chuva que tem sido abundante!

Desse jeito, o fogo dos pentecostais não vem!! Tem uma assim "move as águas senhor,move as água/vou mergulhar,vou restaurar a minha vida", da Comunidade Cristã de Goiânia, naquele estilo em que o "líder/dirigente de louvor" fica berrando no meio da música e mais falando do que cantando, e também uma da Lauriete que é assim: "Toca nas águas meu irmão, toca nas águas (...)E pela fé tua vitória hoje vai chegar, em nome de Jesus." Engraçado, antigamente se dizia "se Deus quiser", mas hoje os crentes já decretam "vai acontecer em nome de Jesus" (tá implícito aí um "queira Deus ou não, não faz diferença..." ·

Ontem à noite tocaram uma que deve ser do Marcos Witt, em ritmo caribenho, em espanhol, que gostei muito. Pelo menos uma... · Pela primeira vez tocaram o Voices... · Mais cantoras no estereótipo Emeká (nem todas são dessa gravadora, mas o estereótipo é o mesmo): Lydia Moisés ("Sou protegida..."), Eyshila, Jossana Glessa, fora outras. Aliás, tenho uma teoria que divide essas cantoras em dois grupos, o pentecostal e o neopentecostal. Infelizmente existe aquele estigma que pentecostal tem que ser pobre, então quem é pobre metido a rico não aceita o rótulo de pentecostal e se intitula "neopentecostal". Pobre que não se importa de assumir que é pobre é pentecostal mesmo. Quem é rico mesmo não tá nem aí pra isso. Pois bem, tem as cantoras pentecostais, que berram e falam de poder, de fogo etc.

O ícone delas é a Cassiane. Já as neopentecostais falam de água, chuva, unção e restauração. O ícone delas é a Alda Célia. Geralmente berram menos. Mas ambas fazem clipes em que aparecem levantando as mãos. Aliás de pobre a Cassiane não deve ter nada, já vendeu milhões de cópias! · Mais breganejo... Mas já estou até acostumado. ·

Confesso que hoje não consegui ouvir pela centésima segunda vez mais uma versão do "Draw me close to You" e desliguei o rádio... Não deu, fraquejei, perdoem-me! ·

Mais uma pregação vazia seguida da campanha contra os sete piores espíritos do inferno, com o pastor Jerônimo Onofre da Silveira, na rádio da Quadrangular. Ele pregou sobre a viúva ajudada por Eliseu, que segundo ele estava endividada de manhã e de tarde já era a maior empresária do ramo de azeite da sua cidade. Ele assegurou que o ouvinte em situação parecida iria melhorar sua condição até o fim do dia. Fico pensando se um ouvinte mais simples, am aperto financeiro, escuta isso, chega no fim do dia, ele tá pobre do mesmo jeito, se ele não vai querer culpar a Deus pela baboseira de um pastor... Segundo eles, os sete piores espíritos do inferno são o de confusão, o de perturbação, o de miséria, o de enfermidade, o de injustiça e mais duas legiões, uma que traz a presença do capeta e outra que causa derrota... ·

As músicas de louvor/adoração estão cada vez mais sem criatividade. É um tal de "Meu prazer é estar prostrado diante de Ti na tua presença etc". É só juntar meia dúzia de palavras assim, mudar a ordem, tocar em dois ou três acordes maiores que qualquer um lança um CD de adoração. Aliás, esse negócio de "meu prazer é isso" me soa meio hedonista...

Tá complicado. Será que eu resisto até amanhã??



======> Sétimo dia.

Nem acredito, consegui resistir bravamente. Resta-me agora um longo período de recuperação pela frente...

Obrigado a todos que me prestigiaram com sua audiência virtual. Com alguém disse, o Super Size Cóspeu alcançou a marca história de 45 pontos no Ibope!!

Vamos lá. Ultimo dia da saga. Como eu comecei segunda dia 27 de manhã, fui até o domingo dia 3 de noite, daí minha demora em dar o sétimo e último relatório.

Vamos então às observações:

* Ouvi uma pregação de uns 20 minutos falando sobre o espiritismo, que não acrescentou nada.

* Desta vez foi só a rádio da Quadrangular. A rádio do R R Soares ficou de lado desta vez.

* Tive que ouvir mais duas vezes a tal da "chuva de avivamento". Agora essa porcaria não me sai mais da cabeça nem com cirurgia no cérebro...

* Fizeram a propaganda mas não tocaram inteira (ainda bem) mais uma canção falando de chuva, de uma tal de Pâmela, da Emeká.

* Tocaram uma do Kleber Lucas pela primeira vez (o ritmo dela, meio quebrado, é até legal). O locutor anunciou, "antes você ouviu Voices, 'Pisa no inimigo'". Puxa, nem acredito que eu perdi essa pérola...

* Tocaram de novo uma do Diante do Trono, das mais recentes, mas que eu não consigo lembrar o nome. Ela tem um solo de percussão bacana no final. É um restinho de esperança que eles fiquem um pouco mais com a cara do Brasil...

* Tocaram uma canção de letra clichê (levante suas mãos e exalte ao Senhor), que não falaram quem canta, que tem os acordes flamencos, solo de violão flamenco, mas uma batida de techno que destruiu a música. Por falar em mistura exótica...

* Tive que aturar mais uma vez "Senhor te quero", do viniarde, mas desta vez cantada em inglês ("In the secret") pelo Sonic Flood. Para quem já não gostava dela no arranjo "normal", foi um tratamento de canal.

* Eu já estava aliviado, pensando que pelo menos "Eu quero é Deus" eu não tinha sido obrigado a ouvir. Pois eis que senão quando, adivinhem o que eles tocam domingo de noite?? Ninguém merece!! Vou poupar vocês de ouvir meus comentários sobre essa "música" e sobre essa "letra". Vou comentar pelo menos um lado bom, a exemplo do que falei no primeiro dia, o baixista mandou ver.

Pelo menos isso se aproveita.

* Pontos positivos (acreditem, houve!): Tocaram o clássico "Oh happy day" (mas não disseram quem cantava), num arranjo bem maneiro. Tocaram uma música inspirada no filho pródigo, que o locutor disse que a cantora era "Aline Santana", se não me engano. A letra começa assim: "Eu tão longe andei meu caminho escuro se tornou/Perdido e sem forças me senti/Eu não pude ver que ao meu lado sempre estava alguém/Tentando meu ajudar a prosseguir". Uma letra bem legal, que hoje infelizmente é mais exceção do que regra.

Tocaram também duas músicas legais, uma da Jeane Mascarenhas (não conheço a cantora) e outra da Jamile (essa última no estilo "disco" anos 70). Aliás, uma vez vi a Jamile na TV imitando a Whitney Houston, igualzinha... Essa que tocaram dela é menos "comercial" que as outras que ela canta.

* Pela primeira vez tocaram o Legião Urbana. Quer dizer, o Catedral. Se não fosse rádio evangélica, eu pensaria que era o Legião.

* Foi o dia que mais tocaram músicas estrangeiras. Lembrei-me também da "You're my God", da Jaci Velasquez.

* Para fechar com chave de ouro, mais duas versões da "Draw me close to You". Desta vez consegui resistir até o fim e escutar tudo. Outra que não sai mais da cabeça. Tá revezando com a chuva do avivamento...

Observações gerais agora, sobre os sete dias:

* Realmente a proporção de cantoras é maior que a de cantores, mas não tão alta quanto constatei no primeiro dia.

* Chuva, chuva, chuva...

* Só se faz rádio evangélica para pentecostal e neopentecostal. Nada pessoal contra esses irmãos, mas acaba existindo uma discriminação contra quem não se encaixa nesses rótulos, que tem que se virar e comprar CD mesmo, ou então que ouça as notícias da CBN ou outra rádio.

* O estilo "brega" é campeão disparado. Falta um pouco de noção de quem faz a programação. Tocam um rock e um breganejo colados um no outro. Constatei isso várias vezes.

* Chuva, tem chovido, manda mais chuva...

* O Diante do Trono tem muito menos representatividade no rádio do que seria de se imaginar, a julgar pela quantidade de discos que eles vendem. Quem não gosta deles, fique sabendo que existe coisa muuuuuuuuito pior.

* Não ouvi nenhuma do Cirillo e só uma que talvez seja do Deividikila, mas não tenho certeza. São outros que, pela quantidade de discos que vendem, seria de se esperar que tivessem mais representatividade no rádio.

* As gravadoras que têm ca$calho, cujos nomes não vou citar (Emecá, Graça Míusique, Line Records, etc) tocam o tempo todo, inclusive com propagandas de seus artistas.

* Chove chuva, chove sem parar...

* O uso excessivo de metáforas como águas, quebrar os grilhões, jardim do noivo e outras coisas pra lá de etéreas.

* Doutrinas centrais do Cristianismo, como a cruz e a salvação tiveram muito menos representatividade do que coisas acessórias como poder, unção, avivamento, etc.

* Tirando a canção que lembra remotamente o filho pródigo, não se canta mais nada sobre as parábolas de Jesus.

* As pregações são muito mais voltadas para o bem-estar material do que espiritual do indivíduo, com poucas exceções. As tais "campanhas" e "correntes" das igrejas neopentecostais e pentecostais continuam fazendo o maior sucesso.

* E como tem chovido...

* Várias vezes tentei salientar o lado positivo das músicas, notadamente os instrumentistas. E realmente foram muitas levadas de baixo, muitos solos de violão ou guitarra, solos de percussão e vozes bonitas que apareceram. Pena que isso não se traduz em melodias belas e, quando isso acontece, as letras são muito superficiais, quando não são baboseiras mesmo. Os bons músicos (que são muitos!) estão subaproveitados. Não sei se, por eu ser músico e conseqüentemente ter uma percepção musical mais aguçada que o cidadão comum, isso influencia tanto...

* Mais chuva...

* Repito que a música evangélica brasileira cuspiu, aliás, vomitou no prato em que comeu. Deu uma banana para seus pioneiros.

* As rádios não tocam produções independentes. Sem chance.

* Não cheguei a ouvir a terceira rádio evangélica de BH, que é da Univer$al, talvez porque distorcesse muito o universo amostral do estudo, principalmente no teor das pregações.

* Meu período de recuperação começou escutando o "Eram Doze", do quarteto Guilherme Kerr, João Alexandre, Jorge Rehder e Jorge Camargo, com participações de outros músicos talentosos nos arranjos. Pretendo ouvir outras coisas do mesmo nível, e voltar a tocar meu repertório, já que estava só exercitando improviso e técnica.

* Eu sobrevivi. Nem acredito. Ao que tudo indica, minha sanidade também sobreviveu. Existe vida após uma experiência como essa.

* Meus agradecimentos à minha querida esposa Miriam, que agüentou essa barra junto comigo!

* E tem chovido!!!
Fonte: http://www.scribd.com/doc/44447/Super-Size-Cospeu?autodown=doc



"Parabéns, Renato, você tem muita coragem, pois tentei escutar rádios evangélicas aqui em Maceió e só aguentei 2 manhãs. Foi uma experiência sinistra, acredite." Gonzaga Soares

Ps: Se chovesse no Nordeste como tem chovido nas igrejas, não teria mais seca por aqui.


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