quinta-feira, 11 de março de 2010

Rosa Parks - Ela ousou dizer não

Foto: www.okaloosa.k12.fl.us/.../essays.html

Março é o mês internacional das mulheres, suas lutas e conquistas, e durante este período resgataremos algumas das figuras femininas que por algum gesto ou ato fizeram história.

Umas destas grandes figuras entrou para a histria há 54 anos atrás na cidade de Montgomery, estado do Alabama nos EUA.

Seu nome era Rosa Louise McCauley, mais conhecida por Rosa Parks, uma jovem costureira negra que no dia 1º de dezembro de 1955 ousou desafiar o sistema e dizer não a segregação racial nos Estados Unidos da América.

Rosa Parks nasceu em Tuskegee, no estado do Alabama, EUA, filha de James McCauley (carpinteiro) e Leona Edwards (professora).

Por motivo de doença de sua avó, foi obrigada a interromper os estudos e começou a trabalhar como costureira.

Em 1932, casou-se com Raymond Parks, membro da National Association for the Advancement of Colored People (NAACP), uma organização que luta pelos direitos civis dos negros, da qual Rosa se tornou militante.

Em 1º de dezembro de 1955 a jovem costureira negra saíra do trabalho e pegara um ônibus. Cansada ela sentou-se junto a outras pessoas no início da “seção destinada aos negros”.

Nesta época a lei do Alabama exigia que pessoas negras abrissem mão de seus lugares no transporte público para pessoas brancas, desta forma os ônibus possuíam uma placa móvel destinando os assentos da frente para pessoas brancas e os do fundo reservado aos negros. Quando o número de pessoas brancas aumentava, o motorista deslocava a placa para trás, aumentando a “seção branca”. Os negros eram obrigados a se deslocarem ou deixarem o coletivo.

Neste dia o motorista do coletivo viu que um homem branco ficara em pé. O motorista então parou o coletivo e mandou que os negros liberassem uma fileira. Todos obedeceram menos uma pessoa, Rosa Parks. Encarando o motorista ela recusou a sair do seu lugar. Diante da recusa o motorista ameaça chamar a policia. Parks então respondeu: “Então, prenda-me”. O motorista desceu, chamou a polícia, que a prendeu. Parks foi declarada culpada quatro dias depois e teve que pagar multa de US$ 14. Foi libertada sob fiança por intervenção de Fred Gray, advogado e líder do movimento pelos direitos civis.

A prisão de Parks foi o estopim para uma imensa mobilização contra o racismo nos Estados Unidos. Alguns dias após sua prisão, o Conselho Político Feminino idealizou um boicote ao sistema de ônibus , que foi aceito em uma assembleia realizada pelo pastor e defensor dos negros, Martin Luther King Jr, na época com 26 anos, que abraçou a causa e liderou o boicote ao sistema de transporte coletivos da cidade que durou 381 dias.

Durante este período os negros iam trabalhar a pé, usavam táxi ou usavam um sistema de carona montado pelos ativistas dos direitos civis e simpatizantes do fim do racismos no país. King ganhou fama nacional tornando-se o maior líder pelos direitos civis negros na história da América.

Em 1956, a Suprema Corte do Alabama decidiu pela inconstitucionalidade da lei de segregação racial no transporte coletivo. Tudo graças a um gesto de uma simples mulher que decidiu dizer não à injustiça.

Rosa Parks foi perseguida e ameaçada de morte diversas vezes, demitida da loja onde trabalhava, teve dificuldades em conseguir emprego, e acabou mudando-se para Detroit em 1957, onde trabalhou como assistente no escritório de um congressista democrata.

Ela fundou o Instituto Rosa e Raymond Parks para o Autodesenvolvimento, destinado a ajudar jovens a conseguirem oportunidades de educação, registrarem-se como eleitores, e trabalharem em prol da paz racial.

Em 1996, recebeu do então presidente Clinton a medalha presidencial da liberdade e em 1999, ela recebeu uma medalha de ouro do congresso americano, entre outras honrarias.

Rosa Parks foi verdadeiramente a mãe do movimento moderno pelos direitos civis. Seu gesto solitário e corajoso foi o pontapé inicial do maior movimento cívico daquela nação.

Em 1977, ela escreveu sua autobiografia intitulada Rosa Parks – My Story.

Em novembro de 2000, foi inaugurado o Museu Rosa Parks, que lembra a lutar desta mulher contra o racismo.

Durante uma entrevista em 1992, Parks declarou o motivo do seu gesto : "Meus pés estavam doendo, e eu não sei bem a causa pela qual me recusei a levantar. Mas creio que a verdadeira razão foi que eu senti que tinha o direito de ser tratada de forma igual a qualquer outro passageiro. Nós já havíamos suportado aquele tipo de tratamento durante muito tempo".

O final de sua vida foi marcado pelo Mal de Alzheimer, e no ano de 2005 Parks morreu em sua casa de causas naturais.

Uma simples costureira de Montgomery, seu nome Rosa Louise McCauley, ou, como as pessoas a conhecem, Rosa Parks, deixou um legado ímpar que ficará eternizado na história
da humanidade para sempre.

Fonte consultada: Incontri, Dora.; Bigheto, Alessandro. Todos os Jeitos de Crer, Ensino inter-religioso, Volume Vidas, Ed. Atica

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